Depois de ter enquadrado Furnas, que se rebelou no processo de escolha dos parceiros para o leilão da hidrelétrica de Teles Pires, a Eletrobras escolheu o grupo franco-belga GDF Suez, com as construtoras Queiroz Galvão e OAS, para serem parceiros da Eletronorte e da Chesf na disputa. A Eletronorte é considerada a empresa mais preparada do grupo Eletrobras , já que é quem estuda o projeto há anos. Para o consórcio formado por Neoenergia e Odebrecht, foi oferecida a parceria com Furnas e Eletrosul.
Dessa forma, a Eletrobras deve fechar sua participação, mas executivos da empresa informaram que ainda falta assinar a formação dos consórcios e aprovar em Conselho de Administração. A CPFL, junto com a Camargo Corrêa, foi preterida na escolha, segundo o Valor apurou, mas de qualquer forma estuda formar um consórcio com Cemig e Andrade Gutierrez. Algumas fontes ligadas a esse grupo contam inclusive que existe negociação com a EDP, mas a empresa portuguesa nega que vá participar do leilão.
Os consórcios devem todos ser formalizados até o fim desta semana pois o leilão está previsto para acontecer no dia 17 de dezembro, pouco mais de uma semana. Também a Copel deve formar um quarto consórcio e estuda parceria com a Desenvix.
A disputa em torno de Teles Pires, uma usina hidrelétrica com capacidade de 1.800 MW a ser construída no rio do mesmo nome em Mato Grosso, parece bastante acirrada mas o projeto ainda precisa ter sua licença prévia ambiental emitida pelo Ibama. O instituto tem até o dia 13 para emitir a licença, sem prejudicar o cronograma do leilão. Há quem torça nos bastidores para que o leilão seja adiado e com isso a formação de consórcios poderá ser toda refeita.
A vitória em Teles Pires será importante para as grandes empresas geradoras que estão entrando na disputa. O grupo Suez, hoje o maior gerador privado de energia, não disputa um leilão de hidrelétrica há dois anos, quando ganhou a concessão da usina de Jirau. A empresa ainda tem desafios com a hidrelétrica que está sendo erguida no rio Madeira, mas ela está prevista para entrar em operação em 2012 e depois disso o programa de investimento já contratado da companhia é fortemente reduzido. A Neoenergia, que já é sócia em Belo Monte, é forte candidata e deve ser majoritária do consórcio formado com Furnas. A Odebrecht terá pequena participação na ponta investidora e será na construção sua participação mais efetiva.
Em geração, a CPFL é hoje quem tem um dos menores programas de investimentos contratados para os próximos anos. As usinas hidrelétricas que estão hoje no portfólio da empresa já estão todas entrando em operação. A empresa tem investimentos em geração eólica para fazer, mas fora isso não tem outros grandes projetos. A Cemig vive situação semelhante.
A Copel também desponta como uma forte candidata pela agressividade com que participou do leilão que aconteceu em meados desse ano e, com forte deságio, levou a concessão da usina Colíder, que fica próxima a Teles Pires. A usina a ser leiloada na próxima semana vai requerer investimentos estimados entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões e faz parte de um complexo de mais de 3 mil MW. Quem levar Teles Pires, terá vantagem em outras usinas do complexo. O preço teto foi estabelecido em R$ 87 o MWh, o qual é considerado bem atrativo.