Infraestrutura

Consumo maior eleva uso de termelétricas

Geração chegou a 11.557 MW essa semana.

Valor Econômico
16/01/2014 10:16
Visualizações: 1170

 

Ao contrário do que se previa, o uso das termelétricas vem crescendo desde o início de janeiro e disparou nos últimos dias, atingindo valores muito próximos aos verificados no mesmo período do ano passado. Naquele momento, as usinas térmicas foram acionadas emergencialmente por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Dessa vez, a súbita redução das chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste alterou as expectativas originais do governo e do mercado.
Na terça-feira, a geração térmica chegou a 11.557 megawatts (MW), o maior volume desde o dia 5 de dezembro. Autoridades do setor afirmam que uma das principais razões do aumento é a ampliação do horário de ponta do consumo de energia, causada pelo maior número de aparelhos de ar-condicionado ligados neste verão. Além de estar perto do recorde histórico, o pico da demanda tem sido registrado entre 14h30 e 15h, o que eleva o tempo de carga máxima no sistema.
Tradicionalmente, o horário de ponta é entre 17h e 20h, mas os registros do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam uma gradual antecipação do relógio nos últimos anos. "Não deixa de ser um reflexo da mudança de hábito dos brasileiros e do aumento de renda da população", observa o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello.
Esse cenário será analisado hoje na primeira reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em 2014. A reunião pode definir se mais térmicas precisarão ser acionadas e por quanto tempo o sistema precisará de reforço. Na virada do ano, a expectativa do governo e do mercado era de menor uso das térmicas. As chuvas de dezembro realmente ajudaram. No mês passado, a energia afluente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste - principal caixa d'água do país - ficou em 95% da média histórica. Logo em seguida, as chuvas diminuíram e estão em 57% da média, na primeira quinzena de janeiro.
Resultado: no Sudeste/Centro-Oeste, em vez de aumentar, os reservatórios perderam estoque no meio do período úmido. Apesar dos níveis de armazenamento mais confortáveis do que no ano passado, há quem manifeste preocupação. "Ainda precisamos de mais ou menos um mês para saber se a queda nos reservatórios do Sudeste é passageira. Mas a folga para aumento das termelétricas hoje é muito pequena para enfrentar uma eventual seca", afirma o engenheiro e consultor Humberto Viana Guimarães.
De acordo com ele, a capacidade disponível hoje para aumentar os despachos das térmicas é de 2.989 MW. Ou seja, a maior parte do parque gerador já está em uso e não sobra muita folga.
De forma geral, segundo especialistas, o cenário ainda está indefinido. A perspectiva de menores gastos com o uso das térmicas, no entanto, começa a ser vista com desconfiança. Em 2013, a geração térmica ficou em 12,3 mil MW, na média.
Na semana passada, em relatório distribuído a clientes, o J.P. Morgan fez simulações com três cenários diferentes de hidrologia. Arriscava prever, como mais provável, um cenário de "alta hidrologia" e geração térmica de 8.000 MW ao longo de 2014. Nas contas do banco, isso geraria uma despesa de R$ 6,1 bilhões, gasto inferior ao registrado no ano passado - por isso, as tarifas das distribuidoras poderiam até cair.
Na primeira semana de janeiro, sem incluir as usinas nucleares de Angra 1 e 2, o despacho térmico estava abaixo de 8.000 MW. Mas, com o calor intenso, a demanda máxima do sistema ficou muito acima do projetado pelo ONS. Entre os dias 4 e 10 de janeiro, o pico da demanda alcançou 46.614 MW no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, um volume 7,2% superior às estimativas oficiais. A interrupção das chuvas fortes e o aumento dos preços de energia no mercado "spot" fizeram as térmicas retornar, em poucos dias, ao patamar de 11,5 mil MW de terça-feira.
Em entrevista ao Valor, nesta semana, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que a previsão orçamentária de aporte de R$ 9 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) não é "uma conta fechada". Na avaliação dele, a conta "pode ser menor; maior, acho difícil". Augustin explicou que o governo divulgará uma primeira expectativa de gastos no decreto de contingenciamento de fevereiro e poderá revisar os números ao longo do ano.

