Negócios

Eletrobras avalia aliança com chinesa State Grid

Valor Econômico
11/06/2012 10:47
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A Eletrobras pode fechar uma parceria com a chinesa State Grid para disputar os leilões das linhas de transmissão que conectarão a usina de Belo Monte, de 11.233 megawatts (MW), no Pará, às regiões Sudeste e Nordeste. O leilão do primeiro grupo de linhas está previsto para o segundo semestre. De acordo com estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o sistema todo somará mais de 6 mil km.

"Temos um memorando de entendimentos com eles (State Grid) [...] Há uma parceria em uma obra de transmissão de Furnas, mas é pequena. Para os projetos maiores, não obtivemos sucesso nas primeiras negociações. Mas estamos abertos. Podemos participar na linha de Belo Monte", afirmou o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto.

As linhas de Belo Monte são declaradamente o principal alvo da State Grid no Brasil no curto prazo. Conta a favor da chinesa a experiência na construção e operação de linhas de transmissão de corrente contínua e em extra-alta tensão, acima de 800 quilovolts (kV). Esse é justamente o modelo de linha que a EPE estuda para a integração de Belo Monte com a região Sudeste.

Já a Eletrobras planeja ter uma participação no projeto por ser considerado estratégico para o abastecimento elétrico do país. Com esse mesmo objetivo, a estatal brasileira, por meio de Furnas, Eletrosul e Chesf, participa dos consórcios responsáveis pelas obras das duas linhas de transmissão, de 2,4 mil km de extensão cada, que vão integrar o complexo hidrelétrico do Rio Madeira (RO) a São Paulo.

A Eletrobras, que completa 50 anos de criação hoje, também está costurando com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um financiamento da ordem de R$ 5,5 bilhões para sustentar seu programa de investimentos para este ano, de R$ 13 bilhões. Segundo Carvalho Neto, a linha básica do empréstimo já está definida e a operação deve ser aprovada dentro de um mês.

"Parte dos recursos para os investimentos deste ano virá da própria Eletrobras e parte de um financiamento do BNDES. A estruturação está praticamente completa", explicou. Os desembolsos serão feitos gradativamente, de acordo com a necessidade de aportes nos projetos em andamento.

A ideia inicial da Eletrobras era captar no exterior os recursos que faltavam para o plano de investimentos deste ano. De acordo com o presidente da estatal, porém, houve uma orientação do governo federal para que a quantia fosse captada internamente.

Apesar da previsão robusta de investimentos para 2012, a Eletrobras cumpriu apenas 13% do total nos primeiros quatro meses do ano. O executivo prevê que a maior parte dos aportes seja feita no segundo semestre. A expectativa é realizar 90% do investimento aprovado para este ano, em linha com o percentual alcançado em 2011.

A companhia ainda aguarda a definição pelo governo federal sobre as concessões de geração, transmissão e distribuição que vencem entre 2015 e 2017 para lançar o plano diretor de negócios 2012-2016. A ideia é divulgar o documento dois meses depois que forem fixadas as regras das concessões, que devem sair ainda neste ano.

A preocupação da estatal tem uma explicação: mais de 14 mil megawatts de energia, pouco mais de um terço de toda a capacidade instalada da Eletrobras (41,6 mil megawatts), são provenientes de usinas cujas concessões vencem no período. A estimativa da empresa é que a definição das concessões, tanto pela renovação com redução tarifária como por uma nova licitação, afete em R$ 5 bilhões a receita da companhia, da ordem de R$ 30 bilhões anuais.

Carvalho Neto, porém, explicou que essa perda será praticamente compensada pela receita oriunda da participação em usinas em construção que entrarão em operação até 2015, de cerca de 13 mil megawatts.

A Eletrobras vai elaborar um plano diretor específico para cada empresa do grupo, inclusive para a distribuidora goiana Celg, cuja aquisição de 51% do capital foi questionada pelos investidores. O mercado avalia que a operação não vai gerar valor para a companhia. Carvalho Neto admitiu que deveria ter divulgado o negócio de uma forma melhor. "Talvez não tenhamos dado as informações para que o mercado tivesse um juízo mais perfeito."

Segundo o executivo, o governo goiano já quitou R$ 3 bilhões de dívidas da Celg. Faltam ainda R$ 500 milhões previstos no acordo, o que vai sanar as contas da distribuidora. Ele argumentou ainda que o prejuízo anual das distribuidoras do grupo caiu de R$ 1,6 bilhão, em 2010, para R$ 931 milhões, no ano passado. No primeiro trimestre de 2012, o prejuízo das distribuidoras foi de R$ 146 milhões, 42,5% menor que o apurado de janeiro a março de 2011 (R$ 254 milhões). A meta é que as distribuidoras passem a dar lucro a partir de 2014.
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