Energia

Elétricas perdem espaço na matriz

Valor Econômico
22/05/2009 04:48
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A participação das subsidiárias brasileiras de energia elétrica nos resultados de suas matrizes caiu no primeiro trimestre do ano e é mais um fator que pode incentivar o movimento de venda de ativos de energia no país, a exemplo do que aconteceu com as operações brasileiras da italiana Terna, vendida para a Cemig.

 

Além de o câmbio ter influenciado diretamente nos resultados, as elétricas também tiveram no primeiro trimestre menor capacidade de geração de caixa do que suas matrizes, medido pelo lajida (lucro antes dos impostos, juros, depreciação e amortização), e os resultados líquidos em reais caíram em média 5%, segundo dados levantados pelo ValorData com base em 12 companhias brasileiras que tem o capital estrangeiro no controle.

 

O ambiente para o processo de fusões e aquisições pode ainda ser visto como favorável, se for levado em conta que o valor de mercado em reais destas companhias no Brasil tem mostrado forte recuperação neste ano, frente à queda do ano passado. E também o dólar tornou-se mais favorável neste segundo trimestre. Soma-se ainda o fato de as empresas estrangeiras estarem precisando de caixa em suas matrizes para melhorar suas condições de crédito. As principais companhias europeias de energia tiveram recentemente seus ratings rebaixados por agências de classificação de risco.

 

Dados elaborados pelo ValorData mostram que as companhias de energia com capital estrangeiro, que têm ações negociadas na BM&F Bovespa, valorizaram-se fortemente este ano. Algumas valem mais do que no período pré-crise. Como é o caso da Coelce, empresa de distribuição do Ceará que pertence à Endesa, que vale 10% mais do que valia em 2007. E os ativos da Endesa têm sido acompanhados de perto pelos grupos que pretendem aumentar sua participação no setor elétrico brasileiro.

 

A Endesa vive uma situação peculiar já que recentemente teve seu controle adquirido pela italiana Enel, que tem mostrado interesse em se desfazer de alguns ativos no país. Os ativos de geração da Endesa no Brasil, por exemplo, tiveram um lajida em euros, no primeiro trimestre, 64% menor do que no ano passado e foi a maior queda registrada entre os negócios da companhia fora da Espanha. Já os ativos de distribuição tiveram uma alta de 4%, puxados principalmente pelos resultados da Coelce. O lucro líquido da companhia cresceu 66%. Já os resultados da Ampla, também é distribuidora da Endesa, mostram queda de 44%. Mas o valor de mercado da Ampla caiu em torno de 20% desde 2007.

 

A Iberdrola, que tem 30% da Neoenergia e divide o controle com o fundo de pensão do Banco do Brasil (Previ), também registrou um impacto negativo em seu balanço das operações no Brasil. A taxa de câmbio provocou uma queda de 17% e, mesmo com a alta dos números do México, o lajida em euros dos negócios latino americanos da Iberdrola caiu 10%. A empresa, entretanto, não tem mostrado disposição de sair do país. Por outro lado, tem barrado a expansão da Neoenergia. A controlada teve de recentemente desistir de participar do negócio de compra da Terna, que faria junto com a Cemig.

 

Outra empresa europeia que viu seu negócio no Brasil perder representatividade em função do câmbio foi a portuguesa EDP, dona da EDP Energias do Brasil. A participação no lajida da subsidiária na matriz caiu de 20% para 15%. Em reais, o lajida da empresa chegou a crescer 8%, mas acompanhado de uma queda generalizada de seus resultados, como o lucro líquido que caiu quase 30%.

 

Parte dos números das empresas brasileiras foram influenciados negativamente pela queda dos preços da energia no mercado à vista, afetando algumas geradoras. Outro fator de impacto foram as revisões tarifárias negativas no ano passado. Apesar de a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estar agora concedendo reajustes favoráveis a estas empresas, muitas ainda não tiveram esse ponto positivo registrado no primeiro trimestre. Alguns analistas acreditam que, mesmo com os reajustes ao longo deste ano, os resultados podem vir piores do que os de 2008.

 

A Tractebel, controlada pela francesa GDF Suez, registrou queda de 40% em seu lucro em função dos preços da energia. O caminho tomado pela geradora foi o inverso do ano passado, quanto teve fortes ganhos no primeiro trimestre em função dos altos preços da energia.

 

Mas mesmo as empresas que tiveram lucros maiores no Brasil, ao reportar os números para suas matrizes, amargaram uma queda na participação. Foi o caso da Duke Energy Geração Paranapanema, por exemplo, que teve lucro líquido 186% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Os resultados registrados na U.S Securities and Exchange Commission (SEC), entretanto, apontam para uma queda de US$ 12 milhões na participação da empresa brasileira no resultado da matriz americana.

 

O impacto desfavorável do câmbio também afetou os resultados da AES Corporation, que viu suas atividades na América Latina renderem 17% menos, segundo dados da apresentação de resultados da companhia. O maior impacto foi do subsidiária brasileira. O lucro antes dos impostos e juros, entretanto, ficou 44% maior em dólar, em função de uma reversão de US$ 129 milhões feita pela Eletropaulo. 

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