Petroquímica

Grupo Suzano deseja liderar consolidação dos ativos do Sudeste

Valor Econômico
06/05/2005 00:00
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O desfecho da venda da Basell, a gigante petroquímica comprada ontem por um consórcio russo-indiano, pode acelerar os planos do grupo Suzano. A empresa petroquímica controlada pela família Feffer deseja liderar a consolidação dos ativos do setor espalhados nos Estados do Sudeste.
A intenção do grupo é reunir as fabricantes de resinas termoplásticas - usadas pela indústria plástica - na Suzano Petroquímica, que abrigaria Polibrasil, a joint-venture entre Suzano e Basell, produtora de polipropileno, e a Rio Polímeros (Riopol), empresa de pólo gás-químico e fabricante de polietileno, que entra em operação na metade deste ano, no Rio de Janeiro.
A nova Suzano teria interesse em atrair a parceira da Petrobras, sócia na Riopol, em um arranjo similar ao que está sendo montado pela estatal com a Braskem, a maior empresa do setor. O plano é fazer com que BNDES e Unipar troquem suas participações na Riopol por ações da Suzano Petroquímica. A nova empresa alcançaria receitas estimadas em R$ 3 bilhões por ano, atrás apenas da petroquímica controlada pela Odebrecht.
"Queremos ser o segundo player do setor", diz João Pinheiro Nogueira Batista, vice-presidente executivo do grupo. "Para isso, temos o interesse em consolidar os ativos de segunda geração no Sudeste."
A Petrobras deu um forte impulso à intenção dos grupos privados em formar parcerias ao refazer, na sexta-feira, os termos de sua opção de aumentar sua fatia no capital da Braskem. A estatal decidiu deter uma posição relevante como minoritária na empresa do grupo Odebrecht sem deixar de participar de outras empresas.
"Somos a favor da formação de um segundo grupo petroquímico, que pode envolver os ativos do Sudeste, e acreditamos que alguém tenha de liderar o processo", disse José Carlos Grubisich, presidente da Braskem, que domina o pólo Nordeste e co-controla o do Sul.
A venda da Basell foi anunciada ontem pelos controladores Basf e Shell. A companhia, uma das maiores fabricantes de resinas, foi vendida por 4,4 bilhões de euros mais dívidas para o grupo Access, sediado nos EUA, e controlado pelo magnata russo do petróleo Len Blavatnik, que se associou ao grupo indiano Chatterjee.
Encerrada a incerteza quanto aos novos controladores da Basell, a Suzano pretende conversar com os novos donos para saber dos interesses do grupo em relação ao seu ativo no Brasil. A Polibrasil, que faturou R$ 2,37 bilhões em 2004, é uma joint-venture em partes iguais, criada em 1978.
A posição a ser tomada pelos novos controladores da Basell na Polibrasil é que definirá o tamanho do grupo Suzano na nova empresa. Caso assuma a parte da Basell, a Suzano elevaria sua receita, na nova composição, para mais de R$ 4 bilhões, além de deixar numa posição favorável na modelagem acionária da nova empresa. Mas, mesmo que os novos donos optem por continuar com a fatia de 50% da Polibrasil, a Suzano pretende convencê-los a se tornarem sócios da Suzano Petroquímica, levando adiante seu desenho para o setor.
Na Riopol, onde a Suzano possui 33% do controle em igual número de ações do grupo Unipar, a expectativa é que a empresa gere, ao longo de 12 meses, receita ao redor de R$ 1 bilhão.
Uma segunda fase da consolidação do Sudeste pode envolver a Petroquímica União (PQU), a central de matérias-primas de São Paulo, cujo principal controlador é a Unipar, com 37,2% do capital. Neste caso, a união de ativos passaria pela reorganização das participações acionárias hoje detidas por Dow (13%), Ultra (1,9%), Unigel (1,9%) e pela própria Polibrasil (6,8%).

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