Congestionamento

Demanda crescente faz aumentar fila de navios em portos brasileiros

Até alguns anos atrás, a principal preocupação dos portos nacionais era acabar com as filas de caminhões que abarrotavam a entrada dos terminais. Elas continuam. Mas, hoje, as autoridades portuárias têm uma dor de cabeça adicional para resolver:

A Tribuna
06/12/2010 07:54
Demanda crescente faz aumentar fila de navios em portos brasileiros Visualizações: 178
Até alguns anos atrás, a principal preocupação dos portos nacionais era acabar com as filas de caminhões que abarrotavam a entrada dos terminais. Elas continuam. Mas, hoje, as autoridades portuárias têm uma dor de cabeça adicional para resolver: a fila de navios que congestionam os canais de acesso marítimo.
 

Entre janeiro e agosto deste ano, as embarcações que fazem escala no Brasil esperaram, juntas, 78.873 horas (ou 3.286 dias)para atracar nos portos nacionais - cada dia parado custa algo em torno de US$ 20 mil. O número é 16% superior ao verificado em igual período do ano passado, quando o tempo de espera já havia começado a piorar. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave).
 

O trabalho considerou a movimentação das cinco maiores empresas de navegação nos 17 principais terminais de contêineres do País, como Santos, Paranaguá, Rio Grande e Rio de Janeiro. De acordo com o levantamento, os atrasos e tempo de espera dos navios no País provocaram 741 cancelamentos de escala - 62% superior ao de 2009. "São números significativos que mostram o gargalo da infraestrutura brasileira", lamenta o presidente do Centronave, Elias Gedeon.
 

Ele reconhece que o governo tem tentado melhorar a situação dos portos, mas a demanda está superando o resultado das ações e o aumento da oferta. O executivo observa que, em Santos, o volume de contêiner aumentou 215% nos últimos dez anos. Enquanto isso, houve um aumento de apenas 23% no comprimento nos berços de atracação e 20% na área alfandegária. "Vale lembrar que o tamanho das embarcações cresce ano após ano. De 2005 pra cá, o aumento foi de cerca de 30 metros", diz Gedeon, explicando que navios maiores comprometem mais berços na atracação. O diretor da Associação dos Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa, lembra que a armadora Maersk acaba de encomendar 20 navios de 19 mil teus (unidade padrão representada pelo contêiner de 20 pés). Os maiores em operação no mundo são de 15 mil teus, equivalentes a quatro quarteirões, e nunca estiveram no Brasil.
 

Para o especialista, o Brasil precisa de mais terminais e berços para atender a demanda crescente. Mas também é preciso melhorar a infraestrutura de armazenagem e modernizar os equipamentos de operação de carga e descarga de contêineres. Apesar de todos os avanços, os terminais nacionais fazem entre 20 e 40 movimentos de contêineres por hora, segundo o Centronave. No exterior, esses números caem, pelo menos, pela metade.
 

Na opinião do presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, outra deficiência que atrasa o embarque e desembarque de mercadorias nos portos é a burocracia e a falta de coordenação entre os diversos órgãos que atuam nos portos, como agências reguladoras, polícia federal, receita federal, etc. "Qualquer coisa na vida precisa de administração, de gestão. No porto não é diferente. Ele precisa de planejamento".
 

Carlos Kopittkae, diretor da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), que administra o Porto de Santos, reconhece que o tempo de espera dos navios aumentou este ano - chegou a ter 120 navios fundeados na barra. Ele destaca, porém, que alguns terminais de contêineres planejaram a entrada em operação de berços adicionais, tiveram problemas com licenças ambientais e não conseguiram cumprir as escalas agendadas. "Isso acabou acumulando um número grande de navios na barra." Segundo ele, a adoção de sistemas de monitoramento de carga e desburocratização devem acelerar as operações no porto.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Indústria Naval
Fundo da Marinha Mercante aprova R$ 136,9 milhões para a...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
Apoio Offshore
SISTAC amplia contrato com Petrobras para manutenção de ...
31/03/26
Drilling
BRAVA Energia inicia campanha de perfuração em Papa-Terr...
30/03/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de petróleo no pré-sal da Bacia de Campos
26/03/26
Logística
Dragagem marca ampliação das atividades no Terminal Marí...
26/03/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de janeiro para...
26/03/26
Parceria
Vast e HIF Global assinam acordo para tancagem de e-Meta...
24/03/26
Indústria Naval
BR Offshore lança pedra fundamental de complexo logístic...
24/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.