Meio ambiente

Indústria de petróleo brasileira apresenta iniciativas de sucesso para redução das emissões de CO2

Redação/Assessoria
04/07/2018 18:00
Indústria de petróleo brasileira apresenta iniciativas de sucesso para redução das emissões de CO2 Imagem: Divulgação/Milton Costa Filho, IBP Visualizações: 1615

Durante o 4º Congresso Brasileiro de CO2, especialistas debateram os desafios e as oportunidades de uma economia de baixo carbono.

Em um contexto geral de mudanças climáticas e políticas ambientais, incerteza nos preços do petróleo, novas fontes de energia e ameaças geopolíticas, alinhado ao compromisso global de reduzir as emissões de CO2, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) promoveu, entre os dias 28 e 29 de junho, o 4º Congresso Brasileiro de CO2, no Rio de Janeiro. Com o objetivo de debater os aspectos técnicos e científicos associados às emissões de CO2 pela indústria de petróleo brasileira, o evento reuniu especialistas no tema e do setor.

Para Milton Costa Filho (foto), secretário-geral do IBP, as tecnologias de captura, transporte e destino de CO2 são de vital importância para o Brasil. “O pré-sal brasileiro é um dos três ambientes mais atrativos do mundo para a realização de negócios no setor de petróleo, juntamente com o não-convencional americano e as reservas do Oriente Médio. Nesse sentido, as tecnologias associadas ao CO2 serão fundamentais para o desenvolvimento do pré-sal e para garantir o aproveitamento econômico dessas reservas”, afirmou.

De acordo com José Mauro Coelho, diretor de estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Energia de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil tem um imenso potencial exploratório, principalmente, no pré-sal – o que se traduz na possibilidade do país se tornar um dos cinco maiores exportadores de petróleo do mundo em 10 anos, gerando 3,6 milhões de barris por dia em 2030. Além disso, Coelho aponta que o Brasil possui enorme vantagem comparativa no setor, sendo o segundo maior produtor de etanol e de biodiesel.

“A implementação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) promoverá a adequada expansão da produção e do uso de biocombustíveis na matriz energética nacional. A expectativa é que, em 2030, o país produza 49 bilhões de litros de etanol”, disse Coelho.

Atualmente, 20% do consumo de transportes já é de combustíveis renováveis. Segundo Maurício Tolmasquim, professor titular do Programa de Planejamento Energético (PPE/UFRJ), a forte presença dos biocombustíveis e a grande representação da fonte hidrelétrica na matriz energética brasileira colocam o país em uma posição de vantagem. “A produção de US$ 1 no PIB brasileiro emite menos gases do efeito estufa do em países como Estados Unidos e China”, constatou.

O grande desafio do Brasil no que se refere à emissão de CO2, no entanto, está relacionado ao desmatamento. Para Régis Rathmann, integrante da Coordenação Geral do Clima, do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, as emissões brasileiras em termos de combustíveis são satisfatórias. “O setor de energia está emitindo menos gases do efeito estufa. No entanto, globalmente, o Brasil caminha para o não cumprimento da meta estabelecida na COP21 se não resolver a questão do desmatamento”, destacou.

Iniciativas de sucesso

Durante o painel “Tecnologias Associadas ao CO2”, Wilson Mantovani Grava, gerente de P&D em Desenvolvimento da Produção do Cenpes/Petrobras, explicou que, atualmente, a Petrobras produz 80 milhões de m3 de gás natural nos campos do pré-sal localizados na Bacia de Santos. Ao todo, 16 FPSOs operam em tais reservas, sendo que nove delas já funcionam com tecnologia para separação do CO2 do gás natural.

“Desde 2008, já separamos e re-injetamos 7 milhões de toneladas de CO2. Hoje, a capacidade da Petrobras é de 2,5 milhões de toneladas por ano, resultado atingido na Bacia de Santos, no ano passado. Os novos campos descobertos no pré-sal, porém, apresentam maior razão gás x óleo, o que, consequentemente, aumenta a concentração de CO2 para níveis que podem chegar a 45%. Ou seja, enquanto indústria, precisamos ser mais eficientes nos processos topside, que já operam com toneladas de equipamentos. Para isso, precisamos de novas tecnologias”, afirmou Grava.

Outro importante player do setor de óleo e gás brasileiro, a Equinor assumiu uma meta ambiciosa no que se refere à geração de CO2 na produção exploratória, conforme apresentou Fabiano Lobato, diretor do Centro de Pesquisas do Rio de Janeiro da companhia. Responsável por aproximadamente 3% da produção brasileira de petróleo, a Equinor gera 9kg de CO2 por barril – o que significa quase metade da média do setor, que é de 17kg/barril.

“A expectativa da Equinor é reduzir até 2030 para 8kg de CO2 por barril, em todo o processo de produção. Nos projetos da companhia no Brasil, a meta é reduzir os atuais 20kg/barril em Peregrino para 11kg/barril na fase II. Em Carcará e Norte de Carcará, a geração é de 4,9kg/barril”, explicou Lobato.

Tendência global

A tendência em adotar processos e soluções mais sustentáveis, porém, é global – dado, especialmente, ao movimento em direção a uma economia de baixo carbono. Com mais de um bilhão de pessoas no mundo sem acesso à energia, o que também é traduzido em baixa qualidade de vida, a demanda tende a aumentar. Nesse cenário, todas as empresas do setor de óleo e gás estão atentas à transição energética.

“Vencer as inércias, em geral, significa grandes oportunidades. Isso quer dizer que as soluções energéticas para o mundo de baixo carbono devem vir do próprio setor, ou seja, da indústria de petróleo”, sentenciou Sergio Margulis, coordenador da Câmara de Adaptação do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e pesquisador sênior do Instituto Internacional para Sustentabilidade e da WayCarbon.

Prova desse movimento é a Oil and Gas Climate Initiative (OGCI), grupo liderado por presidentes de empresas de petróleo e gás com um ano e meio de existência. Segundo Rob Littel, representante da OGCI, o objetivo da iniciativa é desenvolver ações práticas e fornecer soluções para um futuro sustentável com baixas emissões dos gases de efeito estufa.

“A expectativa é conseguir uma redução de 1Gt/ano dos gases de efeito estufa. Para isso, os integrantes da OGCI estão investindo US$ 1 bilhão na geração de tecnologias, nos próximos 10 anos, com a intenção de remover barreiras técnicas e comerciais em toda a cadeia de valor”, afirmou Littel.

O 4º Congresso Brasileiro de CO2 teve patrocínio da Petrobras, Shell, Equinor, Total, apoio institucional da Capes e CNPq e apoio de mídia da TN Petróleo.

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