Biocombustíveis

Consumo volta a subir em março, diz Petrobras

Gazeta Mercantil
13/04/2009 04:07
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O consumo de combustíveis cresceu 0,4% em março em relação ao volume do mesmo período do ano passado, depois de uma queda de 4,2% em janeiro e fevereiro. “Pode parecer pouco, mas é um incremento muito importante neste contexto atual”, disse para a Gazeta Mercantil o diretor de abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa. Segundo o executivo, é um feito crescer mais do que em março de 2008, “quando não tínhamos nada de crise”.

 

A venda de gasolina aumentou 3,1% no mês passado. Querosene de aviação e nafta também apresentaram resultados positivos. A matéria-prima básica para a produção de plásticos deu um salto de 11% em vendas, alimentado pelo embalo da produção do setor. O consumo de combustível de aeronaves subiu 1%.

 

A venda de óleo diesel para indústrias e produtores agrícolas também se recuperou, segundo Costa. É um sinal de reativação da economia, como já mostraram indicadores do setor automotivo e da geração de energia elétrica. Mas no total, incluindo toda a venda do diesel, houve retração de 5,4% em relação a março de 2008. O recuo, porém, é menor que o tombo de 11% registrado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em fevereiro.

 

“A venda de diesel ainda está negativa em relação a 2008 porque no ano passado vendemos mais que o normal, com a necessidade de ligar térmicas movidas a diesel. Neste ano, os reservatórios estão mais cheios e não houve necessidade de despachar térmicas a diesel”, afirmou o diretor de abastecimento.

 

Por causa da retração em janeiro e fevereiro, o consumo de combustíveis diminuiu 2,6% no primeiro trimestre deste ano. Os brasileiros compraram por dia 1,65 milhão de barris de barris de derivados de petróleo, entre janeiro e fevereiro. No primeiro trimestre de 2008, a demanda fora de 1,69 milhão.

 

Sem reajuste na bomba

 

Costa descartou reduzir os preços dos combustíveis, diante das últimas semanas de alta das cotações internacionais do petróleo. Até o mês passado, enquanto o barril beirava a casa dos US$ 40, a Petrobras admitia que poderia reduzir os valores cobrados do consumidor final. Mas agora, com o petróleo na casa dos US$ 50, não há sinalização de preço menor na bomba. “A instabilidade no preço está extraordinária”. A avaliação da área de abastecimento da Petrobras é de que o barril de petróleo caminha para os US$ 70. O aumento do barril pode viabilizar projetos no exterior e animar investidores para projetos de refino no Brasil, segundo analistas.

 

Investimentos em refino

 

A Petrobras quer atrair parceiros para os pesados investimentos em refinarias. São cinco projetos que levarão o Brasil a uma capacidade de produção de 3,5 milhões de barris diários (hoje são 2 milhões). Mas ainda não há conclusão nas negociações com as empresas interessadas. A companhia Petróleos de Venezuela (PDVSA) ainda reluta sobre o preço do petróleo que vai vender para o Brasil transformar em combustíveis na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

 

Também há pendências sobre o destino da produção que lhe caberia no projeto. Pela proposta original, a PDVSA fica com 40% da produção, mas a legislação brasileira favorece o abastecimento interno e não as exportações - “imagina se no Nordeste deixamos de vender para as distribuidoras e exportamos. Não pode”, disse Costa. As unidades Premium I e II também têm possíveis sócios, mas nada concreto.

 

Enquanto as refinarias novas não ficam prontas, a Petrobras maximiza a produção das existentes para reduzir a importação de diesel. Costa revelou que algumas mudanças elevaram a produção do derivado em 35 mil barris por dia. A meta é se tornar autosuficiente em derivados de petróleo em 2013. O Brasil é exportador de gasolina e óleo combustível, mas ainda é dependente de terceiros em nafta, diesel e gás natural.

 

As refinarias atuais terão capacidade de usar cerca da metade de sua capacidade para óleo pesado e outros 50% para leve. Hoje só podem usar 20% da capacidade para óleo pesado. Com as descobertas na camada pré-sal, a produção de óleo leve vai crescer expressivamente, mas o diretor da Petrobras nega que a conversão está sendo feita na hora errada. “Ainda teremos muito óleo pesado para produzir pela frente”.

 


Além disso, a venda de óleo leve é muito mais lucrativa do que a de petróleo pesado. Ao exportar óleo pesado, como faz hoje, a empresa perde 30% em relação ao valor do petróleo leve, de melhor qualidade.

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