Entrevista Exclusiva

Empresas devem cumprir sua política socioambiental

A TN Petróleo, que há duas décadas vem discutindo a questão da sustentabilidade no setor de energia, criou a série SUSTENTABILIDADE: INDÚSTRIA DE O&G É PARTE DA SOLUÇÃO, trazendo alguns dos palestrantes do SPE Brazil Sustainability Symposium que a começou dia 3 e vai até 5 de outubro, no Rio de Janeiro.

Redação TN Petróleo/Beatriz Cardoso
04/10/2023 14:05
Empresas devem cumprir sua política socioambiental Imagem: Divulgação Visualizações: 1994

Mídia suporte desse evento promovido pela SPE Brasil, a TN Petróleo traz hoje uma entrevista com Gloria Marins, gerente de QSMS da Enauta Energia e conselheira consultiva de Sustentabilidade do Instituto Maria Quitéria. 
Ela fala hoje sobre o Projeto Costa Norte, conduzido pela Enauta, na sessão Biodiversity & Nature Based Solution do SPE Brazil Sustainability Symposium. 
Confira a programação https://sbs2.spebrasil.org/ 

A exploração da margem equatorial vem provocando polêmica e dividindo opiniões. De que forma iniciativas como o projeto Costa Norte, de desenvolvimento de metodologia para o entendimento dos processos costeiros e definição da vulnerabilidade das florestas de mangue das bacias do Pará-Maranhão e Foz do Amazonas, contribuem para equacionar essa polêmica e impasses?

Gloria Marins – Iniciativas como o Costa Norte preenchem lacunas de conhecimento e buscam fornecer metodologias e dados ambientais que permitam a aplicação de medidas de mitigação de impactos mais efetivas, além da redução da subjetividade das análises ambientais presentes nos Estudos de Impacto Ambiental (EIA), assim como prover um dimensionamento mais efetivo das ações de resposta à emergência em casos de eventos acidentais com vazamento de óleo no mar.

Historicamente, a indústria vem buscando a ampliação da base de dados ambientais a partir do desenvolvimento de projetos de PD&I, como o Projeto Costa Norte e outras iniciativas. Isso é feito, também, por meio da integração das bases de dados de cada operadora, a exemplo do Mapeamento Ambiental para Resposta à Emergência no Mar (MAREM).

No âmbito dos processos de licenciamento ambiental, o trabalho conjunto das operadoras presentes na Margem Equatorial materializou-se por meio da formalização de diagnósticos ambientais únicos por bacia sedimentar, inclusive na Foz do Amazonas. Esses diagnósticos unificados promovem, sobretudo, a simetria das informações e a padronização das metodologias de coleta dos dados socioambientais, além de otimizar a análise, por parte do Ibama, de forma a evitar o esforço da avaliação de múltiplos diagnósticos ambientais de uma mesma bacia.

Como geóloga com trajetória no setor e gerente de QSMS, de que forma mostrar efetivamente que a indústria brasileira de óleo e gás tem quebrado paradigmas e mostrado que pode atuar em áreas sensíveis, como é o próprio caso da E&P em Urucu?

Como geóloga atuante na indústria do petróleo brasileira, tive a oportunidade de experenciar a análise de processos de licenciamento ambiental das atividades offshore de E&P no Ibama no início da minha carreira, que coincide com os primeiros anos após a abertura do mercado. Naquele momento, existia um ambiente regulatório que permitiu que muitos projetos de óleo e gás natural fossem licenciados em águas rasas, principalmente atividades exploratórias de pesquisa sísmica e perfuração de poços.

Ao longo dessas duas décadas, a indústria do petróleo vem inovando não só na busca de novas tecnologias para a exploração e produção de petróleo e gás, mas também na melhoria do desempenho ambiental dessas atividades. Por meio da implementação do Sistema de Gestão de Segurança Operacional, dos estudos ambientais e dos relatórios de desempenho ambiental das atividades da indústria, por exemplo, as agências reguladoras são capazes de ter acesso às inovações tecnológicas e de gerenciamento propostas pelas Operadoras.

Desta maneira, penso que a atuação da indústria em áreas sensíveis deve passar pela efetivação do processo de avaliação ambiental estratégica, denominada por avaliação ambiental das áreas sedimentares (AAAS), para a outorga de blocos exploratórios de petróleo e gás, em linha com as políticas ambiental e energética do país.

Os TACs (Termo de Ajustamento de Conduta) bem como os Projetos de Compensação Ambiental são muitas vezes vistos pelos antagonistas da indústria de óleo e gás, como mera forma de reparação, mitigação e recuperação ambiental, mas que não reflete mudança de mindset. Como mudar isso e mostrar que isso é sim, mais do que regulações, normatizações da indústria, uma forma de mudar padrões, cultura, comportamento corporativo?

Os TACs e os Projetos de Compensação são mecanismos importantes que visam a reparação de danos ambientais pela empresa. Os primeiros TACs firmados para regularização de atividades de E&P de petróleo e gás, por exemplo, ajudaram a constituir vias de mudança de mindset, tanto para a gestão ambiental pública quanto para a gestão ambiental privada.  Notadamente, os primeiros TACs foram veículos importantes para a mudança de padrões, tais como a proposição de licenças ambientais por áreas geográficas que favoreceu a implementação de projetos, planos e programas ambientais regionais, promovendo um salto na prática da gestão ambiental e, por conseguinte, do comportamento corporativo. Desde então, as práticas de gestão relacionadas ao desempenho ambiental da atividade licenciada vêm evoluindo e passaram a ser reportadas dentro do processo de licenciamento ambiental. Apesar destes mecanismos, como gestora ambiental, acredito que é preciso garantir, primordialmente, o cumprimento integral da política socioambiental da companhia por meio do exercício de uma conduta ambiental responsável à luz das boas práticas da indústria e de ASG.

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