Gás

Envio de gás à Argentina volta ao debate em março

O Estado de S.Paulo
27/02/2008 09:53
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Apesar de ter recebido um 'não' do governo brasileiro no sábado, a Bolívia insiste para que a Petrobrás ceda 1,4 milhão de metros cúbicos diários de gás natural à Argentina no período do inverno. A negativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante a reunião de Buenos Aires, não impediu que esse tema continuasse entre as hipóteses que serão analisadas pelos ministros dos três países, em março, para contornar a escassez de energia na região.

Conforme os cálculos apresentados no sábado, um volume de 1 milhão de metros cúbicos permitiria produzir 250 megawatts (MW) de energia elétrica na Argentina. Mas o equivalente a 400 mil metros cúbicos restantes seriam devolvidos à Bolívia na forma de gás de cozinha, cuja demanda também aumenta durante o inverno.

Fontes do Itamaraty enumeraram outras duas fórmulas em análise para equacionar a situação da Argentina. A primeira diz respeito ao despacho direto de energia, produzida por térmicas a diesel, pelo Brasil. Os argentinos, porém, resistem a pagar o preço de mercado dessa energia, cujo custo é mais elevado que a de outras fontes. A proposta de Buenos Aires é adotar um mecanismo de intercâmbio compensado. Ou seja, criar o escambo no setor, que resultará em prejuízo para o Brasil.

Outra fórmula seria liberar a usina de regaseificação de Pecém, no Ceará, para o processamento de gás natural liquefeito (GNL) importado pela Argentina. A usina começará a operar em meados do ano, no auge do inverno, e poderá também aliviar uma eventual necessidade do Brasil de fontes de energia.

As discussões prévias ao encontro dos ministros, ainda sem dada marcada, não tratarão apenas do desequilíbrio entre oferta e demanda de energia nos três países e do descumprimento do compromisso da Bolívia de fornecer gás ao Brasil e à Argentina. O debate mais sensível, para o Brasil, será como desvencilhar-se de uma possível incumbência de arcar com os prejuízos de qualquer uma das fórmulas.

Outro tema da reunião dos ministros será o investimento na expansão da oferta de recursos energéticos. Em especial, a injeção de cerca de US$ 1 bilhão pela Petrobrás na ampliação da produção de gás na Bolívia, nos próximos anos, e a construção de cinco hidrelétricas conjuntas para gerar um total de 10 mil MW, como foi anunciado anteontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. O custo previsto para esses cinco empreendimentos é de US$ 30 bilhões.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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