Energias Renováveis

Liderança em project finance no Brasil em 2016, diz Santander

Reuters
03/02/2016 12:42
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Empreendimentos de geração de energia renovável devem seguir liderando a captação de recursos por meio de project finance no Brasil em 2016, embora o movimento global de financiamentos deve se contrair, dado os cenários econômico e de mercado mais adversos, disse um executivo do Santander Brasil.

“Os números mais recentes de captações refletem o volume de estruturação de projetos licitados em 2013 e 2014, que foram anos muito bons”, disse à Reuters Diogo Berger, chefe da área no Santander Brasil, cujo grupo liderou a captação via project finance nas Américas em 2015, com 6,77 bilhões de dólares em 142 transações.

Os projetos de energia renovável envolvendo empreendimentos de geração eólica, solar, biomassa, além de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), vêm crescendo rapidamente no Brasil, na esteira da maior dificuldade do país para licitar hidrelétricas de grande porte nos últimos anos.

Em 2013, apenas as usinas eólicas representaram 2.139 gigawatts médios em energia contratada em leilões do governo federal, quase o dobro do recorde anterior, de 1.284 gigawatts médios, em 2011, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) compliados pela Reuters. Em 2014, foram contratados mais 607 megawatts médios em eólicas e 202 megawatts em usinas solares, que nesse ano estrearam nas licitações.

A estruturação financeira de longo prazo desses projetos, os project finance, leva um período médio de dois anos para ser constituída.

De acordo com dados da Dealogic, o Brasil liderou em 2015 o mercado mundial de project finance em número de transações, com 220, com destaque para energia eólica. Mas o volume financeiro total das operações brasileiras caiu 31 por cento ante 2014, para 20,2 bilhões de dólares.

Segundo Berger, o financiamento de projetos de energia renovável tende a ser menos impactado pela recessão no país, do que empreendimentos de infraestrutura logística, que estão mais sujeitos à reavaliação por parte de investidores e do governo.

“Há um ambiente mais propício para um realismo tarifário (no setor de energia elétrica), assim como investidores pedindo uma taxa de retorno maior”, disse Berger.

Além disso, usinas eólicas e solares têm maior participação do BNDES, o que garante maior volume de recursos referenciados na TJLP, hoje em 7,5 por cento ao ano, enquanto projetos de logística e de óleo e gás, por exemplo, acabam usando uma parcela maior do financiamento a juros de mercado, mais caros.

O governo federal pretendia que os leilões dos primeiros lotes das rodovias federais incluídas na segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado no ano passado, já tivessem acontecido, mas discussões sobre remuneração do investimento, incluindo taxas de retorno, estão atrasando o processo.

“Há chance de algumas licitações (de rodovias) tenham as condições redesenhadas, o que pode atrasar mais”, disse Berger.

Ele citou como exemplo a chamada Rodovia do Frango, que reúne trechos das BR 364 e 365, entre Goiás e Minas Gerais, e BR 476/153/282/480, entre Paraná e Santa Catarina. O governo está fazendo ajustes no edital.

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