Offshore

Fornecedores de refeição coletiva investem para atender pré-sal

Valor Econômico
24/09/2010 10:40
Visualizações: 1853
Servir refeições frescas e saudáveis em plataformas petroleiras e navios na área do pré-sal, a 300 km da costa, é uma operação complexa. Não dá para mandar buscar um ingrediente hoje para o almoço de amanhã - além de o armazém mais próximo estar a 48 horas de barco, o abastecimento é feito apenas uma vez por semana.
 

Os alimentos seguem frescos, embalados a vácuo ou congelados em contêineres com compartimentos de diferentes temperaturas, controladas eletronicamente. É preciso ter duas equipes idênticas que se revezam. Cada grupo trabalha 14 dias e folga outros 14. Como os funcionários são transportados de helicóptero, se o tempo fecha, a troca de turno é adiada e pagam-se horas-extras.
 

A despeito disso, ninguém quer ficar de fora. A paulista Nutrin acaba de estrear no segmento com a compra, este mês, de 51% da Elasa, que atende cinco plataformas da Petrobras em Macaé, no Rio de Janeiro e pertence ao grupo mineiro Alimenta. Ao mesmo tempo, as quatro maiores empresas do setor de refeições coletivas no Brasil, que já operam nesse nicho, se movimentam para ampliar operações. A GRSA está investindo R$ 1,5 milhão em um centro de armazenagem também em Macaé e a Gran Sapore planeja aquisições. A Puras e a Sodexo esperam expansão de até 30% na receita da área.
 

"O pré-sal muda a história do segmento", diz Renato Melo, gerente-executivo regional de "offshore" (jargão para o serviço em alto-mar) da Puras. "Há uma expectativa de crescimento muito grande". A empresa gaúcha, que projeta um faturamento total de R$ 1,2 bilhão este ano, é uma das pioneiras na área entre as grandes do setor. Começou em 2003 e hoje seu centro de distribuição (CD) em Macaé, de onde saem os produtos usados nas plataformas, é o maior dos dez da companhia no país. São 24 unidades marítimas atendidas no litoral do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de Santa Catarina, operadas pela Petrobras e por companhias estrangeiras, como a norueguesa StatoilHidro.
 

A área vinha crescendo de 15% a 20% ao ano na Puras e o ritmo deve ser acelerado daqui para frente. "Compramos mais contêineres, temos novos contratos em análise e acredito que até 2015 vamos atingir a capacidade de nosso CD, para atender até 40 plataformas. Aí teremos de fazer parcerias ou investir mais", diz Melo, que começou nesse nicho há 25 anos, numa empresa regional, e está na Puras há 5. A experiência conta, uma vez que o segmento "offshore" tem peculiaridades que o diferenciam do atendimento corporativo em terra. É chamado de "hotelaria marítima": além das refeições o fornecedor fica responsável por serviços de limpeza, conservação, lavanderia e até por opções de entretenimento, como sessões de cinema.
 

Justamente para adquirir esse know-how, a Nutrin decidiu entrar nesse mercado via aquisição. Segundo o presidente da companhia, Aderbal Nogueira, foram investidos R$ 2,5 milhões na compra da fatia majoritária da Elasa. "Queremos entender mais da operação e, no futuro, temos intenção de comprar os outros 49%", afirma. O negócio vai adicionar R$ 13 milhões ao faturamento da Nutrin, que deve atingir R$ 200 milhões.
 

A área promete mais movimentações. A Gran Sapore pretende mais que triplicar o faturamento obtido com esse segmento, de R$ 12 milhões com o atendimento a três embarcações, para R$ 40 milhões em 2011, e estuda aquisições de concorrentes menores. "Temos algumas empresas em vista. É uma forma de acelerar o crescimento nesse segmento", diz Fabio de Medeiros, diretor comercial da companhia que este ano projeta receita total de R$ 900 milhões. "As grandes operações no pré-sal devem começar no ano que vem", acrescenta.
 

É para se preparar para esse novo boom que a GRSA investe num centro de armazenagem em Macaé, que deve ficar pronto em dois meses. A empresa vem trabalhando com um operador terceirizado para o abastecer seus cinco "restaurantes flutuantes". "O pré-sal traz mais operadores [do setor de petróleo] para a região e ter uma base fixa otimiza nossas oportunidades", diz Eurico Varela, presidente da GRSA, do grupo inglês Compass, que atua nessa área em regiões como Alasca, Golfo do México, Índia e Austrália.
 

O fato de ser uma multinacional pode ajudar na conquista de clientes que já contratam os serviços no exterior e estão sendo atraídos pelas descobertas no litoral brasileiro. A francesa Sodexo também se beneficia dessa característica. Há dois anos, a filial brasileira passou a atender a norueguesa Seadrill, como parte de um contrato global. Montou uma sede logística, mandou funcionários para treinamento no Golfo do México e em Cingapura e hoje fornece para oito unidades marítimas no Rio e no Espírito Santo. Este ano, prevê alta de 25% a 30% na receita do segmento.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
ESG
Inscrições abertas até 26/2 para o seminário Obrigações ...
20/02/26
Pessoas
Paulo Alvarenga é nomeado CEO da TKMS Brazil
19/02/26
Subsea
Priner expande atuação no offshore com lançamento de sol...
13/02/26
Firjan
Recorde no petróleo sustenta crescimento da indústria do...
13/02/26
E&P
Tecnologia brasileira redefine a produção em campos madu...
13/02/26
Bahia Oil & Gas Energy
Produção em campos terrestres de petróleo e gás deve cre...
12/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
Resultado
Com 2,99 milhões boed, produção de petróleo e gás da Pet...
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Oferta Permanente
Manifestação conjunta abrangente e inédita agiliza inclu...
12/02/26
Biometano
Biometano em foco com debate sobre crédito, regulação e ...
12/02/26
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
Pessoas
Mauricio Fernandes Teixeira é o novo vice-presidente exe...
06/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.