Mercado

Corte de 1 milhão de barris/dia da Opep entra em vigor em dezembro

Gazeta Mercantil
16/10/2006 00:00
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Caracas, 16 de Outubro de 2006 - O corte de um milhão de barris diários na produção de óleo bruto, acertado pela Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), entrará em vigor em 1º de dezembro, anunciou na sexta-feira, em Caracas, o ministro de Energia da Venezuela, Rafael Ramírez.
O ministro esclareceu que, "o corte entrará em vigor em 1º de dezembro. Acreditamos que essa é uma medida sensata e necessária, porque há uma produção excessiva, há volumes abundantes de petróleo no mercado, e isso pode causar a queda dos preços", disse.
"Há uma proposta de implementar um corte de 1 milhão de barris diários. Isso é consensual, ou seja, os ministros estão de acordo. O que está sendo discutido agora é a forma de se fazer isso", afirmou. Ou se abaixa o teto de produção, de 28 milhões de barris/dia da Opep, ou as cotas (de cada um dos 11 países membros). Essa é uma discussão meramente técnica", ressaltou o ministro.
"Apoiamos (e entendo que há consenso dos ministros) a decisão de se fazer uma reunião extraordinária neste mês para dar um sinal ao mercado em conjunto e resolver esses temas para chegar a uma acordo sobre como se fará o corte de um milhão de barris", acrescentou.
O ministro afirmou que "os grandes países consumidores exerçam permanentemente um política de pressão contra os países da Opep. "Há um ano informam que é preciso elevar a produção, que é preciso colocar mais petróleo nos mercados. "A Opep fez isso, está fazendo isso. Agora há excesso de produção e então é importante a unidade no seio da Opep para tomar decisões como um corte de um milhão de barris, e acreditamos que esse é o momento", afirmou.
A Opep prevê realizar uma reunião em 14 de dezembro na Nigéria. Desde 1º de outubro, a Venezuela e a Nigéria implementaram um corte voluntário de sua produção, de 50 mil barris por dia e 100 mil barris/dia, respectivamente.
Segundo Ramírez, o preço do óleo bruto WTI situou-se na sexta-feira em US$ 58 o barril, enquanto que o da cesta venezuelana alcançou US$ 48. Sobre esse ponto, o ministro enfatizou que "o preço nunca mais descerá ao nível da faixa vigente até dois anos atrás, de entre US$ 22 e US$ 28 o barril". "Acreditamos que o preço justo do petróleo deve ter como piso US$ 50 o barril para nossa cesta (venezuelana). Isso indicaria para a cesta da Opep cerca de US$ 55 o barril", disse Ramírez. "O preço deve se manter assim porque os países produtores enfrentam os aumentos dos custos internos de produção. Por exemplo, os preço das brocas subiu 48% este ano".
Para Ramírez, outro elemento "que está incidindo muito no preso" são os contratos a futuro dos especuladores. "Eles vendem petróleo a futuro nos papéis. Quando esses contratos terminam se têm a percepção de já não é um bom negócio e decidem mudar para o ouro ou para outro mineral ou produto. Então, eles liquidam os contratos e o preço cai", ressaltou.

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