Negócios

Gerdau integrará núcleo de gestão governamental

Valor Econômico
03/12/2010 08:44
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Cotado inicialmente para ser ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Gerdau, que no governo Lula também recusou integrar o ministério, revelou a interlocutores próximos que não exercerá qualquer função executiva no governo e que a ideia é colaborar, com a experiência acumulada no comando do Movimento Brasil Competitivo (MBC), para uma maior agilidade na máquina pública. "Precisamos oferecer o máximo de qualidade nos serviços prestados à população", disse ele, após reunião na manhã de ontem com a presidente eleita, Dilma Rousseff.


O Valor apurou que a intenção é fazer um trabalho, inicialmente, em parceria com o Ministério do Planejamento, que será comandado por Miriam Belchior a partir de janeiro. O secretário-executivo do Ministério do Planejamento será Valter Correia da Silva, atual secretário de administração e modernização administrativa da Prefeitura de São Bernardo do Campo. Miriam já acertou a liberação do secretário com o prefeito do município, Luiz Marinho. Correia é homem de confiança de Gerdau, de Marinho, de Miriam e da presidente eleita, Dilma Rousseff.
 

O Movimento Brasil Competitivo, composto por técnicos especializados em diversos setores, já faz um trabalho de acompanhamento e consultoria em dez estados. Nesses casos, é firmado um contrato entre os técnicos e consultores com as administrações estaduais e são promovidas auditorias e sugestões de cortes de gastos. Segundo Gerdau, o trabalho do grupo é fazer "aprimoramento e tecnologia de gestão". O modelo combina com o discurso feito pela futura ministra Miriam Belchior no dia do seu anúncio oficial de que "é possível fazer mais com menos".


Na conversa que teve ontem com Dilma, Gerdau e a presidente discutiram como modelo de atuação o que é feito hoje no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa do qual Miriam é a grande gestora. "Queremos estender esse perfil a todas as áreas estratégicas do governo, como obras, educação e saúde", declarou Gerdau.


Integrantes da equipe de transição lembraram que, na quarta-feira, Dilma reuniu-se com representantes do setor de saúde e, mais do que o subfinanciamento, ficou atenta aos problemas de gestão levantados pelos próprios integrantes do setor. Gerdau tem um trabalho de eficiência na área em um Hospital Modelo no Rio Grande do Sul. E também é parceiro de Vicente Falcone, responsável pela implantação do "choque de gestão" promovido pelos tucanos Aécio Neves e Antonio Anastasia no governo de Minas.


Pessoas que acompanham as conversas não quiseram afirmar se outros nomes poderão ser convidados para integrar esse núcleo de gestão governamental. Asseguraram, no entanto, que o núcleo não tem qualquer objetivo de esvaziar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que continuará tendo o mesmo papel de debater as grandes questões nacionais. E que na reunião temática sobre erradicação da miséria, promovida pela transição há duas semanas, também surgiu a proposta de criação de um grupo específico para tratar desse tema.


A presidente eleita não vai mais à cúpula ibero-americana, que acontece hoje e amanhã em Mar Del Plata, na Argentina. Ela preferiu permanecer no Brasil para prosseguir as negociações para a composição do Ministério. A previsão é que hoje sejam anunciados novos nomes da equipe, principalmente aqueles considerados do núcleo do governo - ou ministros palacianos: Antonio Palocci na Casa Civil, Gilberto Carvalho na Secretaria-Geral e Alexandre Padilha na Secretaria de Relações Institucionais. O atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, irá mesmo ter um cargo no Palácio do Planalto, mas não deve ser em nível ministerial. Está cotado, no entanto, para trabalhar ao lado da presidente, participando de reuniões diariamente, com voz em questões da política econômica.


Um ministro próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao Valor que após a definição dos ministros palacianos, o próximo passo será anunciar o nome dos chamados ministros de Estado: Defesa (Nelson Jobim), Relações Exteriores (Antonio Patriota) e Justiça (José Eduardo Cardozo). O passo seguinte seria anunciar o nome dos ministros indicados pelos partidos políticos.


Negociadores que acompanham de perto as articulações para a formação do futuro governo afirmaram, no entanto, que não será surpresa se o anúncio de hoje incluir dois nomes do PMDB: Edison Lobão (Minas e Energia) e Wagner Rossi (Agricultura). Ambos estão praticamente certos - Lobão, inclusive, reuniu-se duas vezes ontem com Dilma na Granja do Torto,


Isso serviria para conter os ânimos do PMDB, incomodado pelo fato de não ter nenhum nome da legenda confirmado no primeiro escalão ministerial. Lobão seria o primeiro dos dois nomes a serem indicados pelos senadores pemedebistas. Rossi entraria na cota pessoal do vice-presidente eleito, Michel Temer.


Ontem, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, confirmou que está fora da equipe de transição de Dilma Rousseff. Ele disse que sua missão foi cumprida após a primeira rodada de negociações com os partidos aliados. "Com a definição de que eu vou permanecer no PT, as negociações para a formação do futuro governo serão feitas pelos ministros que a presidente Dilma indicar", declarou Dutra, após reunião no Senado Federal.
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