Meio ambiente

Danos sociais e ambientais preocupam especialistas

Valor Econômico
27/06/2005 00:00
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A Petrobras conseguiu melhorar sensivelmente seus indicadores ambientais nos últimos anos, depois que a imagem da empresa atingiu o ponto mais baixo, em 2000. Naquele ano, a companhia perdeu 6 mil metros cúbicos de combustíveis em diversos acidentes. No maior deles, um vazamento num duto espalhou 1,3 milhão de litros de óleo pela Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro.
Depois disso, foram investidos mais de US$ 1 bilhão em proteção ambiental. O resultado é visível: o derramamento anual de combustível caiu da casa dos milhares de metros cúbicos, na década passada, para 530 metros cúbicos no ano passado.
Esse indicador voltou a piorar recentemente, depois do ótimo resultado de 2002, de apenas 197 metros cúbicos perdidos.
Esses argumentos, porém, têm sido insuficientes para garantir tranqüilidade quando o assunto é produção de óleo no meio da floresta amazônica.
"A construção do gasoduto Urucu-Porto Velho tem alto potencial para causar danos sociais e ambientais", afirma o pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). "Em Rondônia já existe uma busca ávida por terra e qualquer obra vai atrair mais estradas e desmatamento."
A prioridade da Petrobras é prevenir, detectar e conter vazamentos de combustível. Dois acidentes desse tipo ocorreram na Refinaria de Manaus (Reman) em agosto de 1999 - juntos, eles derramaram pelo menos 4 mil litros de óleo no Rio Negro.
O trabalho de monitoramento não é simples. Apenas o complexo de Urucu, com seus 60 poços, tem 140 quilômetros de dutos submersos. Dois novos dutos em planejamento, Urucu-Porto Velho e Coari-Manaus, somarão quase mil quilômetros a essa rede, transportando óleo e gás pelo meio da floresta e atravessando rios importantes como o Solimões.
"Sabemos da fragilidade da região amazônica e adotamos cuidados especiais aqui", afirma o coordenador de Segurança, Meio Ambiente e Saúde (SMS) da Petrobras na região Norte, Nelson Cabral.
Os cuidados não têm impressionado parte dos especialistas. "A extração de óleo e gás, em si, é a parte menos danosa do processo. O problema é o que acontece depois", explica Fearnside, do INPA. O medo dos pesquisadores é que se repita o ocorrido em Coari (AM). Em 1991, a cidade tinha 21 mil moradores. Sete anos depois, no final das obras do duto Urucu-Coari, a população havia quase dobrado.
O resultado foi o aumento de desemprego, alcoolismo, criminalidade, prostituição e doenças sexualmente transmissíveis, afirma o sociólogo alemão Dieter Gawora, do Instituto de Documentação da América Latina da Universidade de Kassel, autor do livro "Urucu - Impactos Sociais, Ecológicos e Econômicos do Projeto de Petróleo e Gás no Estado do Amazonas".

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