Porto de Santos

Insegurança jurídica adia investimentos

Empresas estão suspendendo investimentos na retaguarda do Porto de Santos devido ao projeto do governo de expandir os limites do porto em áreas privadas. A insegurança jurídica levou a Granel Química a interromper um aporte de R$ 225 milhões na constru&ccedi

Valor Econômico
04/10/2013 14:15
Visualizações: 1152
Empresas estão suspendendo investimentos na retaguarda do Porto de Santos devido ao projeto do governo de expandir os limites do porto em áreas privadas. A insegurança jurídica levou a Granel Química a interromper um aporte de R$ 225 milhões na construção de seu segundo terminal para líquidos em Santos. Pela mesma razão, a multinacional Stolthaven paralisou um plano de expansão que previa investimentos de R$ 180 milhões até 2017.

A intenção de Brasília é ampliar o porto organizado incluindo, entre outras áreas, o distrito industrial da Alemoa, ocupado por 37 empresas que têm a titularidade dos terrenos. Mas pela nova Lei dos Portos, as áreas do porto organizado só podem ser ocupadas via licitação. As empresas do distrito temem, assim, o risco de seus imóveis serem desapropriados e de as operações de movimentação de cargas serem descontinuadas. A aprovação da alteração dos limites do porto, chamada de poligonal, depende de um decreto presidencial. A minuta já foi elaborada pela Secretaria de Portos (SEP).

O distrito industrial da Alemoa reúne desde terminais que fazem movimentação direta de cargas - por meio de dutos ligados ao cais público - a armazéns para contêineres vazios e instalações onde são adiantados processos de importação e exportação. Entre ISS e IPTU, as empresas geram R$ 50 milhões por ano aos cofres municipais e empregam diretamente 2.500 pessoas.

"As áreas já são produtivas, na sua grande maioria em atividades portuárias. Desapropriá-las e licitá-las para a mesma atividade nos parece totalmente sem sentido", afirma Ary Serpa, gerente-geral da Granel Química, empresa do grupo Odfjell. Dos R$ 225 milhões, a Granel já investiu cerca de R$ 80 milhões, sendo R$ 45 milhões na compra do terreno e o restante no estaqueamento e na construção das fundações dos tanques de armazenagem e nas fundações que irão conectar o terminal ao píer.

"A ideia do aumento da poligonal vai na contramão do objetivo do governo de incentivar o investimento da iniciativa privada", afirma o presidente do conselho administrativo da Associação Brasileira de Terminais de Líquidos (ABTL), Fernando Fontes. Os terminais do distrito da Alemoa movimentam por ano 2 milhões de toneladas, o equivalente a 20% do volume de líquidos operado no porto.

"Não está claro qual o interesse público em se fazer isso numa área com empresas em plena operação e com projetos de expansão", disse o presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial e Portuário da Alemoa (AMA), João Maria Menano. O executivo é um dos sócios no Alemoa S/A, que também seria englobado na nova poligonal. O projeto prevê a construção de um terminal e três berços de atracação, em um investimento de R$ 200 milhões. Os antepassados dos atuais controladores compraram os terrenos em 1880, da massa falida do Barão de Mauá.

Nas justificativas para a aprovação da nova poligonal, o ex-ministro dos Portos, Leônidas Cristino, diz que a inclusão da área denominada Alemoa-Saboó é "prioritária e vantajosa" porque garantirá "acessibilidade ferroviária e rodoviária" ao porto. O documento também cita que a inclusão de novas áreas pretende evitar que a pressão imobiliária inviabilize a expansão do porto, cuja capacidade operacional está perto da saturação.

Temerosas, as empresas começaram a ajuizar ações pedindo a anulação do processo administrativo para questionar a atuação da União. O argumento, além do risco de interrupção das operações, é que a União precisa desapropriar os imóveis antes de aumentar os limites do porto. Em recente evento em Santos, o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Pedro Brito, disse que o procedimento a ser adotado seria a desapropriação seguida da alteração da poligonal. "Contudo, esse não é o entendimento da SEP. Nos autos da ação judicial, a União defendeu-se informando que, em razão das alterações trazidas pela nova Lei dos Portos, 'o decreto que alterar os limites do porto organizado e incluir bens particulares estará promovendo a desapropriação dos mesmos em prol da União'", disse Igor Tamasauskas, advogado da AMA, da Tequimar, da Granel Química, da Alemoa S/A e da Vopak.

A SEP disse que em razão dos novos parâmetros da Lei dos Portos, "as áreas dos portos organizados deverão estar claramente definidas, o que poderá exigir, em alguns casos, uma revisão das suas poligonais". Mas destacou que "serão mantidos e fortalecidos os fundamentos do novo marco legal do setor, em especial a garantia da segurança jurídica, baseada em regras claras e precisas".
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Mato Grosso
Além do agro, Sinop amplia espaço para serviços e novos ...
26/10/26
Pré-Sal
PPSA realiza 10º Leilão Spot na próxima quarta-feira
26/10/26
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25