Ao contrário do que se previa, o uso das termelétricas vem crescendo desde o início de janeiro e disparou nos últimos dias, atingindo valores muito próximos aos verificados no mesmo período do ano passado. Naquele momento, as usinas térmicas foram acionadas emergencialmente por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Dessa vez, a súbita redução das chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste alterou as expectativas originais do governo e do mercado.

Na terça-feira, a geração térmica chegou a 11.557 megawatts (MW), o maior volume desde o dia 5 de dezembro. Autoridades do setor afirmam que uma das principais razões do aumento é a ampliação do horário de ponta do consumo de energia, causada pelo maior número de aparelhos de ar-condicionado ligados neste verão. Além de estar perto do recorde histórico, o pico da demanda tem sido registrado entre 14h30 e 15h, o que eleva o tempo de carga máxima no sistema.

Tradicionalmente, o horário de ponta é entre 17h e 20h, mas os registros do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicam uma gradual antecipação do relógio nos últimos anos. "Não deixa de ser um reflexo da mudança de hábito dos brasileiros e do aumento de renda da população", observa o presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello.

Esse cenário será analisado hoje na primeira reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) em 2014. A reunião pode definir se mais térmicas precisarão ser acionadas e por quanto tempo o sistema precisará de reforço. Na virada do ano, a expectativa do governo e do mercado era de menor uso das térmicas. As chuvas de dezembro realmente ajudaram. No mês passado, a energia afluente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste - principal caixa d'água do país - ficou em 95% da média histórica. Logo em seguida, as chuvas diminuíram e estão em 57% da média, na primeira quinzena de janeiro.

Resultado: no Sudeste/Centro-Oeste, em vez de aumentar, os reservatórios perderam estoque no meio do período úmido. Apesar dos níveis de armazenamento mais confortáveis do que no ano passado, há quem manifeste preocupação. "Ainda precisamos de mais ou menos um mês para saber se a queda nos reservatórios do Sudeste é passageira. Mas a folga para aumento das termelétricas hoje é muito pequena para enfrentar uma eventual seca", afirma o engenheiro e consultor Humberto Viana Guimarães.

De acordo com ele, a capacidade disponível hoje para aumentar os despachos das térmicas é de 2.989 MW. Ou seja, a maior parte do parque gerador já está em uso e não sobra muita folga.

De forma geral, segundo especialistas, o cenário ainda está indefinido. A perspectiva de menores gastos com o uso das térmicas, no entanto, começa a ser vista com desconfiança. Em 2013, a geração térmica ficou em 12,3 mil MW, na média.

Na semana passada, em relatório distribuído a clientes, o J.P. Morgan fez simulações com três cenários diferentes de hidrologia. Arriscava prever, como mais provável, um cenário de "alta hidrologia" e geração térmica de 8.000 MW ao longo de 2014. Nas contas do banco, isso geraria uma despesa de R$ 6,1 bilhões, gasto inferior ao registrado no ano passado - por isso, as tarifas das distribuidoras poderiam até cair.

Na primeira semana de janeiro, sem incluir as usinas nucleares de Angra 1 e 2, o despacho térmico estava abaixo de 8.000 MW. Mas, com o calor intenso, a demanda máxima do sistema ficou muito acima do projetado pelo ONS. Entre os dias 4 e 10 de janeiro, o pico da demanda alcançou 46.614 MW no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, um volume 7,2% superior às estimativas oficiais. A interrupção das chuvas fortes e o aumento dos preços de energia no mercado "spot" fizeram as térmicas retornar, em poucos dias, ao patamar de 11,5 mil MW de terça-feira.

Em entrevista ao Valor, nesta semana, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse que a previsão orçamentária de aporte de R$ 9 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) não é "uma conta fechada". Na avaliação dele, a conta "pode ser menor; maior, acho difícil". Augustin explicou que o governo divulgará uma primeira expectativa de gastos no decreto de contingenciamento de fevereiro e poderá revisar os números ao longo do ano.

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