Gás natural

Impasse na Bolívia pode comprometer setor energético brasileiro em 2008

Repsol aguarda aprovação da nova lei de hidrocarbonetos no país vizinho para investir US$ 1,5 bilhão nos próximos três anos. Também estão em compasso de espera outros US$ 1,5 bilhão a serem desembolsados pelas demais operadoras.


05/04/2005 00:00
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Cerca de US$ 1,5 bilhão em investimentos da Repsol YPF em gás natural aguardam a definição da Bolívia sobre a nova lei de hidrocarbonetos do país, atualmente em votação no Congresso e motivo de uma séria crise política. Segundo o superintendente de comercialização de gás da Repsol, Marco Aurélio Tavares, se o formato definitivo da nova legislação for o aprovado pela Câmara boliviana no mês passado, o Brasil poderá enfrentar um déficit potencial de 30 milhões de metros cúbicos diários de gás natural a partir de 2008.
A situação atual, observou o executivo, pode representar uma grave ameaça ao abastecimento de energia do Brasil e também mantém em compasso de espera outros US$ 1,5 bilhão das demais empresas que atuam na Bolívia. A Repsol é a maior produtora de gás natural do país vizinho e tem investidos no país US$ 1,2 bilhão. Os US$ 1,5 bilhão em investimentos da empresa nos próximos três anos serão destinados ao aumento da produção local, à ampliação do gasoduto Brasil-Bolívia e a obras de transporte de gás para a Argentina.
Apesar da possibilidade de um cenário sombrio, Marco Aurélio Tavares fez questão de demonstrar otimismo com os desdobramentos da votação da nova lei boliviana de hidrocarbonetos. Pela versão aprovada pelos deputados bolivianos, as empresas produtoras de gás pagariam, além dos 18% em royalties e participações, mais 32% de referente a um novo imposto, o que aumentaria os encargos para 50%. O projeto obriga ainda a migração das atuais concessões para as novas regras.
"É um projeto que foi aprovado apenas pela Câmara e que ainda depende de votação no Senado. Estamos otimistas de que a Bolívia decidirá de maneira construtiva sobre a questão", afirmou Tavares após participar do seminário Petróleo e Gás no Brasi: A Hora de Crescer, promovido pela Fundação Getúlio Vargas e pelo jornal Valor Econômico.
Durante a abertura do evento, o secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer, também demonstrou otimismo de que o governo federal aprove o projeto da planta de processamento de Gás Natural Liquefeito (GNL), que poderia ser instalada no terminal Tebig, em Angra, ou no Porto de Sepetiba.
O projeto prevê a exportação de gás natural produzido pelo bloco BS-400 localizado no campo de Mexilhão, na Bacia de Santos. De acordo com a proposta, apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil venderia a mesma quantidade de gás importada pela Bolívia. Segundo Victer, entre as empresas interessadas pelo projeto estão a Shell e a norueguesa Statoil.
"O mercado americano é hoje comprador de liquefeito. Alguns outros países estão fazendo seus projetos. A Noruega, por meio da Statoil, está fazendo o seu projeto para transportar gás para o mercado americano. Tem uma série de empresas interessadas em fazer esse investimento no Brasil. Shell, British Gas, Repsol e a própria Statoil demonstraram interesse. Essas empresas têm possibilidade de colocação desse gás no mercado internacional", disse o secretário.
Victer disse ainda que a operação pode ser até lucrativa, uma vez que os Estados Unidos pagam US$ 6 por milhão de BTU de gás, enquanto o Brasil desembolsa US$ 2 pelo gás comprado da Bolívia.
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