Negócios

Engebasa investe em energia eólica e cresce

Valor Econômico
20/08/2009 04:08
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O português José Quina Diogo acostumou-se na vida a enfrentar o desconhecido e a apostar no futuro. Ainda adolescente, ele desembarcou no Brasil, em 1952, cheio de esperança. Com apenas 14 anos de idade apostou na área de mecânica para tentar vencer no novo país. E conseguiu. Vinte anos depois montou a Engebasa, instalada em Cubatão (SP), para atender principalmente a ex-Cosipa, hoje Usiminas. No ano passado, aos 70 anos, o emigrante resolveu dar um novo rumo aos negócios e investiu na construção de torres para energia eólica, uma área que no país ainda está engatinhando. A participação da energia eólica no Brasil é de apenas 0,5% de toda matriz energética. Na Alemanha, por exemplo, supera os 20%.

 


A Engebasa foi criada em 1972 para fabricar e recuperar peças para indústrias siderúrgicas. A nova empresa surgiu depois de um caminho do imigrante no Brasil que passou pelo trabalho de pedreiro e pintor de obras e até professor particular, enquanto cursava o antigo ginásio. Na Universidade Federal de Minas Gerais formou-se em engenharia mecânica e 1967 foi trabalhar na Cosipa. Entre várias experiências profissionais, uma delas como gerente de montagem do metrô de São Paulo, Quina decidiu criar sua própria empresa.

 

Os “bons ventos” que guiaram a vida do imigrante continuaram com a Engebasa. “Viajo muito a Portugal e observei que o país virou um paliteiro (as torres geradoras de energia eólica). Por que não tentar algo semelhante no Brasil? perguntei-me.” O passo decisivo foi tomado com o estímulo do pesquisador e técnico na força dos ventos Pedro Cunha, hoje assessor da Quina.

 


Montado em 2008, o novo negócio da empresa, em 13 meses, produziu 80 torres sob encomenda de dois grandes fabricantes de hélices e aerogeradores: a argentina Impsa e a indiana Suzlon, instaladas no Nordeste. No período já foram consumidas 15 mil toneladas de aço. Cada torre mede de 80 metros a 85 metros, dividida em quatro seções, com peso total em torno de 160 toneladas. O aço substituiu o concreto, material inicialmente utilizado nessa indústria.

 


“Não tínhamos encomendas quando criamos a nova atividade, mas sabíamos que o risco era calculado, até pela atuação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa)”, assegura Quina. Esta semana, a cidade de Camocin (CE) inaugura um novo parque de energia eólica, com 50 aerogeradores, com capacidade de 104,1 megawatts (MW). Nesse projeto, a Engebasa participa com 40% das torres.

 


O risco do negócio tende a reverter-se ainda mais com o leilão programado para o dia 25 de novembro quando o país oferecerá ao setor privado a oportunidade de aumentar a capacidade instalada de energia eólica dos atuais cerca de 390 MW para 1,4 mil MW no fim de 2010. Em 2005 eram apenas 29 MW.

 


Confessa o proprietário que são as torres que estão segurando o faturamento da unidade de Cubatão. Seus principais clientes de usinagem foram atingidos pela crise econômica e houve uma queda abrupta de encomendas. A receita bruta estimada para 2009, de R$ 55 milhões, deverá ter uma participação de 90% da fabricação de torres. Para 2010, com previsão de vendas de toda a produção (usinagem e torres), equivalentes a R$ 130 milhões, as torres ainda deverão responder por cerca de 85%.

 


Para isso, a empresa está investindo R$ 11 milhões, com ampliação de 10 mil metros quadrados na área operacional e aquisição de equipamentos, como máquinas de solda, calandra, pontes rolantes, cabine de pintura, entre outros. A meta é passar a produção de oito torres por mês para 14, o que dá uma projeção de 168 unidades anuais. O número de funcionários deverá subir de 230 para 280.

 


Há a firme convicção no mercado de energia eólica quanto ao aumento da demanda de equipamentos nos próximos meses. Mais de 440 projetos candidatos ao leilão do Ministério das Minas e Energia somam 13,3 mil MW. Nem todos serão aprovados.

 


Segundo Quina, a diferença de custo entre o megawatt/hora produzido pelos geradores eólicos, em torno de R$ 220, e o originário de hidrelétricas, R$ 100, na prática diminui. “O custo inicial é caro, mas o tempo de instalação de cada equipamento e o fato de a matéria-prima ser de graça (o vento) dão retorno mais rápido, além do que, a energia eólica é limpa e deve ser vista como complementar no Brasil”, diz.

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