<P>A falta de investimentos na infra-estrutura de transportes, especialmente na ampliação dos portos, ameaça a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. As exportações do Brasil têm sido substituídas, em alguns casos, por aquelas vindas da China, responsável por um...
A Tribuna (Santos)/Leopoldo FigueiredoA falta de investimentos na infra-estrutura de transportes, especialmente na ampliação dos portos, ameaça a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano. As exportações do Brasil têm sido substituídas, em alguns casos, por aquelas vindas da China, responsável por um dos maiores projetos de expansão portuária do mundo na atualidade. O alerta partiu do professor de Economia e Políticas Públicas da Universidade do Texas, Leigh Boske, que estuda as mudanças ocorridas nos últimos anos no comércio exterior dos Estados Unidos com esses dois países.
Boske foi um dos especialistas que se reuniu com a comitiva do Santos Export 2006 - Fórum Nacional para Expansão do Porto de Santos, na manhã de ontem, em Houston, nos EUA. Esses debates e, na sequência, a visita técnica a bordo de uma lancha pelos terminais marítimos da região concluíram a programação da missão comercial a complexos norte-americanos, promovida por A Tribuna e a Una Marketing de Eventos.
De acordo com o professor, com o crescente aumento do comércio exterior no mundo, diversos países estão expandindo suas instalações portuárias, tradicionalmente responsáveis pela maior parte do transporte de cargas entre as nações. O diferencial hoje é a velocidade de cada país. O gargalo surge exatamente nos mais lentos, que não conseguem atender as demandas apresentadas pelo mercado.
Enquanto a China já iniciou os preparativos para a construção de um novo porto na região de Xangai (seu principal complexo marítimo, que já atingiu o limite da capacidade operacional), os Estados Unidos planejam o aumento de seus terminais. O Brasil, porém, tem encontrado dificuldade nessas ações, destacou o pesquisador.
Os brasileiros estão próximos dos Estados Unidos, mas como não contam com a infra-estrutura necessária para escoar sua produção, seus custos acabam sendo maiores do que os da China. O Brasil pode entrar na América do Norte por Houston, tem uma localização estratégica, mas perde pela falta de investimento, afirmou Boske.
Pela análise do professor, no comércio entre a Ásia e os Estados Unidos, o gargalo surge na chegada dos navios à costa Oeste norte-americana. Los Angeles e Long Beach (portos da costa oeste) preparam obras, mas ainda não começaram. Os chineses simplesmente viram que Xangai não consegue crescer mais e já iniciaram as obras de um novo porto ao lado. Eles vão conseguir mandar mais carga e nós (EUA) não teremos como atender totalmente, explicou.
A mesma relação ocorre no transporte de produtos entre o Brasil e a América do Norte. Os exportadores brasileiros não estão nada satisfeitos com seus portos. É muito difícil embarcar por lá, afirmou.
A reunião entre Leigh Boske e executivos do porto de Houston e integrantes da missão comercial do Santos Export foi organizada pela Greater Houston Port Bureau (a associação dos empresários que atuam no compelxo). O evento foi coordenado pelo presidente da entidade, Alistair Macnab.
Após o encontro, os participantes da comitiva santista percorreram parte do canal de navegação a bordo de uma lancha, a convite da Autoridade Portuária de Houston (PHA). Durante a viagem, que encerrou a programação da missão, foram homenageados o diretor de Desenvolvimento comercial da PHA, John Horan, e o representante do orgão no Brasil, John Cuttino. Eles receberam, do diretor-superintendente de A Tribuna, Marcos Santini, duas camisas do Santos Futebol Clube.
A viagem aos Estados Unidos integra a Programação do Santos Export 2006, a ser realizado no próximo dia 4, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Capital.
Fonte: A Tribuna (Santos)/Leopoldo Figueiredo
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