Mercado

Etanol pressiona preço de commodities

O aumento do interesse pela utilização mundial do álcool como combustível deve fazer com que os preços das principais commodities produzidas pelo Brasil permaneçam elevados no mercado interno, após sucessivos recordes. No exterior, pesquisa realizada pela Bloomberg mostra que a expectativa é

Jornal do Commercio
07/05/2007 00:00
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O aumento do interesse pela utilização mundial do álcool como combustível deve fazer com que os preços das principais commodities produzidas pelo Brasil permaneçam elevados no mercado interno, após sucessivos recordes. No exterior, pesquisa realizada pela Bloomberg mostra que a expectativa é de queda nos preços para o final do ano e para 2008.

O aumento da demanda, junto a graves problemas climáticos que prejudicaram a produção mundial de produtos como o trigo, elevou o preço médio aos níveis mais elevados da história. O aumento da produção neste ano não deve ser suficiente para suprir o crescimento da demanda e os preços devem permanecer pressionados no Brasil, de acordo com a expectativa de especialistas.

"A conjuntura atual das commodities é muito especial, muito diferente do que ocorreu nos últimos anos. A procura por etanol levou a uma alta muito expressiva dos preços do milho, como nenhuma quebra de safra havia feito antes. Isso acabou tendo reflexos sobre a cotação da soja, porque a área de plantio é a mesma e, para uma crescer, a outra precisa diminuir", explica o professor da UERJ e pesquisador do IPEA Gervásio Rezende.

EUA

 O interesse dos Estados Unidos em produzir álcool para começar a reduzir a dependência do petróleo fez com que os preços do milho, principal produto utilizado na produção americana, tivessem alta expressiva de preços no mercado internacional. No período de um ano, a elevação acumulada é de 37,7% na Bolsa de Chicago, isto porque, depois das máximas atingidas em fevereiro, os preços já cederam bastante, senão a alta seria ainda maior.

A elevação da demanda por milho influencia os preços de outras commodities por tabela. A soja teve sua área de plantio reduzida, para aumento do milho, o que deve reduzir a oferta, pressionando preços. "A questão do etanol ganhou força após o plantio da safra atual de milho no Brasil, realizada em outubro. Por isso, não houve ainda grande elevação das áreas plantadas. Somente na segunda safra a área destinada ao milho no Brasil deverá crescer", diz Rezende.

Além da soja, outra commodity afetada pela produção americana de etanol baseada em milho é o trigo. Com a utilização do milho para combustível, a alimentação de animais ficaria prejudicada. O trigo acaba, em parte, substituindo-o na alimentação animal. Além disso, na Europa utiliza-se diretamente o trigo para a produção de etanol.

De acordo com o analista do mercado de trigo da Consultoria Safras, Elcio Bento, a safra mundial de junho de 2006 a maio de 2007 teve um dos maiores preços médios da história. Segundo ele, a produção de 2007/2007 foi menor do que a do ano anterior. No ano agrícola que termina este mês, a produção mundial foi de 594 milhões de toneladas, ante os 621 milhões registrados no ano anterior. A queda fez com que ficasse 27 milhões abaixo do consumo mundial. Este déficit de produção levou a queda nos estoques finais, de 148 milhões de toneladas para 121 milhões, este ano.

A redução de produção de trigo teve como principal fator problemas climáticos, principalmente na Austrália, cuja produção caiu de 26 milhões de toneladas ao ano para 10 milhões. "Mesmo com o ajuste da produção, a demanda deve permanecer alta pela tendência de elevação do consumo por biocombustível. O aumento da oferta será pequeno em relação ao aumento do consumo. Os preços médios, no Brasil, deverão manter-se elevados", diz Bento.

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