COP30

Indústria brasileira de O&> atinge padrões de excelência na redução de emissão de metano

A indústria brasileira de O&> está alinhada ao Global Methane Pledge, com metas claras de redução de 30% até 2030, usando tecnologias de monitoramento de ponta e mostrando que a redução de metano é oportunidade de mitigação rápida e efetiva na agenda da transição energética.

Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
14/11/2025 10:59
Indústria brasileira de O&> atinge padrões de excelência na redução de emissão de metano Imagem: Divulgação Visualizações: 859

O setor de óleo e gás no Brasil demonstrou, em debate na COP30, estar na vanguarda do Global Methane Pledge, acordo firmado na COP26, em Glasgow, na Escócia, para reduzir as emissões de metano em 30% até 2030. Em painel realizado no Pavilhão Brasil, nesta quinta-feira, o IBP reuniu especialistas para debater como a indústria brasileira alcançou padrões de excelência, transformando a redução das emissões de metano em uma das oportunidades de mitigação mais rápidas e custo-efetivas da transição energética.

A discussão, mediada por Sylvie D'Apote, diretora executiva de Gás Natural do IBP, reforçou que o desafio global da redução das emissões de metano passa por medir melhor, compartilhar aprendizados e melhores práticas, e difundir tecnologias já disponíveis. "Ter levantamentos precisos, com acompanhamento ao longo do anos, sobre as emissões fugitivas é o primeiro passo para priorizar recursos e gerar impactos consistentes", destacou Sylvie, ressaltando que as emissões de metano são responsáveis por um impacto climático significativamente maior que o CO₂ no curto e médio prazo e que a redução destas emissões na produção de petróleo e gás e na cadeia de gás exige cooperação internacional entre empresas e entre países.

A Petrobras, que trabalha com mitigação de emissões de metano há mais de 20 anos, anunciou que a produção de óleo e gás da companhia já responde por menos de 1% das emissões de metano do Brasil, um padrão de excelência operacional que atesta o sucesso das políticas de redução e dos investimentos realizados. "Reduzimos 70% das emissões de metano desde 2015", afirmou Viviana Coelho, gerente executiva de Mudança Climática e Descarbonização da Petrobras. Viviana também quantificou o tamanho da oportunidade: "O impacto climático de eliminar as emissões fugitivas de metano é equivalente a retirar dois terços da frota mundial de carros" destacou.

Verônica Coelho, country manager da Equinor no Brasil, demonstrou o avanço da Equinor a nível mundial ao eliminar o flaring (queima de gás) rotineiro em suas operações, investindo em sistemas avançados de detecção de vazamentos com drones e sensores aplicados em toda a cadeia operacional. "Somos muito orgulhosos dos avanços na redução de metano, mas ainda não estamos satisfeitos. Eliminamos o flaring em operações próprias e seguimos investindo para ir além", afirmou a executiva.

Segundo Julien Perez, diretor geral da Oil and Gas Climate Iniciative (OGCI) e da Oil and Gas Descarbonization Charter (OGDC), o combate ao metano é o "low-hanging fruit" (fruto mais fácil de ser colhido) da transição, pois a tecnologia já existe e a ação pode ser rápida. Especialmente com o uso combinado de satélites, inspeções e melhorias operacionais. "Reduzir metano é o 'low-hanging fruit' da transição: temos tecnologia, sabemos onde estão os vazamentos e podemos agir rápido", afirmou Perez.

Faye Gerard, diretora para as Américas do International Association of Oil & Gas Producers (IOGP), reforçou a importância da harmonização técnica entre países e companhias. "Não existe solução única para a descarbonização. O avanço na redução das emissões de metano depende de colaboração, padronização e da aplicação das tecnologias certas para cada operação", destacou Faye Gerald.

Por sua vez, Sébastien Lahouste, CEO da Fluxys Brasil, destacou que a adoção de padrões globais de excelência por grandes empresas, como os promovidos por iniciativas como OGCI, OGDC e OGMP2.0, tanto no upstream quanto no midstream, é essencial para acelerar a descarbonização. "A Fluxys iniciou essa jornada há anos, mapeando e medindo emissões para construir um plano robusto. Na Bélgica, já reduzimos mais de 50% das emissões midstream em relação ao nível de 2017 e seguimos firmes rumo ao net zero até 2050", comentou o executivo.

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