Gasoduto

Estado do RS não vai abrir mão do Uruguaiana-Porto Alegre

Zero Hora
10/02/2005 00:00
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Para não correr o risco de ver comprometido o projeto de conclusão do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, o governo do Estado não pretende negociar o fornecimento de gás natural para a Termocanoas. Segundo o secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, o governo gaúcho não vai abrir mão do contrato para não prejudicar o projeto, considerado estratégico para o Estado.
- Decidimos, em reunião com a diretoria da Sulgás, que o governo não vai abrir mão do contrato da térmica. Se fizermos isso, podemos sepultar um projeto estratégico para o Estado, que é um gasoduto que corta ao meio o Rio Grande do Sul, com possibilidade de levar gás para a Metade Sul, a região central - informou Andres ontem.
Segundo o secretário, ao contrário do que disse o gerente executivo de gás da Petrobras, Henyo Barretto, as informações de que o governo estadual dispõe são de que a capacidade de exportar gás da Argentina estará normalizada dentro de dois a três anos.
- A crise é conjuntural. Os argentinos estão construindo um gasoduto para interligar com a bacia da Bolívia, que vai aumentar a oferta em 20% - ponderou.
Com investimentos estimados de US$ 738 milhões - entre o gasoduto, a conclusão da térmica e um projeto de petroquímica a ser construído junto à Refap que o gás argentino tornaria viável -, o projeto é considerado um dos mais importantes para o Estado, acrescenta Andres:
- É maior do que a própria General Motors.
O presidente da Sulgás, Artur Lorenz, garante que a companhia tem gás em quantidade suficiente para fazer novos contratos com indústrias e postos de gás natural veicular (GNV) até o próximo ano. A exigência, portanto, seria ter uma nova fonte garantida a partir de 2006, explica:
- Como somos uma companhia do governo gaúcho, precisamos estar alinhados com o que é importante para o nosso Estado. Para a Sulgás é importante vender mais gás, para o governo o gasoduto é estratégico.

Entenda o caso:

- O gerente executivo de gás da Petrobras, Henyo Barretto, disse em entrevista a Zero Hora, na semana passada, que o gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre estava com menores chances de conclusão porque não havia perspectiva de disponibilidade de gás natural na Argentina a curto prazo. Também afirmou que fazer um gasoduto no Nordeste era a prioridade da Petrobras no plano de massificação do gás natural.
- No mesmo dia, o diretor da Sulgás Flávio Soares de Soares informou sobre uma negociação entre Sulgás e Petrobras para liberação do contrato de fornecimento de gás para a Termocanoas. A usina, diante da certa folga no abastecimento de energia, não está sendo solicitada a gerar a pleno, usando a quantidade de gás contratada (1,1 milhão de metros cúbicos diários).
- As declarações foram alvo de reunião na Secretaria de Energia, Minas e Comunicações, com participação da direção da Sulgás. Ficou decidido que o Estado vai lutar pela conclusão do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre.
- A Sulgás é uma associação entre o governo gaúcho, que tem 51% das ações, e a Petrobras, com 49%. A empresa tem o monopólio da distribuição de gás natural no Estado.
- A Termocanoas é resultado de um investimento da Petrobras e funciona com capacidade para gerar 260 megawatts (MW), em ciclo aberto. Para completar a potência prevista, deveria chegar a 500 MW, com ciclo fechado (duas turbinas a gás e uma a vapor), mais eficiente. A usina é considerada a âncora do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre. O projeto deve ser unido ao da Termogaúcha. O gasoduto é um projeto privado, com participação de 25% da Petrobras. 

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