Atualmente quarto maior produtor mundial de energia eólica, o grupo português EDP presente no Brasil com usinas hidrelétricas, dois parques eólicos e ainda uma térmica tem como estratégia definida crescer muito mais na geração de energia elétrica a partir dos ventos que de qualquer outra fonte. Para tanto, a empresa confirma sua participação no primeiro leilão exclusivo para esse tipo de energia no País, marcado para novembro próximo.
O que não está especificado ainda, informa o diretor de Sustentabilidade da EDP, Pedro Sirgado, é o volume que vai ser ofertado pela empresa.
Segundo ele, extensa carteira de projetos compõem os próximos investimentos da operadora no País, com maior aposta em energias renováveis.
"Sobre a participação no leilão de energia eólica nos já dissemos publicamente que vamos participar, mas não sabemos ainda com quanto. O Grupo EDP é o quarto produtor mundial de energia eólica e é claro que é natural, com todo esse conhecimento e know-how, além da capacidade de investimento que nós temos, que também queiramos investir nesse tipo de energia no Brasil", anunciou ontem, em Fortaleza, durante o seminário Abradee de Melhores Práticas em Qualidade da Gestão Ambiental e Responsabilidade Socioambiental.
Interesse no Nordeste
Sem parques eólicos em operação no Nordeste brasileiro, Sirgado não revelou se a EDP pretende investir na Região, e em específico no Ceará, a partir da carteira de projetos que dispõe, mas reconhece o potencial dos ventos nestas localidades do País. "É claro que o Nordeste tem potencial mas eu não tenho informação sobre a realização de estudos por parte da EDP, porque não participo desses estudos. Se eles já avaliaram a existência de um potencial realizável na Região e no Ceará eu não sei informar", argumentou.
Para o executivo, o Brasil tem, hoje, em termos de energia, incluindo aí a eletricidade e os combustíveis, uma das matrizes mais verdes do mundo.
"Em termos de energias renováveis, o País é líder mundial, porque tem hidrelétricas, com um grande potencial hidrológico já explorado e por explorar; tem também um grande potencial eólico, também conhecido, mas que ainda não é aproveitado e tem condições de ser. Portanto, ele está muito bem e pode continuar muito bem, permanecendo um líder nesta área", frisou Sirgado.
Em termos de combustíveis, ele destacou o álcool como exemplo. "Inclusive, o Brasil tem capacidade para exportar tecnologia. Isso é muito curioso. Ele possui um condição singular entre os demais países em desenvolvimento", enfatizou.
Térmicas
Na sua avaliação, a predominância de usinas térmicas na geração de energia complementar às hidrelétricas hoje no Brasil pode ser considerada uma questão conjuntural. "O enquadramento regulatório dos leilões de energia e os problemas de licenciamento ambiental têm feito com que nos últimos leilões realizados tenham entrado mais as usinas térmicas. Acho que essa é uma conseqüência de como as coisas estão montadas atualmente no País. Eu não acredito que seja um desejo do governo brasileiro essa preferência, creio que seja algo conjuntural e que vai ser corrigido rapidamente. Decididamente, essa não deve ser é uma estratégia do País", afirmou o executivo.
Conforme acrescentou, aprova do reconhecimento do governo brasileiro de que o atual enquadramento do planejamento energético, tal como está, precisa de alguns ajustes é a realização de um leilão exclusivo para a geração eólica.
"As empresas se ajustam de acordo com o planejamento do governo, se ele quer fonte eólica as empresas vão e fazem, do mesmo jeito com relação à térmica. Entretanto, com o potencial que o País tem de geração de energias renováveis, não faz sentido divergir de um crescimento nessa direção, que é uma tendência mundial. Então, creio que o governo deva perseguir esse objetivo ou pelo menos manter o que tem de renováveis. Hoje, o Brasil possui em torno de 81% de sua matriz energética dessa forma e deve, certamente, continuar dessa forma", enfatizou.
Porém, vale lembrar, disse, que todos os países precisam de uma matriz diversificada. "É possível um país ter só eólica? É praticamente impossível. Isto porque, o vento sopra quando ele quer e nós não fazemos o vento soprar. Portanto, todos os países precisam ter uma quantidade mínima de energia, que entra na rede quando o operador quer e só há duas maneiras de fazer isso. Só se pode acumular energia ou em grandes reservatórios, que é cada mais difíceis de se fazer por razões ambientais; ou com as térmicas, porque com elas, se compra carvão e se estoca, da mesma forma com o gás. Se uma hidrelétrica não tem água, não há geração. Portanto, todos os países precisam diversificar as suas fontes", argumentou.
"É claro que eles precisam apostar mais em uma. O Brasil apostou em renováveis, mas precisa das térmicas, para garantir a segurança do seu abastecimento e isso é cada vez mais importante na medida que a sua industrialização aumenta. Não se pode admitir que um dia uma fábrica precise de energia e ela não exista porque não há vento", emendou Sirgado.