Energia

Índios impedem o funcionamento da hidrelétrica Dardanelos

Agência Estado
18/07/2011 12:30
Visualizações: 503
Localizada no município de Aripuanã (MT), a hidrelétrica de Dardanelos, uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), se transformou em instrumento de barganha importante para duas tribos indígenas da região negociarem uma série de benesses com a empresa responsável pela usina e os governos estadual e municipal.

Apesar de estar pronta desde janeiro, a usina, que vai gerar eletricidade suficiente para atender uma cidade de 500 mil habitantes, só deve começar a operar, no melhor dos cenários, a partir de agosto.

Questões judiciais e problemas na construção da linha de transmissão, que permitirá ligar a usina ao sistema elétrico nacional, são algumas das razões por trás do atraso de mais de um ano do início efetivo da operação da hidrelétrica. Mas os índios cinta larga e arara também têm uma contribuição. Integrantes das duas tribos já promoveram várias invasões à usina para reivindicar compensações que deveriam ser pagas por causa do impacto ambiental que o empreendimento causou na região.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), não há muito o que fazer porque o termo de compromisso, que normalmente é assinado por índios, governo e empresa para criação de programas de compensação na construção de hidrelétricas, no caso de Dardanelos, não foi formalizado.

Ocupando espaço

Diante do vácuo legal, os índios usam as invasões para conseguir o que querem. Em julho do ano passado, por exemplo, os cinta larga e arara ocuparam a usina e só deixaram o local depois de acertarem o recebimento de oito caminhonetes com tração nas quatro rodas, equipadas com rádios amadores, além de oito barcos de alumínio com motores.

Também ficou acertado que seriam construídas duas casas de alvenaria de 120 metros quadrados cada uma, que servirão de sede para a associação das tribos. "Mas isso é apenas um paliativo. Não há um termo de compromisso definitivo assinado. Por isso, as demandas dos índios só aumentam", afirmou uma representante da Funai, que preferiu não se identificar.

No mês passado, os índios voltaram a invadir a usina. Dessa vez, desapareceram os computadores que seriam utilizados para os últimos testes da hidrelétrica. Para completar, os representantes das duas tribos fizeram um pedido inusitado: querem uma participação de 5% no faturamento da empresa, que ainda nem opera comercialmente. O impasse entre índios, empresa e governo local já foi comunicado ao grupo de acompanhamento do PAC. Mas nada foi resolvido até o momento.

Sem aviso

A hidrelétrica Dardanelos começou a ser construída pela empresa energética Águas da Pedra, controlada pela Neoenergia, em setembro de 2007 sem previsão de compensações para os índios, que vivem nas proximidades do empreendimento.

A Funai alega que só entrou no processo para intermediar os interesses indígenas em 2008, quando a licença ambiental para instalação já havia sido concedida. Essa é uma situação atípica. Normalmente, para que a licença seja liberada, esse tipo de compromisso já precisa estar oficializado.

Segundo a Funai, foi exigida da empresa a apresentação de um plano básico de meio ambiente, que atendesse os índios, o que só foi entregue no ano passado. Ajustes foram solicitados, mas, até o momento, a proposta corrigida não foi devolvida.

Sobre o plano básico ambiental indígena, o Ministério do Planejamento informou que a concessionária responsável pela linha de transmissão entregou à Funai o estudo concluído do componente indígena da usina em meados do mês passado. Procurada, a empresa responsável pela usina não se pronunciou.

Apesar de a Funai informar que o termo de compromisso definitivo de compensações não foi assinado, o governo do estado de Mato Grosso e a prefeitura de Aripuanã informaram que estão atendendo ao que foi combinado com os índios, como formação de professores arara e cinta larga, distribuição de material didático específico e pavimentação de estradas.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
PPSA
TotalEnergies e ExxonMobil arrematam cargas de Atapu e d...
31/07/26
SOG 2026
Sebrae Sergipe fortalece pequenos negócios e amplia cone...
31/07/26
SOG 2026
Eneva reforça compromisso com Sergipe e destaca expansão...
31/07/26
PPSA
PPSA espera realizar primeiro leilão de gás natural da U...
30/07/26
SOG 2026
Benel apresenta práticas de segurança e gestão de resídu...
30/07/26
SOG 2026
AZ-TECH apresenta soluções de engenharia industrial no S...
30/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 começa com foco em investimentos,...
30/07/26
SOG 2026
Diretora da Petrobras abre o Sergipe Oil & Gas com anál...
30/07/26
Firjan
Agrega + Indústria reúne entidades, empresas e governo p...
29/07/26
SOG 2026
ABPIP leva ao Sergipe Oil & Gas debate sobre o fortaleci...
28/07/26
GLP
Copa Energia reúne setor de GLP em ação nacional voltada...
27/07/26
Biodiesel
Volatilidade do petróleo reforça importância estratégica...
27/07/26
Fenasucro
ApexBrasil traz investidores internacionais de SAF e e-S...
27/07/26
Energia Elétrica
ENGIE contrata WEG para fornecimento de equipamentos da ...
27/07/26
Combustíveis
Etanol amplia perdas e encerra a semana pressionado
27/07/26
ANP
ANP aprova relatório de estudo sobre controle de queima ...
24/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 impulsiona inovação e investiment...
24/07/26
Gás Natural
ANP aprova participação no Pacto Nacional para o Desenvo...
24/07/26
Combustíveis
ANP aprova Avaliação de Resultado Regulatório sobre ativ...
24/07/26
Evento
BR Aviation apresenta seu portfólio de soluções personal...
23/07/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de maio foram d...
23/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.