Meio ambiente

Instituto utiliza peixe elétrico para detectar petróleo no meio ambiente

Jornal do Commercio
16/11/2005 00:00
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A utilização inadequada do petróleo traz grandes danos para o meio ambiente, desde o processo de extração, transporte e refino, até o consumo final. Os piores danos acontecem durante o transporte de combustível, com riscos de vazamentos em grande escala de oleodutos e navios petroleiros. Mas como evitar a contaminação de rios, ecossitemas aquáticos, lagos ou lençóis freáticos, principalmente, na região Amazônica?

Uma pesquisa realizada por Gilberto Schwertner Filho, do LFC (Laboratório de Fisiologia Comportamental) do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), demonstrou que o uso do peixe elétrico, popularmente conhecido como ituí ou sarapó (pertencente à família Apteronotidae, ordem Gymnotiformes), pode ser utilizado como um sistema de alerta ambiental (biomonitoramento) para compostos derivados do petróleo.

O sistema baseia-se na utilização da descarga elétrica produzida pelo peixe para saber se a água está contaminada ou não. O resultado do trabalho foi publicado em forma de dissertação de mestrado "Apteronotidae (Pisces: Gymnotiformes) como modelo de biomonitor para compostos BTX".

Schwertner explicou que o objetivo do projeto foi o de elaborar padrões para monitoramento dos contaminantes BTX, substância composta por benzeno, tolueno e xilenos, derivados de petróleo. "Os BTX são os compostos mais hidrossolúveis do petróleo, ou seja, são os compostos do petróleo que têm maior capacidade de dispersão na água. Um dos seus componentes, o benzeno, é altamente prejudicial à saúde, pois pode causar câncer", destacou.

O especialista disse que, durante um vazamento de petróleo na água, os compostos BTX são os primeiro indício de contaminação dos rios.

Água potável - Segundo a resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), Nº 20/1986, os padrões máximos aceitáveis pelo organismo humano são de 1 mg por litro na água, para benzeno, enquanto que, para o tolueno e para os xilenos, ainda não existe normatização para o país. Por isto foram adotados os padrões para água potável da EPA, sigla em inglês para Agência de Proteção Ambiental Americana, que estabelece o máximo aceitável de 10 mg por litro na água, para o BTX.

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