Energia
Gazeta Mercantil
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) registrou lucro líquido de R$ 286,016 milhões no terceiro trimestre do ano, 6% acima dos R$ 269,766 milhões de mesmo período de 2007. Nos nove primeiros meses de 2008, os ganham atingiram R$ 899 milhões, aumento de 13,2% sobre o resultado obtido no mesmo período do ano passado.
Segundo relatório da empresa divulgado a investidores, a receita operacional líquida atingiu R$ 4,056 bilhões, com aumento de 6% em relação a 2007, enquanto o lucro operacional foi a R$ 1,298 bilhão. Para o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, o resultado está diretamente vinculado ao bom momento de toda a economia paranaense. “Até o fim de setembro, 2008 vinha sendo marcado por intenso crescimento em todos os setores, verdade confirmada pela freqüente divulgação de indicadores positivos como a geração de novos empregos formais, a intensificação das atividades industriais, boas safras e o aquecimento das vendas no comércio”, diz. “Em razão disso, do aumento de renda da população e abundante disponibilidade de crédito, houve significativo acréscimo no consumo de energia elétrica”, completou.
Segundo a empresa, o crescimento econômico foi o grande responsável pela elevação das receitas e do lucro, com as vendas gerais de energia subindo 6,4%. Destaques para o maior consumidor, o setor industrial paranaense, que cresceu 9%, e a ampliação do mercado com o crescimento de 7% em novos consumidores. O setor residencial, por sua vez, apresentou crescimento de 4,7%, o comercial de 6,2% e o rural de 6,2%.
Dívidas em dólar
No seu balanço, a Copel encerrou os primeiros nove meses do ano com ativos de R$ 13,083 bilhões e uma dívida consolidada de R$ 1,939 bilhão, o que significa endividamento de 24,3% sobre o patrimônio líquido, que atingiu a R$ 7,977, um dos índices mais baixos do setor. O relatório ressaltou também o baixo endividamento em dólar da empresa; no total ele é equivalente a apenas R$ 135 milhões, com o que a empresa quase não sofreu exposição diante da valorização da moeda norte-americana ocorrida nos últimos meses.
O lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu em nove meses R$ 1,477 bilhão, com a empresa obtendo um valor de R$ 437 milhões no terceiro trimestre. A rentabilidade do patrimônio líquido ficou em 12,7%.
A empresa contabilizou também um crescimento de 23,7% na receita da área de telecomunicações, setor em que a Copel está fazendo grandes investimentos e que começa a adquirir importância no seu balanço, já que ela é proprietária de uma extensa rede de fibras óticas que liga a maioria dos municípios paranaenses.
Leilão da usina Baixo Iguaçu
O presidente da Copel confirmou também que empresa entrou com recurso na semana passada para tentar anular o resultado do leilão de concessão da hidrelétrica de Baixo Iguaçu, vencido pelo grupo privado Neoenergia no fim de setembro. Para Ghilardi, a documentação entregue pela Neoenergia teria irregularidades que impediriam sua participação no certame. O projeto de Baixo Iguaçu deve exigir investimentos de mais de R$ 1 bilhão numa usina de 350 megawatts entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Capanema, no Sudoeste do Paraná. Segundo Ghilardi, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ainda não deliberou sobre o assunto. “O engenheiro responsável indicado pela Neoenergia não tem vínculo com a empresa, e não há acervo técnico comprovando a experiência do engenheiro nesse tipo de hidrelétrica”, argumentou.
A perda da licitação deixou o governador Roberto Requião (PMDB) tão irritado que ele prometeu cassar a licença ambiental concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para a usina, porque a considera “irregular”, e impedir a construção da usina se ela não for feita pela Copel. Prevendo dificuldades, a Neonergia contatou a Copel para uma possível associação, mas para a concessionária paranaense só interessa o controle do empreendimento, o que inviabiliza a parceria.
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