Preços

Especialistas advertem que setor petrolífero entrou em uma nova fase de preços

Aumento do consumo acima do esperado; retração dos investimentos em refino e logística; e encarecimento dos custos de produção são alguns dos fatores apontados pela Agência Internacional de Energia (AIE) para novo ciclo mundial de preços do petróleo. Edmar de Almeida, da UFRJ, adverte para


12/07/2004 00:00
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Embora a quase totalidade dos especialistas do setor de petróleo não se arrisque a afirmar que o mundo enfrenta uma nova crise internacional de preços do produto, a uma conclusão todos chegaram durante o seminário 3º Choque do Petróleo, que ocorreu nesta segunda-feira (12/07) no Rio: as cotações internacionais do barril se encaminham para a consolidação em um patamar mais alto, determinado por fatores como aumentos de consumo acima do esperado; retração de investimentos em refino e logística; e encarecimento dos custos de produção de óleo e gás.
O diretor da Agência Internacional de Energia (AIE), Klaus ReHaag, advertiu que a indústria petrolífera investiu, nos últimos anos, menos do que o necessário em capacidade de refino e ampliação da frota mundial de petroleiros. Na contramão, acrescentou, verificou-se um aumento mundial de consumo mais expressivo do que o inicialmente projetado por especialistas. Para o executivo, é justamente no downstream, um segmento fundamental para o processo de formação de preços de derivados, que reside o maior desafio da cadeia internacional do petróleo.
ReHaag adverte que, nos próximos anos, a indústria terá que produzir 5 milhões de barris adicionais por dia para suprir não só um aumento projetado de 2% ao ano da demanda mundial, como também o declínio de fronteiras petrolíferas como o Mar do Norte europeu. A AIE estima, para os próximos anos, uma taxa média de declínio da produção mundial da ordem de 10%. O problema, adverte, é que as regiões onde residem as maiores reservas de óleo e gás do mundo enfrentam problemas de ordem geopolítica e dependem eminentemente dos investimentos de companhias estatais, como o Oriente Médio.
Para os próximos dez anos, o executivo prevê o crescimento da produção de países de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), aí incluído o Brasil. Apesar disso, o aumento dos custos de produção, paralelamente ao crescimento da demanda e à diminuição da capacidade ociosa da indústria, contribuirá para a manutenção da instabilidade internacional de preços.
Professor do grupo de energia do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmar de Almeida inclui nesse cardápio de problemas "a financeirização do setor petrolífero mundial a partir da década de 1980". Tal fenômeno, segundo ele, contribuiu, nos últimos anos, para uma maior instabilidade do mercado mundial de petróleo. Com a sofisticação dos derivativos, exemplifica, amplificou-se a sensibilidade dos mercados às crises e oscilações de preços.
Assim como Almeida, o professor da Universidade de Boston, Robert Kaufmann, adverte que o mundo entrou em um novo patamar de preços do petróleo. Nos últimos anos, afirma, as grandes companhias do setor implantaram rigorosos programas de cortes de custos administrativos, o que acabou por enxugar os custos de administração de estoques. Tal fato, segundo ele, contribuiu - juntamente com um aumento da demanda global acima do projetado - para o atual cenário de preços.
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