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IBP discute os impactos da tecnologia e inovação no futuro do setor de energia

Workshop Cenário Futuros, em parceria com a BIP Consulting, reuniu operadoras, prestadoras de serviço e academia em debates sobre inovação aberta, transição energética e conectividade.

Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
14/08/2026 09:42
IBP discute os impactos da tecnologia e inovação no futuro do setor de energia Imagem: Divulgação IBP Visualizações: 104

O iUP, hub de inovação do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), em parceria com a consultoria BIP Consulting, promoveu nesta quarta-feira (12/8), na sede do IBP no Rio de Janeiro, debates com lideranças da indústria, executivos, especialistas e acadêmicos sobre os rumos estratégicos do setor para o horizonte de 2040.

As reflexões discutidas no Workshop Cenários Futuros: Tecnologia para transformar o futuro da energia sobre inovação aberta, inteligência artificial, transição regulatória, e as complexidades operacionais e de infraestrutura farão parte de um estudo do IBP e da BIP que será divulgado durante a ROG.e 2026, que ocorrerá em setembro.

Melissa Fernandez (foto), gerente de inovação e tecnologia do IBP, ressaltou na abertura do encontro o papel agregador do ecossistema de inovação, mostrando que o iUP conecta 15 empresas e mais de 20 startups para impulsionar novos projetos. Melissa destacou o impacto do programa de empreendedorismo da ANP, gerido pelo IBP, como uma jornada transformadora. "Trata-se de um projeto robusto de mais de R$ 30 milhões investidos em 21 startups e sete centros de pesquisa para acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras no setor"..

A construção de ferramentas estratégicas foi endossada por Pedro Souza, líder de óleo e gás da Bip Brasil, reforçando a importância de criar condições para que as novas tecnologias produzam resultados concretos. "O desafio para 2040 não é simplesmente incorporar novas tecnologias, mas construir as condições para que inovação, infraestrutura, pessoas e novos modelos de operação se traduzam em eficiência e competitividade para o setor", afirmou.

A formação profissional foi apontada como um dos desafios urgentes para viabilizar qualquer um dos cenários tecnológicos projetados. Arthur Melo de Almeida, líder de P&D na PRIO, destacou que a evolução tecnológica exigirá um foco na formação de pessoas e na agilidade do ecossistema. Essa aproximação da academia com a indústria foi ratificada por Marysilvia Costa, professora da COPPE/UFRJ. "Precisamos de parcerias com as empresas e enfrentamos os desafios para manter o setor atrativo entre os jovens, o que exige ações conjuntas para engajar e atrair novos estudantes para essas carreiras".

Para viabilizar essas parcerias, Cristiane Moura, especialista da BIP Consulting, defendeu que a governança da inovação deve ir além de relações comerciais convencionais, utilizando o mapeamento de tendências para encontrar parceiros acadêmicos e startups sob medida para temas específicos. "Uma colaboração de sucesso parte do entendimento detalhado das velocidades e dos ganhos mútuos de cada parceiro, integrando a inovação dentro de casa com a inovação aberta".

Já Carnelutti Spinelli, especialista em relacionamento com o ecossistema de inovação e P&D da Axia, compartilhou as iniciativas da companhia no estreitamento de laços com equipes acadêmicas, como o projeto Lab Spark. "Essas iniciativas nos ajudam a avaliar competências técnicas sob demandas aceleradas e aproximar o conhecimento de bancada das reais necessidades do mercado". Para Rafael Nasser, professor da PUC-Rio, "o grande desafio é conectar as duas dinâmicas (financeira e tecnológica) sem simplificar a complexidade inerente de mundos que operam sobre bases tão diferentes, desenhando caminhos de diálogo contínuo para reter e capacitar pesquisadores e empreendedores".

Na ótica do desenvolvimento de infraestrutura, Rodrigo Chamusca, gerente executivo de negócios digitais, tecnologia e inovação na Ocyan, descreveu o dilema de operar ativos legados concebidos para outra realidade energética. "Precisamos entender até quando um ativo existente faz sentido e desenhar novos projetos com flexibilidade para adotar tecnologias que ainda nem conhecemos hoje, sem abrir mão da segurança e competitividade operacionais". Já Ulysses Machado, gerente de inovação na Transpetro, usou o exemplo real da eletrificação de navios atracados em terminais para ilustrar esses entraves. "Para viabilizar a eletrificação de um navio no porto, precisamos de cargas elétricas imensas, de cerca de 20 MW, o que expõe limitações de infraestrutura física e gargalos regulatórios"

Além da infraestrutura de grande porte, o desenvolvimento de novos materiais se mostra um pilar de resiliência. Caio Bonini, gerente de projetos da SBM Offshore, apresentou os avanços da indústria no combate à corrosão e na substituição de materiais tradicionais em plataformas. "Nossas linhas de pesquisa têm buscado materiais alternativos de alto desempenho, como revestimentos avançados para aço e o uso de concreto de ultra alta performance, projetando estruturas mais leves, duráveis e eficientes".

