Preços

Consultoria alerta para queda no faturamento da Petrobras

Segundo relatório da Globalinvest distribuído para clientes, defasagem de preços da Petrobras foi fundamental para o déficit primário das estatais federais no primeiro semestre deste ano. Governo, segundo documento, compensou esse resultado com aumento de impostos de outros segmentos da socieda


04/08/2004 00:00
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Além de comprometer o desempenho dos papéis da Petrobras, a defasagem entre os preços internos dos combustíveis e os do petróleo no mercado internacional atrapalha o esforço de economia do governo, traduzido pela meta de superávit primário de 4,25%. Com isso, não só prejudica quem aplicou os recursos do FGTS nas ações da petroleira, como também exige novos aumentos de impostos para compensar a queda no superávit das estatais.
A avaliação é da consultoria Globalinvest, que identificou distorções no resultado do superávit primário divulgado pelo governo na última semana. Embora a diferença entre gastos públicos e a receita tenha sido equivalente a 5,76% no primeiro semestre deste ano, um recorde, a parcela referente ao resultado das estatais federais encerrou o mesmo período com déficit de R$ 1,15 bilhão. Tal fato, segundo a consultoria, deveu-se principalmente à manutenção dos preços no mercado interno em um patamar inferior aos praticados no mercado internacional.
Em relatório distribuído aos clientes, a consultoria analisa os impactos dessa política para os cofres públicos e investidores. "Até quando a Petrobras continuará vendendo derivados de petróleo abaixo dos preços de mercado?", questiona o documento, que adverte: "Esta política acentua o déficit público e faz com que o governo esteja levando os outros setores da economia a um esforço que poderia ser minorado (sem falar nas perdas potenciais aos (...) minoritários da companhia, cujas ações são detidas por mais de 300 mil pessoas, (...) a grande maioria (...) brasileiros que investiram seus fundos de garantia no título).
A tendência, segundo a consultoria, é de deterioração ainda maior das contas públicas no futuro, visto que a cotação internacional do petróleo ultrapassou a casa dos US$ 43 em Nova York. "Como a cotação do petróleo hoje atingiu nova cotação máxima histórica, a situação se agrava – e ainda mais em um cenário em que a autoridade monetária revê para cima suas projeções de preços", afirma o documento.
No relatório, a consultoria afirma que tal situação revela muito mais do que apenas uma intervenção do governo na direção da Petrobras. Isso indicaria, segundo a Golbalinvest, o dilema no qual se encontra a equipe econômica em relação à maior petroleira da América do Sul. Se o governo liberar a companhia para reajustar os preços livrevemente, a Petrobras beneficiar-se-ia da alta dos preços no mercado externo, mesmo que isso venha a ter impacto sobre a inflação. Por outro lado, se mantiver o torniquete na empresa, contém a escalada da inflação às custas da saúde da companhia.
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