Energia elétrica

Empresas começam a recuperar perdas do racionamento de 2001

Valor Econômico
31/08/2004 00:00
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As empresas de energia começam a se recuperar da crise que o setor viveu nos últimos três anos, iniciada com o racionamento, e que levou as elétricas ao sufoco financeiro e à inadimplência. A retomada do consumo, a estabilização do câmbio e os reajustes de tarifas neste ano em patamares acima da inflação levaram as 29 empresas do setor, com capital aberto, a um lucro líquido de R$ 1,25 bilhão no semestre, contra um prejuízo de mais de R$ 3,9 bilhões em 2002, no auge da crise, seguida de uma leve recuperação no primeiro semestre do ano passado. Em 2003, as 29 companhias lucraram R$ 103,9 milhões. Esses valores estão atualizados pelo IGP-M no período, indexador que corrige parte das tarifas elétricas.
As vendas físicas de energia também estão retomando o crescimento em 2004, depois de três anos seguidos de recuo. A entrega de energia das oito maiores empresas do país em faturamento - sem contar a Eletrobrás -, soma que corresponde a 50% do volume total comercializado no país, caiu 8,5% em 2002 e no ano passado recuou novamente, mais 1,5%. Nos seis primeiros meses deste ano, porém, essas empresas já registram aumento de 1,6% no volume de vendas físicas de energia. Esses valores seriam maiores caso empresas como a Eletropaulo, a Light e a CPFL não tivessem perdido consumidores industriais para outros fornecedores.
Um dos exemplos que ilustram o novo cenário econômico-financeiro que as elétricas vivem atualmente é o recorde de demanda no Estado de São Paulo, de 19,2 mil gigawatts na última terça-feira. Esse nível de consumo não era atingido desde 24 de abril de 2001, quando foram consumidos no horário de ponta 18,5 mil gigawatts, segundo o secretário de Energia paulista, Mauro Arce.
"Em julho, o mercado cresceu 5,7% em São Paulo", contou Arce. Apesar da recuperação, o consumo nacional ainda está nos patamares do que foi verificado em 1998, segundo o secretário.
Outro fator que tem contribuído para o bom desempenho das empresas do setor elétrico é a correção das tarifas, que em 2004 está alguns pontos percentuais acima da inflação. Nos últimos 12 meses, o índice oficial de inflação, o IPCA, subiu 6,8%. E o IGP-M, que corrige parcela das tarifas de energia, já está em 11,51% no mesmo período. Mas neste ano a Eletropaulo obteve o direito de reajustar as suas tarifas em 18,62%; a Cemig corrigiu em 19,13%; a Enersul em 17,02%, e a Cemat em 14,81% , só para citar alguns exemplos.
Vale lembrar que os índices de correção das empresas ficaram mais altos em 2004 para compensar a medida lançada pelo governo, no ano passado, para impedir que ocorresse uma bolha inflacionária. Na ocasião, o governo não permitiu o repasse da alta do dólar para a tarifa, represando a conta de compensação da variação da parcela A, a CVA. Esta conta é composta pela energia dolarizada de Itaipu, tarifas de transmissão e o recolhimento de dois dos principais encargos do setor, a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e a Conta de Desenvolvimento Econômico (CDE).
Ao adiar o repasse do dólar às tarifas de energia, o governo represou perto de 0,4 ponto percentual de inflação em 2003. Na média, o reajuste das empresas ficou 7 pontos percentuais abaixo do que teriam direito.
Em contrapartida, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 2 bilhões para financiamento do capital de giro das companhias de energia, com recursos do Tesouro Nacional, por meio do BNDES. Os reajustes de tarifa deste ano, portanto, incluem fatia necessária para o pagamento deste empréstimo.
Um outro fator que tem contribuído para o bom desempenho das distribuidoras em especial é a sobra conjuntural de energia, que tem forçado os preços do insumo para baixo. Segundo Arce, os preços no Mercado Atacadista de Energia (MAE) estão há quase dois anos na faixa dos R$ 18 o megawatt hora.
"As empresas de distribuição e os grandes consumidores têm se aproveitado. Com certeza isso reflete positivamente nos balanços das concessionárias", afirma o secretário, que também é o presidente do conselho da estatal paulista Cesp. Mas a geradora tem aproveitado para vender, mesmo que a preços baixos, diretamente para grandes consumidores, roubando assim clientes de distribuidoras como a Eletropaulo, CPFL e Bandeirante. Estas três empresas registraram retração no volume de energia vendida, enquanto a Cesp teve um aumento de 6,4% nas vendas em 2004 com relação ao ano anterior. Em 2003 a estatal verificou uma redução de 21,3% nas vendas em comparação com 2002.
A estabilização do câmbio também contribuiu para a folga financeira das empresas neste ano. O dólar comercial teve uma variação positiva de apenas 1,83% em 2004 e, no ano passado, para alívio das empresas, houve uma queda de 18,34%. Mas, no auge da crise, em 2002, o dólar teve uma valorização frente ao real de 53,20%, afundando ainda mais as companhias que têm alto endividamento em moeda estrangeira.
O resultado financeiro das elétricas nos primeiros seis meses de 2004 foi de R$ 473 milhões, contra despesas financeiras de R$ 2 bilhões no mesmo período de 2003 e de R$ 4,7 bilhões, em 2002. O endividamento total das empresas, que era de R$ 33, 7 bilhões em 2000, subiu para R$ 50,6 bilhões em 2003 e se mantém neste patamar, de R$ 50,1 bilhões, nos primeiros seis meses de 2004, segundo os balanços contábeis de 29 elétricas com o capital listado na bolsa de valores.

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