Gasoduto

Especialistas vêem riscos econômicos e ambientais

Valor Econômico
13/02/2006 00:00
Visualizações: 1672

O gasoduto da Venezuela até Buenos Aires, que vai atravessar parte da Amazônia cruzando o Brasil, é visto com dúvida e até uma ponta de ceticismo por especialistas, que apontam o suprimento de Gás Natural Liquefeito (GNL), a ser transportado por navio, como alternativa mais econômica. Na própria Petrobras já se avalia o risco do projeto para os investimentos em gás da estatal na Bolívia e também a queda nas vendas de combustíveis líquidos que serão substituídos pelo gás.

Os riscos ambientais que cercam o projeto e que podem atrasar ou inviabilizar a concessão das licenças também não podem ser ignorados, assim como as incertezas quanto ao preço. Isso porque o preço estimado para esse gás - entre US$ 1 a 1,7 por milhão de BTUs (British Thermal Unit), sem considerar a tarifa de transporte - é considerado baixo. O preço é menor que o do gás da Bolívia, que hoje chega ao Brasil por US$ 3,20, sem contar os US$ 1,70 de transporte, que elevam para US$ 4,90 o preço final para consumo industrial. Há temores quanto a mudanças políticas na Venezuela depois que o projeto estiver concluído.

As tentativas do novo presidente da Bolívia, Evo Morales, de renegociar o preço do gás exportado para o Brasil são sempre citadas como exemplo de risco político. Também se pergunta por que a Venezuela quer vender gás para o Cone Sul por menos do que o preço que o Estados Unidos poderia pagar, já que lá o gás já foi vendido por US$ 14 o milhão de BTUs.

Também se questiona o fôlego da PDVSA para financiar a exploração de todo esse gás na Venezuela. Marco Aurélio Tavares, diretor da empresa de consultoria Gás Energy, estima que serão necessários pelo menos US$ 15 bilhões em investimentos para que a Venezuela possa produzir os 150 milhões de metros cúbicos de gás/dia. Com a obra, a conta subiria para US$ 38 bilhões, no mínimo.

Tanto Tavares quanto o economista Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), acham que a PDVSA pode ter problemas para levantar tantos recursos. "Como Chávez está usando a renda do petróleo para suas políticas sociais na Venezuela e América do Sul, falta explicar de onde virá o dinheiro para todos esses investimentos", diz Pires.

Tavares acha que o projeto precisa de ampla discussão com a sociedade, para que ela decida se o Brasil deve basear seu desenvolvimento no que considera "subsídio do preço do gás da Venezuela". Ele defende a construção de unidades para transformar em gás novamente o GNL, que pode ser importado por menos, reduzindo a dependência do Brasil da Venezuela.

Tavares também avalia que pela metodologia de tarifa postal para o gasoduto - pela qual o preço do transporte é o mesmo, independente do ponto de entrega - os consumidores brasileiros estarão subsidiando tarifa para os argentinos. A maior parte da tarifa seria "amortecida" no Brasil antes de chegar ao país vizinho.

"Será que é interessante para o Brasil desenvolver mercados consumidores com base em um preço de gás subsidiado por outro país? Quem vai garantir que a Argentina, que hoje tem preços de gás congelados, está disposta a pagar pelo gás importado, que terá duplo subsídio, no gás e no transporte?", questiona.

Outro crítico do projeto é o secretário de Petróleo, Energia e Indústria Naval do Rio de Janeiro, Wagner Victer, para quem o projeto é "uma intenção megalômana próxima daquela que inspirou a Rodovia Transamazônica". Ele teme que o projeto reduza investimentos em exploração de gás no Brasil, sem contribuir para a redução dos preços internos.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Macaé
Foresea participa do WSOP 2026 e reforça que segurança é...
11/08/26
Pessoas
Atvos anuncia novo CEO
11/08/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
Siemens Energy expande atuação no offshore brasileiro co...
10/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana começa nesta terça-feira, dia 11, c...
10/08/26
Biometano
Copa Energia amplia debate sobre o futuro do biometano n...
10/08/26
PD&I
Softwares da Unicamp para segurança industrial são testa...
10/08/26
PPSA
8º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Búzios e de ...
10/08/26
Etanol
Etanol encerra a semana estável, com leve alta no hidratado
10/08/26
Fenasucro
Vallourec leva inovação para aumentar a eficiência das u...
07/08/26
Gás Natural
Gas release: ANP aprova relatório e abertura de consulta...
07/08/26
ANP
Fórum da ANP na Rio Innovation Week teve mais de 20 pain...
07/08/26
Remuneração aos Acionistas
Pagamento de remuneração aos acionistas de R$ 17,4 bilhõ...
07/08/26
Biometano
ANP aprova resolução sobre especificação e controle da q...
07/08/26
Resultado
Petrobras lucra R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026
07/08/26
Margem Equatorial
Firjan SENAI leva para o Amapá o programa Rede de Oportu...
07/08/26
Mobilidade Urbana
Scania e Caio lançam novo ônibus a gás/biometano Padron ...
07/08/26
Etanol
Venda de etanol em junho supera os 3 bilhões de litros
06/08/26
Bacia de Santos
Oil States assina contrato para fabricação dos Jumpers R...
06/08/26
ROG.e
MODEC é patrocinadora da ROG.e 2026
06/08/26
ANP
Seminário da ANP apresenta resultados da atividade de ex...
06/08/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana: cinco motivos para não perder o pr...
06/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.