Energia elétrica
Valor Econômico
A Eletrobrás criou um grupo de trabalho que está debruçado sobre as finanças de suas empresas de distribuição de energia, as chamadas "federalizadas", visando o seu saneamento financeiro. O mercado aposta que esse movimento de reestruturação das controladas venha ocorrendo com o intuito de torná-las mais atrativas para uma futura privatização.
Duas de suas controladas, a Ceal, de Alagoas, e a Cepisa, do Piauí, já estão atraindo a atenção de potenciais interessados, apesar da situação financeira precária em que se encontram atualmente. A Ceal (cujo capital está 94,05% nas mãos da Eletrobrás), deve R$ 255 milhões à controladora. A Cepisa é devedora de outros R$ 270 milhões à Eletrobrás (dona de 99,98% do seu capital).
Hoje, estão sob o controle da Eletrobrás a Ceron (RO), a Eletroacre (AC), a Manaus Energia (AM) e a Boa Vista Energia (RR), além de Ceal e Cepisa. Estas duas últimas, por estarem ligadas ao sistema nacional, poderiam ser passadas adiante com mais facilidade. As demais fazem parte do sistema isolado e têm que comprar energia mais cara, de usinas térmicas movidas a óleo combustível.
O GP Investimentos, que investe com fundos de private equity e é dono da Cemar (MA), já teria enviado carta à Eletrobrás mostrando interesse em participar do processo de venda da Ceal e da Cepisa, segundo uma fonte. Procurado, assessoria informou que o GP prefere não comentar o assunto.
Outra empresa que tem demonstrado interesse na Ceal é a gigante privada Neoenergia, controlada pelos espanhóis da Iberdrola e pela Previ. A Neoenergia já possui outras três distribuidoras elétricas no Nordeste: Coelba (BA), Cosern (RN) e Celpe (PE). Fonte próxima à gigante diz que a empresa só compraria a Ceal depois que ela passasse por um processo de saneamento saneamento financeiro. Oficialmente, a Neoenergia disse, por meio de sua assessoria, que não tinha conhecimento de que a Ceal estaria à venda.
O presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, confirma a operação de recuperação de suas controladas. Segundo ele, há uma "ação enfática no sentido de melhorar as empresas e reestruturar a sua gestão". A decisão de uma futura privatização, segundo Rondeau, porém, depende de uma "decisão superior, de governo, envolvendo o Ministério de Minas e Energia". Segundo o presidente da estatal, ainda não há uma sinalização do governo se haverá ou não uma futura privatização destes ativos.
Rondeu disse que, neste momento, o objetivo é melhorar a qualidade do fornecimento elétrico destas empresas e saneá-las financeiramente. "Vamos padronizar os sistemas comerciais, centralizar a gestão e, se possivelmente, as compras e, por fim, vamos ter o controle do caixa delas". Rondeau afirmou ainda que escritórios de advocacia serão contratados para cobrar os inadimplentes.
As iniciativas da Eletrobrás em viabilizar as suas federalizadas é uma resposta à uma determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A agência enviou ofício no mês passado à Eletrobrás determinando prazo de 60 dias para que a holding apresente um plano de restruturação das controladas. Dentre as exigências da Aneel, destacam-se as de que as empresas reduzam suas perdas comerciais e seu endividamento e apresentem um plano de contenção das despesas gerenciáveis.
Na última fiscalização que fez nestas empresas, a agência reguladora percebeu que praticamente nenhuma delas alcançava os níveis de qualidade de fornecimento de energia exigidos. O caso mais grave é o da Ceal, que chegou a receber vários termos de notificação da Aneel e foi inclusive multada em R$ 735 mil no ano passado.
A Aneel verificou ainda que as federalizadas da Eletrobrás estavam com perdas de energia de até 40% de sua receita, com insuficiência de capital de giro, com elevado nível de endividamento, e que os custos operacionais estavam em patamares superiores à receita operacional líquida, os prejuízos muito altos e os índices de inadimplência dos clientes muito elevados. A agência exigiu a recuperação total destas empresas em até cinco anos.
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