No campo da digitalização, Leonardo Montalvão, CEO da Geowellex, reforçou a máxima de que "os dados são o novo petróleo do setor, detalhando como o monitoramento em tempo real de poços em perfuração garante o sucesso operacional e viabiliza até mesmo estratégias ambientais reversas, como a injeção de CO2 em reservatórios". Luiz Mello, diretor da UN Energia/Brasil da Radix, explicou que o envelhecimento de sistemas de controle obsoletos das décadas de 80 e 90 exige modernização urgente antes de qualquer inserção de IA. "A alta latência, o imenso volume de dados gerado no mar e a segurança das operações exigem que o processamento inteligente seja feito de forma embarcada, diretamente no FPSO ou em plantas isoladas, e não na nuvem distante", exemplificou. Para Marcio Veronesi, Head Brasil da Nokia, a maior barreira para a plena digitalização até 2040 é cultural. "A tecnologia existe, mas a resistência de usuários acostumados a processos legados exige das lideranças um esforço imenso em gestão de processos, treinamento e mudança de cultura operacional".

Inovação e regulação para o desenvolvimento do setor

Pela perspectiva regulatória, José Carlos Tigre, assessor técnico da ANP, explicou que há esforços para direcionar e otimizar os investimentos, com mecanismos mais colaborativos. "Criamos uma espécie de fundo em que as empresas interessadas colocam recursos, e esse recurso passa a ser para um desenvolvimento de desafios tecnológicos do setor como um todo". Ainda sobre o fomento à inovação, Alexandre Tauvy, estrategista de transformação de negócios da ABGI, criticou a complexidade dos instrumentos atuais. "Nós temos vários instrumentos no Brasil, porém as [startups] não conseguem acessar essas ferramentas porque esses instrumentos pedem tantas premissas, além da questão custo", que não tem jeito de uma startup fazer tudo sozinha", argumentou.

Para destravar essas inovações, novos modelos jurídicos tornam-se essenciais, na análise de Felipe Feres, sócio do Mattos Filho Advogados. "Defendemos o uso da experimentação. Vem uma tecnologia nova, a ANP autoriza esse projeto ainda sem regulação específica e a regulação surge a partir daquele caso prático".

O uso da computação acelerada também foi pontuado com desafio a ser tratado. Wagner Arnaut, CTO da IBM, enfatizou os impactos iminentes da computação quântica. "O que é mais urgente hoje é a questão da perspectiva da segurança, então é fundamental começar a preparar as minhas equipes". Sobre o desenvolvimento e adoção de Inteligência Artificial, Guilherme Veloso, gerente do centro de inovação da SLB, criticou provas de conceito que não são projetadas para escalar. "Muitas vezes o projeto piloto, no fundo, não é nada mais do que uma demonstração da tecnologia. Se você quer desenhar o seu piloto, você tem que começar pensando primeiro na industrialização dele".

Sustentar a revolução tecnológica exige, no entanto, uma infraestrutura física robusta. Carlos Eduardo Xavier, Chief Sales Officer da Takoda, apontou as novas demandas dos data centers. "Estamos falando de ter menos computadores com uma capacidade de processamento infinitamente maior, que demandam uma densidade muito maior para um espaço menor". Do lado das aplicações e armazenamento em nuvem, André Machado, executivo do Google, destacou como a acessibilidade mudou. "Hoje, para subir um [data lake] que subiu uma base de dados, você não precisa de mais tempo, não precisa mais servidor, né? Basta apertar um botão e você já tem a capacidade. Acredito que a padronização de dados é fundamental para podermos escalar".

O último painel do dia abordou as reformulações no uso dos Gêmeos Digitais. Duperron Ribeiro, CEO da PhDsoft, traçou um panorama da programação, prevendo que, "no futuro o código vai ser produzido 100% ainda para as inteligências [artificiais] sem revisão. Vejo que a grande dificuldade dessa evolução tecnológica não é a tecnologia, mas a questão maior é a resistência do ser humano". A adoção de novas tecnologias na realidade operacional, como no pré-sal, também exige adaptações nos perfis profissionais. Bruno Porto, gerente setorial de soluções digitais e analíticas da Petrobras, afirmou que "a carga de trabalho manual tem que ser reduzida, enquanto a quantidade de dados gerados por essas novas tecnologias cria um aumento na demanda pela carga de trabalho cognitiva". Por fim, Rodrigo Ferraz, head de desenvolvimento de mercado da FutureON, apontou que o maior desafio atual está na implementação de gêmeos digitais e na gestão de dados operacionais. "Você só vai conseguir chegar lá uma vez que você tiver integrado os sistemas de domínio específico a uma camada de contextualização para aplicar modelos de Inteligência Artificial".

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