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Estudos apontam redundância do imposto de exportação e extra de R$ 9,6 bilhões de royalties no 1º semestre

Regime fiscal brasileiro distribuiu R$ 36,5 bilhões em royalties de janeiro a junho; valorização do Brent gerou repasse extra de R$ 3 bilhões para a União e R$ 6,6 bilhões para estados e municípios sem necessidade de novas taxações.

Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
21/07/2026 09:58
Estudos apontam redundância do imposto de exportação e extra de R$ 9,6 bilhões de royalties no 1º semestre Imagem: Divulgação IBP Visualizações: 1143

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) divulgou hoje dois estudos técnicos detalhando o comportamento fiscal e o cenário de exportações de petróleo bruto do Brasil no primeiro semestre de 2026. Os dados demonstram que o modelo de partilha do setor já captura com eficiência os ciclos de alta de preços do mercado internacional, tornando redundante e prejudicial à competitividade do país a recente decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Camex (Gecex) de manter a cobrança de 12% do Imposto de Exportação por via administrativa.

De acordo com o estudo sobre arrecadação, o Brasil distribuiu R$ 36,5 bilhões em royalties no primeiro semestre de 2026. O montante ficou 35% acima do esperado no início do ano devido à escalada de tensões geopolíticas globais, que elevou o preço médio do barril de Brent para US$ 92,56, superando a projeção inicial de US$ 57,50 feita pela agência americana EIA.

Essa valorização gerou um adicional extraordinário de R$ 9,6 bilhões aos cofres públicos. Desse ganho extra de receita obtido por meio do próprio regime de concessões e partilha vigente, a União recebeu R$ 3 bilhões, os Estados R$ 2,7 bilhões e os municípios R$ 3,9 bilhões.

"Mudar o instrumento administrativo para manter a cobrança não corrige seus problemas de origem e nem elimina a insegurança jurídica", afirma Roberto Ardenghy (foto), presidente do IBP. "A arrecadação pública do país com o petróleo já cresce naturalmente quando os preços internacionais sobem ou quando a produção avança. Criar uma nova camada de tributação sobre as vendas externas apenas sobrepõe encargos, deteriora o ambiente de negócios e afasta os investimentos de longo prazo".

Retração nas exportações

O impacto imediato da tributação sobre as vendas externas foi mapeado no segundo estudo do IBP. Em maio, mês de aplicação prática do Imposto de Exportação, o volume brasileiro de embarques de óleo cru sofreu uma queda de 28,3% em relação a abril, caindo de 62,8 milhões para 45 milhões de barris, acompanhado por uma redução de 23,3% na receita.

A análise técnica indica que a queda situacional decorreu da necessidade de as petroleiras gerirem estoques, reformularem planejamentos logísticos e financeiros e se reorganizarem frente à nova realidade tributária. Embora o mês de junho tenha registrado recuperação de 46% (65,7 milhões de barris), o baque de maio confirma o risco de perda de dinamismo e competitividade do produto brasileiro perante outras fronteiras globais de produção.

"A indústria de petróleo e gás responde por 17% do PIB industrial brasileiro e gera investimentos intensivos de capital com horizontes de décadas", ressalta Ardenghy. "Medidas fiscais imediatistas de arrecadação reduzem a rentabilidade dos projetos e elevam a incerteza regulatória. No longo prazo, essa perda de competitividade significa menos produção, menos atração de capital estrangeiro e, consequentemente, menor arrecadação pública futura".

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