Política

Limitação de Okinawa foi ignorada pela Petrobras

Aquisição também tem um histórico de resultados frustrados.

Valor Econômico
28/04/2014 10:25
Visualizações: 763

 

A compra da refinaria americana de Pasadena não foi o único negócio polêmico feito pela Petrobras no exterior. A aquisição da refinaria de Okinawa, no Japão, em 2007, um ano após a negociação de Pasadena, também tem um histórico de resultados frustrados e de promessas de produção que hoje, como admite a própria estatal, não têm como ser cumpridas.
A Petrobras comprou, por US$ 52 milhões, fatia de 87,5% do capital da refinaria japonesa Nansei Sekiyu, na ilha de Okinawa. A refinaria teria capacidade para produzir 100 mil barris por dia, a mesma de Pasadena, no Texas. Era essa capacidade que, teoricamente, justificava os investimentos e planos da Petrobras. Em abril de 2008, a estatal anunciou que a planta estava produzindo apenas 35 mil barris por dia, mas que iria "aumentar gradativamente a produção até a carga máxima, visando, além do mercado japonês, chegar a Cingapura, Vietnã e Malásia".
O problema é que, por causa de restrições ambientais e regras de segurança impostas pelo Japão, a Petrobras sabia que Okinawa não tinha permissão para atingir a capacidade plena. Essa condição acaba de ser reconhecida pela estatal. Questionada sobre o assunto, a empresa informou ao Valor que, "apesar da capacidade nominal da refinaria ser de 100 mil barris por dia, o processamento máximo é de 53 mil, em obediência aos limites definidos por legislação local relacionada a impactos ambientais (Energy law)".
A carga processada na refinaria confirma as limitações. Em 2009, a produção foi de 45 mil barris por dia. Em 2010, caiu para 41 mil. Nos três anos seguintes, produziu 47,5 mil, 50 mil e 39 mil barris por dia, respectivamente.
A negociação de Okinawa passou pelo crivo dos mesmos executivos e conselheiros que aprovaram Pasadena, com José Sérgio Gabrielli na presidência e Dilma Rousseff, na época ministra da Casa Civil, como presidente do conselho. Como ocorreu em Pasadena, o contrato de Okinawa continha cláusula "put", com regras de saída do negócio. A sócia da Petrobras na refinaria, a trading Sumitomo, que tinha 12,5% da refinaria, exerceu o direito e vendeu sua participação por US$ 29 milhões. No total, Okinawa já custou US$ 192 milhões à Petrobras.

A compra da refinaria americana de Pasadena não foi o único negócio polêmico feito pela Petrobras no exterior. A aquisição da refinaria de Okinawa, no Japão, em 2007, um ano após a negociação de Pasadena, também tem um histórico de resultados frustrados e de promessas de produção que hoje, como admite a própria estatal, não têm como ser cumpridas.

A Petrobras comprou, por US$ 52 milhões, fatia de 87,5% do capital da refinaria japonesa Nansei Sekiyu, na ilha de Okinawa. A refinaria teria capacidade para produzir 100 mil barris por dia, a mesma de Pasadena, no Texas. Era essa capacidade que, teoricamente, justificava os investimentos e planos da Petrobras. Em abril de 2008, a estatal anunciou que a planta estava produzindo apenas 35 mil barris por dia, mas que iria "aumentar gradativamente a produção até a carga máxima, visando, além do mercado japonês, chegar a Cingapura, Vietnã e Malásia".

O problema é que, por causa de restrições ambientais e regras de segurança impostas pelo Japão, a Petrobras sabia que Okinawa não tinha permissão para atingir a capacidade plena. Essa condição acaba de ser reconhecida pela estatal. Questionada sobre o assunto, a empresa informou ao Valor que, "apesar da capacidade nominal da refinaria ser de 100 mil barris por dia, o processamento máximo é de 53 mil, em obediência aos limites definidos por legislação local relacionada a impactos ambientais (Energy law)".

A carga processada na refinaria confirma as limitações. Em 2009, a produção foi de 45 mil barris por dia. Em 2010, caiu para 41 mil. Nos três anos seguintes, produziu 47,5 mil, 50 mil e 39 mil barris por dia, respectivamente.

A negociação de Okinawa passou pelo crivo dos mesmos executivos e conselheiros que aprovaram Pasadena, com José Sérgio Gabrielli na presidência e Dilma Rousseff, na época ministra da Casa Civil, como presidente do conselho. Como ocorreu em Pasadena, o contrato de Okinawa continha cláusula "put", com regras de saída do negócio. A sócia da Petrobras na refinaria, a trading Sumitomo, que tinha 12,5% da refinaria, exerceu o direito e vendeu sua participação por US$ 29 milhões. No total, Okinawa já custou US$ 192 milhões à Petrobras.

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