Negócios

EBX quer Petrobras como "âncora" do porto do Açu

Que seria base logística para o pré-sal.

Valor Econômico
12/03/2013 14:06
Visualizações: 1034

 

O plano do empresário Eike Batista para receber ajuda da Petrobras depende de convencer a estatal a instalar no porto do Açu, da LLX no norte fluminense, toda a base logística da companhia para o pré-sal - algo gigantesco. Transformar a Petrobras em "âncora" do Açu poderia resolver grande parte dos problemas de Eike, facilitando a engenharia financeira do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, mas parece que falta combinar com a direção da petrolífera.
O grande problema em relação a isso é que a Petrobras pode não precisar do Açu, que também não parece ser a melhor opção logística para ela. O porto de Eike Batista fica ao norte do centro de gravidade da Bacia de Campos, já atendida por Macaé. E está longe da principal área produtora do pré-sal - o polo de Tupi, na bacia de Santos.
Além disso, há falta de água e de energia elétrica o suficiente. As usinas térmicas no local ainda não saíram do papel. A MPX Açu II seria construída para gerar 3.300 megawatts (MW) usando como combustível gás produzido na bacia de Campos, mas até agora o único gás descoberto pela OGX foi no Maranhão. E os projetos para construção de térmicas a carvão da MPX Açu I em São João da Barra enfrentam problemas com as licenças ambientais e não conseguiram ir adiante, pelo menos até agora.
Os problemas de Eike Batista pioraram quando ele estourou seu limite de crédito em bancos nacionais que eram grandes financiadores do grupo EBX no Brasil. Segundo fontes do mercado, Batista captou bilhões em nome da sua holding, a EBX, dando como garantia ações das companhias abertas do grupo, principalmente a OGX. Quando as ações começaram a se desvalorizar na BM&F Bovespa, os empréstimos ficaram com garantias insuficientes e Batista precisou cobrir a diferença com papéis de outras empresas do grupo.
Há aproximadamente dois meses, já sabendo dos problemas do empresário, a presidente Dilma Rousseff teria perguntado a ele o que o governo poderia fazer para ajudar. A avaliação de vários observadores é que Dilma gosta do tipo de projetos da EBX - com infraestrutura de grande porte, estruturantes e intensivos em capital. E os quais ela considera necessários para o país. Batista teria respondido que isso poderia ser feito por meio da Petrobras. O encontro com a presidente em Brasília na quinta-feira da semana passada seria um desdobramento, já com o BTG Pactual no negócio.
As operações da Petrobras são gigantescas e com o pré-sal devem dobrar de tamanho em algum momento da próxima década. Ter a Petrobras no Porto do Açu garantiria a instalação de berços para atracação de petroleiros gigantescos, navios de apoio, dutos de escoamento e estações de tratamento de óleo e de gás e terminais para armazenamento do petróleo cru.
Segundo uma fonte próxima do empresário, Dilma teria dito a alguns interlocutores que desejaria apoiar Eike Batista na alavancagem de seus projetos, o que pode explicar a elevada participação do BNDES nos projetos do grupo. Mas recentemente a presidente da Petrobras, Graça Foster, negou que esteja negociando qualquer coisa com o empresário.
A engenharia financeira por trás do plano da EBX de ter a Petrobras no Açu prevê, como atrativo, a possibilidade de financiamento da logística necessária para a Petrobras começar a construir toda a infraestrutura que precisará ter para acompanhar o crescimento da produção dos campos do pré-sal na Bacia de Santos. A avaliação de algumas fontes é que a companhia tem crédito, indubitavelmente, mas está com um gargalo no caixa e poderia achar vantajoso ter investimentos fora do seu balanço.
A direção da estatal já disse que não vai investir seu dinheiro nessa infraestrutura, o que significa que deve pagar pelo aluguel de áreas onde investidores privados erguerem os projetos - obviamente com a participação dela nas decisões. "A Petrobras precisa de um porto para a infraestrutura do pré-sal. O André [Esteves] visitou o Açu e o acordo deles é por projeto", disse.
Sobre o tema, uma fonte na estatal disse apenas que o mercado está subestimando - e muito -, a capacidade da companhia em obter crédito. A Petrobras ainda está fazendo análises sobre a logística do pré-sal, que por enquanto está usando espaço em portos diferentes no Rio de Janeiro e São Paulo. Certamente seus sócios na área, as multinacionais BG, Repsol Sinopec e Galp, só para citar alguns, devem se preocupar com os custos. Mas faz sentido que a presença dela no projeto torne a equação mais fácil.
Um empresário lembra que Esteves é sócio da Caixa Econômica Federal no banco Panamericano e pode montar operações com bancos estatais que podem ser fundamentais para uma operação de salvamento do grupo X. "Ele pode liderar várias frentes, dar racionalidade e liderar a transição", diz. Também cita o modelo de gestão que o BTG costurou no acordo da TAM com a LAN para mostrar que aí pode estar o desenho da parceria Esteves-Batista. Mas nesse caso, as duas empresas já eram operacionais, o que não é o caso dos megaprojetos da EBX.
Pelo desenho ideal do grupo de Batista, o movimento seguinte à decisão da Petrobras de entrar no Açu seria o BTG Pactual colocar dinheiro de fundos administrados pelo banco, assim como de fundos de óleo e gás de outros gestores e bancos públicos (CEF, Banco do Brasil e BNDES), além dos fundos de pensão como Petros e Previ. "O André tem os fundos dele, mas não vão ser suficientes. Eles devem fazer um 'club deal' e os outros vão colocar dinheiro lá, como fizeram na Sete Brasil", cita uma fonte, se referindo à empresa que detém hoje uma enorme carteira de encomendas de sondas da Petrobras. E tem a própria estatal como acionista e um ex-executivo de confiança na presidência.

