Reparo naval

Manutenção e reparo é alternativa para recuperação da indústria naval?

Ainda que muitos especialistas apostem que essa é uma oportunidade de crescimento para o setor, há quem veja o reposicionamento como risco.

Redação/Assessoria Marintec
18/08/2016 10:20
Manutenção e reparo é alternativa para recuperação da indústria naval? Imagem: Divulgação Visualizações: 2250

Após a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) anunciarem que acreditam no redirecionamento da indústria naval para o mercado de manutenção e reparos como a melhor alternativa para recuperar o setor, especialistas e representantes de empresas que atuam no segmento também se manifestaram a respeito.

De acordo com o assessor de planejamento e gestão estratégica da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (CODIN-RJ), que é vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços (SEDEIS-RJ), Marcelo Dreicon, em um momento que a crise econômica fez diminuir as encomendas de novas embarcações, o setor de manutenção e reparos se torna uma oportunidade de crescimento para a indústria naval. “No entanto, é um nicho de mercado que, dado o conhecimento adquirido por nossos estaleiros, pode ser melhor explorado”, afirma.

O gerente administrativo do Estaleiro Marciate, Alberto Taborga, concorda. “Realmente houve uma redução no número de encomendas de novas embarcações, mas acreditamos que o setor de reparos ainda tem muito potencial, há bastante mercado e demandas para serem explorados. Além disso, há regiões no país que não possuem empresas capacitadas para atuar nesse segmento, que são carentes desse tipo de serviço e que precisam tê-los”.

Taborga acrescenta que o Estaleiro Marciate, que será um dos expositores da 13ª Marintec South America, mesmo em período de recessão, segue realizando investimentos. “Seguimos investindo em infraestrutura, em equipamentos e na diversificação de nossos serviços. Claro que diminuímos os aportes por causa da crise econômica, mas mesmo assim continuamos realizando investimentos pontuais, não ficamos parados frente à recessão. Com isso, temos perspectivas de crescimento já nos próximos anos”.

Quem também está otimista com a possibilidade de um reposicionamento para o mercado de manutenção e reparo é o gerente de vendas de soluções marítimas da Wärtsilä Brasil, Mário Barbosa. “Existem demandas para o mercado de reparos e quando se compara com a área de novas construções, com a perspectiva de flexibilização do conteúdo local e outros fatores, a alternativa para esse redirecionamento, em um curto e médio prazo, se mostra realmente mais positiva”, conclui o executivo da Wärtsilä, empresa que também marcará presença na Marintec.

Alerta - Já o superintendente do Estaleiro Renave, Luiz Eduardo de Almeida, acredita que essa não é a melhor solução. “Redirecionar a indústria naval para manutenção e reparo é a única alternativa no momento, mas na minha opinião isso não vai recuperar o setor, pelo contrário, criará uma concorrência nociva. Isso porque os grandes estaleiros, que naturalmente atuam na área de construção naval, nesse momento fogem para o reparo para se manterem competitivos apenas, praticando qualquer nível de preço. Até porque eles possuem grandes estruturas e, normalmente, os reparos não são suas principais fontes de lucros”, pontua.

Os principais desafios desse segmento e as possíveis soluções serão debatidas por Almeida e outros especialistas e empresários na segunda edição do Fórum de Líderes da Construção Naval, que será realizada durante a Marintec, entre os dias 19 e 21 de setembro, no Rio de Janeiro. “Vou abordar quatro desafios gerais do mercado de reparos navais: a fuga de embarcações para reparos no exterior; o aumento da navegação em nossa malha marítima e hidroviária; o aumento da infraestrutura dos estaleiros e o aperfeiçoamento de mão de obra especializada. Para cada um deles apresentarei sugestões do que deve ser feito para que as melhorias sejam de fato alcançadas. Mas, para isso, mudanças são necessárias. O discurso é crítico, pois não podemos fechar os olhos para a realidade atual, mas ao final também estamos otimistas para uma recuperação”, completa.

 

 

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