Infraestrutura

Investimentos em infraestrutura só virá com segurança jurídica e bons projetos

Redação/Assessoria CNI
10/09/2018 10:23
Investimentos em infraestrutura só virá com segurança jurídica e bons projetos Imagem: Divulgação Visualizações: 1270

Institucional

O desenvolvimento da infraestrutura do Brasil tem esbarrado na insegurança jurídica provocada por normas frágeis, excessos de controle e interferência política em obras estratégicas. O estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) - Segurança jurídica e governança na infraestrutura - faz um diagnóstico dos entraves ao desenvolvimento do setor e apresenta sugestões para o país fortalecer os projetos e ampliar investimentos em obras e empreendimentos. O trabalho faz parte de uma série de 43 documentos sobre temas estratégicos que a CNI entregou aos candidatos à Presidência da República.

“A governança dos projetos de infraestrutura no Brasil é ruim e falta segurança jurídica para diversos atores nessa área, o que compromete a eficiência da gestão pública. Isso se revela em centenas de obras de infraestrutura paralisadas e em projetos que custam e demoram muito mais para ser implementados do que o previsto”, destaca o estudo da CNI.

De acordo com o trabalho, a má governança resulta, em grande parte, da carência de recursos humanos e materiais nos órgãos públicos responsáveis por selecionar, estruturar, executar e monitorar os projetos de infraestrutura. “A baixa qualidade não apenas eleva o risco de investir, em virtude da má regulação, mas também onera o custo do projeto e alonga sua implantação, reduzindo o retorno e a atratividade dos investimentos”, diz o gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso.

Comparação com outros países

O estudo aponta que, em países como Austrália, Estados Unidos e Alemanha, os processos de seleção de projetos de infraestrutura e a decisão de como concretiza-los passa por uma série de análises técnicas de diversos órgãos dos governos. As avaliações são feitas anteriormente à execução dos projetos e evitam futuras paralisações ou alterações, aumentando a segurança jurídica.

Inoperância e desequilíbrio

No Brasil, além de projetos mal elaborados, há uma quase completa inoperância dos órgãos de controle interno, o que faz com que os investimentos de infraestrutura apresentem inúmeros problemas. Esse quadro muitas vezes leva a paralisações, seja por iniciativa dos órgãos de controle, seja por receio dos gestores de assumir a responsabilidade por avançar com as obras.

“A segurança jurídica também visa dar ao indivíduo previsibilidade na sua atuação enquanto agente social, econômico e político”, destaca o gerente da CNI. Os órgãos de controles externos, por contarem com mais recursos, autonomia e segurança jurídica que os gestores, têm identificado inúmeros desses problemas. Isso tem gerado uma relação pouco construtiva entre gestores e controladores, pois os problemas são recorrentes e enfrentados apenas com base em prognósticos ou suposições.

Wagner Cardoso enfatiza que quando se trata de grandes projetos, cuja paralisação implica prejuízos elevados para a sociedade, a rápida solução de conflitos pode poupar grandes somas de recursos. Nesse sentido, a CNI recomenda que grandes projetos de infraestrutura contenham cláusula de arbitragem, procedimento já aceito em contratos com o poder público.

Recomendações

Entre as recomendações da CNI para que o país supere a insegurança jurídica e volte a atrair investimentos para a infraestrutura estão: fortalecer o macro e o microplanejamento do setor; equipar os órgãos responsáveis por estruturar e executar projetos de infraestrutura; tornar os órgãos de controle interno mais operacionais; realizar estudos mais elaborados antes da execução dos projetos; modernizar a Lei de Licitações; e adotar a arbitragem para a solução de conflitos em grandes projetos – esta seria uma forma eficaz de se aumentar a rapidez e eficiência da resolução de contratos.

O especialista em infraestrutura Armando Castelar defende que o governo mantenha uma unidade central de infraestrutura nos moldes do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para preparar bons projetos e fazer interação com órgãos de controle. “A insegurança jurídica impede o empresário de fazer conta. Você não consegue calcular se o projeto ou a atividade econômica faz ou não sentido. Chegamos a um ponto em que o investidor tem dinheiro, mas não consegue fazer a conta se será viável entrar no projeto”, diz Castelar.

Ações para o Brasil crescer mais e melhor

Os 43 documentos com propostas da CNI para o novo governo foram elaborados com base no Mapa Estratégico da Indústria 2018-2022, que aponta os caminhos para o Brasil construir, nos próximos quatro anos, uma economia mais produtiva, inovadora e integrada ao mercado internacional. Os estudos sugerem ações em áreas como eficiência do estado, segurança jurídica, infraestrutura, tributação, educação, meio ambiente, inovação, financiamento e segurança pública.

As propostas foram discutidas com os presidenciáveis durante o Diálogo da Indústria com os Candidatos à Presidência da República, em Brasília. A CNI apresenta as propostas da indústria aos presidenciáveis desde a eleição de 1994.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Com 5,531 milhões boe/d, Brasil segue com produção recor...
04/05/26
Sustentabilidade
Ipiranga lança Relatório de Sustentabilidade 2025 com av...
02/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
02/05/26
Combustíveis
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Mon...
30/04/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
Etanol
E32 impulsiona etanol e reforça liderança do Brasil em b...
30/04/26
Meio Ambiente
Brasil aparece entre maiores emissores de metano em ater...
30/04/26
Oferta Permanente
Audiência pública debate inclusão de novos blocos no edi...
30/04/26
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
Combustíveis
E32 reforça estratégia consistente do Brasil em seguranç...
27/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP aprova estudos ...
27/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23