O plano do empresário Eike Batista para receber ajuda da Petrobras depende de convencer a estatal a instalar no porto do Açu, da LLX no norte fluminense, toda a base logística da companhia para o pré-sal - algo gigantesco. Transformar a Petrobras em "âncora" do Açu poderia resolver grande parte dos problemas de Eike, facilitando a engenharia financeira do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, mas parece que falta combinar com a direção da petrolífera.


O grande problema em relação a isso é que a Petrobras pode não precisar do Açu, que também não parece ser a melhor opção logística para ela. O porto de Eike Batista fica ao norte do centro de gravidade da Bacia de Campos, já atendida por Macaé. E está longe da principal área produtora do pré-sal - o polo de Tupi, na bacia de Santos.


Além disso, há falta de água e de energia elétrica o suficiente. As usinas térmicas no local ainda não saíram do papel. A MPX Açu II seria construída para gerar 3.300 megawatts (MW) usando como combustível gás produzido na bacia de Campos, mas até agora o único gás descoberto pela OGX foi no Maranhão. E os projetos para construção de térmicas a carvão da MPX Açu I em São João da Barra enfrentam problemas com as licenças ambientais e não conseguiram ir adiante, pelo menos até agora.


Os problemas de Eike Batista pioraram quando ele estourou seu limite de crédito em bancos nacionais que eram grandes financiadores do grupo EBX no Brasil. Segundo fontes do mercado, Batista captou bilhões em nome da sua holding, a EBX, dando como garantia ações das companhias abertas do grupo, principalmente a OGX. Quando as ações começaram a se desvalorizar na BM&F Bovespa, os empréstimos ficaram com garantias insuficientes e Batista precisou cobrir a diferença com papéis de outras empresas do grupo.


Há aproximadamente dois meses, já sabendo dos problemas do empresário, a presidente Dilma Rousseff teria perguntado a ele o que o governo poderia fazer para ajudar. A avaliação de vários observadores é que Dilma gosta do tipo de projetos da EBX - com infraestrutura de grande porte, estruturantes e intensivos em capital. E os quais ela considera necessários para o país. Batista teria respondido que isso poderia ser feito por meio da Petrobras. O encontro com a presidente em Brasília na quinta-feira da semana passada seria um desdobramento, já com o BTG Pactual no negócio.


As operações da Petrobras são gigantescas e com o pré-sal devem dobrar de tamanho em algum momento da próxima década. Ter a Petrobras no Porto do Açu garantiria a instalação de berços para atracação de petroleiros gigantescos, navios de apoio, dutos de escoamento e estações de tratamento de óleo e de gás e terminais para armazenamento do petróleo cru.


Segundo uma fonte próxima do empresário, Dilma teria dito a alguns interlocutores que desejaria apoiar Eike Batista na alavancagem de seus projetos, o que pode explicar a elevada participação do BNDES nos projetos do grupo. Mas recentemente a presidente da Petrobras, Graça Foster, negou que esteja negociando qualquer coisa com o empresário.


A engenharia financeira por trás do plano da EBX de ter a Petrobras no Açu prevê, como atrativo, a possibilidade de financiamento da logística necessária para a Petrobras começar a construir toda a infraestrutura que precisará ter para acompanhar o crescimento da produção dos campos do pré-sal na Bacia de Santos. A avaliação de algumas fontes é que a companhia tem crédito, indubitavelmente, mas está com um gargalo no caixa e poderia achar vantajoso ter investimentos fora do seu balanço.


A direção da estatal já disse que não vai investir seu dinheiro nessa infraestrutura, o que significa que deve pagar pelo aluguel de áreas onde investidores privados erguerem os projetos - obviamente com a participação dela nas decisões. "A Petrobras precisa de um porto para a infraestrutura do pré-sal. O André [Esteves] visitou o Açu e o acordo deles é por projeto", disse.


Sobre o tema, uma fonte na estatal disse apenas que o mercado está subestimando - e muito -, a capacidade da companhia em obter crédito. A Petrobras ainda está fazendo análises sobre a logística do pré-sal, que por enquanto está usando espaço em portos diferentes no Rio de Janeiro e São Paulo. Certamente seus sócios na área, as multinacionais BG, Repsol Sinopec e Galp, só para citar alguns, devem se preocupar com os custos. Mas faz sentido que a presença dela no projeto torne a equação mais fácil.


Um empresário lembra que Esteves é sócio da Caixa Econômica Federal no banco Panamericano e pode montar operações com bancos estatais que podem ser fundamentais para uma operação de salvamento do grupo X. "Ele pode liderar várias frentes, dar racionalidade e liderar a transição", diz. Também cita o modelo de gestão que o BTG costurou no acordo da TAM com a LAN para mostrar que aí pode estar o desenho da parceria Esteves-Batista. Mas nesse caso, as duas empresas já eram operacionais, o que não é o caso dos megaprojetos da EBX.


Pelo desenho ideal do grupo de Batista, o movimento seguinte à decisão da Petrobras de entrar no Açu seria o BTG Pactual colocar dinheiro de fundos administrados pelo banco, assim como de fundos de óleo e gás de outros gestores e bancos públicos (CEF, Banco do Brasil e BNDES), além dos fundos de pensão como Petros e Previ. "O André tem os fundos dele, mas não vão ser suficientes. Eles devem fazer um 'club deal' e os outros vão colocar dinheiro lá, como fizeram na Sete Brasil", cita uma fonte, se referindo à empresa que detém hoje uma enorme carteira de encomendas de sondas da Petrobras. E tem a própria estatal como acionista e um ex-executivo de confiança na presidência.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.