Negócios

Fibria disputará leilões de portos para celulose

A empresa exporta cerca de 90% de sua produção de 5,2 milhões de toneladas de celulose em 2013. Do total exportado, de 30% a 35% são escoados por Santos a partir das unidades de Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS). O restante - fábrica Aracruz (ES) e 50% d

Agência Estado
11/02/2014 11:53
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A Fibria vai jogar pesado na disputa por terminais portuários voltados para celulose que deverão ser colocados a leilão no porto de Santos (SP). Os leilões, que estavam previstos para o fim do ano passado, foram postergados após relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontar falhas nos estudos apresentados pela União. "Olhamos (os leilões) com apetite. Vai ser bem disputado e a Fibria vai procurar defender sua posição porque não é um negócio para a companhia. É a sobrevivência do negócio", afirmou Marcelo Castelli, presidente da maior produtora de celulose do mundo.

A empresa exporta cerca de 90% de sua produção de 5,2 milhões de toneladas de celulose em 2013. Do total exportado, de 30% a 35% são escoados por Santos a partir das unidades de Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS). O restante - fábrica Aracruz (ES) e 50% da produção da Veracel, joint venture com a Stora Enso - é escoado pela Portocel, porto dedicado exclusivamente à celulose, do qual a Fibria detém 51% e a Cenibra, 49%.

Em Santos, a companhia tem a concessão de três armazéns (13, 14 e 15), que vence em 2017, além de operar, por meio de um contrato, o terminal 31.

Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), das nove áreas previstas para leilão em Santos, duas serão dedicadas à celulose. Hoje, não há uma área exclusiva para a matéria-prima, que é escoada nos terminais de cargas gerais.

"Vamos competir sozinhos. Mas se outros ganharem, existe oportunidade no futuro de fazer associação", disse Castelli. Outros grupos, não necessariamente produtores da matéria-prima, estão interessados nesses terminais. É o caso da Cosan. "Podemos ter um terminal de bandeira branca (que presta serviço para outras empresas)", disse Júlio Fontana, presidente da Cosan Logística.


Navios

Com receita líquida de R$ 6,9 bilhões em 2013, a Fibria também está negociando a contratação (espécie de leasing) de 15 navios para exportar celulose. Em 2010, a companhia fechou quatro contratos com a sul-coreana Pan Ocean (antiga STX), pelo prazo de 25 anos, para a construção de 20 navios. A empresa asiática, que passa por reestruturação financeira, entregou cinco, dos quais quatro estão já dedicados ao transporte de celulose. Outra unidade deverá ser entregue nas próximas semanas. "Revisamos nosso contrato com eles e ficamos só com cinco. Estamos em negociações para outros 15 navios e estamos em conversas com outras empresas". Cada navio foi negociado a US$ 50 milhões, segundo fontes.

Resultado da união da Aracruz e VCP, a Fibria começou a operar como empresa independente em setembro de 2009. "Nascemos com nível de endividamento bem elevado (em boa parte por conta da perda com derivativos da Aracruz). Após quatro anos, isso é página virada", afirmou Castelli.

Neste ano, a empresa deverá submeter ao conselho importantes investimentos - a ampliação do complexo de Três Lagoas (MS), que poderá ter aportes de R$ 6 bilhões, e no Portocel, cujo modelo de expansão ainda está em discussão com a Cenibra. "Estamos em fase de refinamento do projeto e devemos apresentar ao conselho a decisão de investir ou não na ampliação em Três Lagoas até o fim deste semestre".

O grupo também deverá aumentar de 6% para 9% sua participação na Ensyn, empresa canadense voltada para bioprodutos. "Temos disciplina financeira e queremos retomar o nosso investment grade".

No inicio do ano, o grupo concluiu operação de venda de 206 mil hectares de terras para o fundo Parkia, em uma operação que pode chegar a R$ 1,6 bilhão.
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