Negócios

Interesse dos chineses na OGX mostra apetite de asiáticos pelo setor

O anúncio do interesse em blocos da OGX na Bacia de Campos pela Sinopec e CNOOC deverá ser apenas um dos primeiros de uma série de investimentos de empresas chinesas no setor de petróleo e gás no Brasil. É o que afirma o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) qu

Redação/ Agências
13/09/2010 08:00
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O anúncio do interesse em blocos da OGX na Bacia de Campos pela Sinopec e CNOOC deverá ser apenas um dos primeiros de uma série de investimentos de empresas chinesas no setor de petróleo e gás no Brasil. É o que afirma o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) que aponta o aumento do risco do investimento para empresas como a Shell e ExxonMobil para justificar a saída dessas empresas dos negócios no país.

 

Segundo ele, a investida das empresas daquele lado do mundo no Brasil deverá ser mais freqüente com a aprovação do novo marco regulatório em função do aumento da estatização do setor com a mudança da Lei do Petróleo. "Como as empresas tradicionais têm as obrigações com os acionistas, um mercado com risco acaba se tornando pouco atraente. Já no caso de empresas chineses não existe essa preocupação, pois o capital é estatal", analisou ele.

 

Segundo Pires, se esse interesse se converter em investimento real, a OGX conseguirá mais recursos que serão aplicados na campanha exploratória. A expectativa do mercado é de que as empresas chineses aportem na subsidiária de petróleo e gás do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, cerca de US$ 7 bilhões.

 

Por sua vez, a empresa informou por meio de sua assessoria de imprensa que a intenção de vender de 20% a 30% de sete de seus ativos na maior bacia produtora de petróleo no Brasil, anunciada em abril deste ano, mantém-se.

 

Na análise de Pires, esse movimento chinês rumo ao Ocidente tem como meta garantir suprimento de commodities para suas crescentes necessidades. "Eles têm muito dinheiro que estão aplicados em letras do tesouro norte-americano e agora estão em busca, de terras para alimentos, minério de ferro e petróleo para suportar seu crescimento", disse ele.

 

Para ele, a notícia é encarada como um movimento natural, pois o interesse chinês é crescente no Brasil. "Já temos chineses emprestando dinheiro para a Petrobras e entrando no processo de capitalização da empresa. Dadas as características do nosso novo marco regulatório, a tendência é de que o Brasil seja o alvo não somente de chineses, mas também de empresas indianas estatais com o certo afastamento das tradicionais empresas petrolíferas americanas e europeias", concluiu Pires.

 

Em maio, a Sinochem obteve uma participação de US$ 3 bilhões em Peregrino, campo petrolífero da Statoil no Brasil.

 

A OGX possui 29 blocos no Brasil, nenhum deles está localizado no pré-sal.

 

O interesse de Sinopec e CNOOC pela OGX deve ser o primeiro de uma série de investimentos chineses no setor de petróleo no País.

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