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Fibria e Cenibra contratam estudo para dobrar Portocel

Segundo um executivo da Cenibra, a expansão do terminal permitirá a atracação de navios de maior calado, que são tendência na indústria de celulose, e poderá trazer novas receitas para a companhia. A própria Fibria também já

Valor Econômico
17/01/2013 15:28
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A Fibria e a Cenibra, sócias no Portocel, terminal especializado em celulose localizado em Barra do Riacho (ES) - com participações de 51% e 49%, respectivamente -, contrataram uma consultoria para atualizar o estudo de viabilidade da duplicação do porto, projeto que deve exigir investimentos de R$ 480 milhões. A expectativa é a de que o estudo fique pronto em dois ou três meses e seja, então, encaminhado para o aval dos acionistas das empresas.

"Com o estudo em mãos, vamos encaminhar o projeto a nossos acionistas no Japão e tomar uma decisão", disse ao 'Valor' Alfredo Octávio de Mavignier Neto, gerente do departamento comercial e movimentação da Cenibra. Procurada, a Fibria não se pronunciou sobre o assunto por estar em período de silêncio.

Segundo o executivo da Cenibra, a expansão do terminal permitirá a atracação de navios de maior calado, que são tendência na indústria de celulose, e poderá trazer novas receitas para a companhia. A própria Fibria também já admitiu, no passado, que o Portocel poderia se transformar em um novo negócio.

Controlada por um consórcio de empresas japonesas liderado pela Oji Paper, uma das maiores produtoras mundiais de papéis térmicos, a Cenibra utiliza o Portocel para escoar a produção de celulose da fábrica de Belo Oriente (MG) para o mercado externo. O mesmo é feito pela Fibria e empresas que não participam da composição acionária do terminal, como Suzano Papel e Celulose e Veracel (joint venture entre a Fibria e a sueco-finlandesa Stora Enso).

O terminal é usado ainda para escoamento de cargas de fio-máquina da ArcelorMittal. Com a expansão, a proposta é diversificar os tipos de carga que saem do terminal, desde que compatíveis com a celulose. Anualmente, passam pelo porto cerca de 6 milhões de toneladas da matéria-prima, o equivalente a mais de 60% das exportações brasileiras da fibra.

A expansão do Portocel pode contemplar a implantação de um quarto berço de atracação - hoje são três, com capacidade que pode chegar a 7,5 milhões de toneladas - e a construção de um novo terminal, com quatro berços de atracação e capacidade anual de 8 milhões de toneladas.

A Fibria anunciou no ano passado os planos para o Portocel, porém não divulgou prazos. À época, a companhia informou que as sócias poderão receber um novo parceiro no projeto. Esse parceiro poderia ter perfil de operador logístico, por exemplo.

Em relação aos preços da celulose, o executivo da Cenibra disse que o aumento de US$ 20 a US$ 30 por tonelada anunciado no fim do ano passado está sendo aplicado pelos produtores sem dificuldade. "Os preços têm subido relativamente bem e os reajustes estão sendo implementados normalmente", afirmou. "Mas há expectativa de resistência maior por parte dos clientes a partir da normalização dos embarques da Eldorado [Brasil]".

Dona da maior linha única de produção de celulose de eucalipto do mundo neste momento, a Eldorado colocou sua primeira unidade fabril em operação em novembro e prevê produzir 1,3 milhão de toneladas neste ano. No mercado, havia expectativa de que o primeiro embarque da companhia, controlada pela J&F Investimentos, dona da JBS, ocorresse ainda em dezembro. Contudo, a primeira carga, de 2,5 mil toneladas de celulose, foi exportada aos Estados Unidos na semana passada. "Esse é o tipo de notícia que tem efeito psicológico e acabou por sustentar os preços no curto prazo", explicou Mavignier Neto.

A partir de meados do ano, contudo, quando os embarques da Eldorado já assumirem um ritmo normalizado, o cenário deve mudar para os produtores. Até lá, na avaliação do executivo, as cotações atuais, que já consideram o aumento a partir de 1º de janeiro, deverão se manter. Hoje, a tonelada de fibra curta é negociada a US$ 800 na Europa, US$ 850 na América do Norte e US$ 700 na Ásia.
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