Aço

Mittal prevê alta de 10% na venda em 2010

Financial Times
30/07/2009 03:57
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Lakshmi Mittal, presidente do conselho de administração e principal acionista da ArcelorMittal, previu ontem que a demanda mundial por aço poderá aumentar pelo menos 10% no ano que vem.

 


Numa previsão otimista que contrasta muito com as previsões mais sóbrias de outros grandes executivos do setor, Mittal disse ao “Financial Times”: “Estou muito mais animado agora com as perspectivas de uma recuperação do que estava há três meses”.

 

“As economias emergentes estão saindo razoavelmente rápido da recessão, enquanto nos Estados Unidos e Europa há sinais de que os pacotes de estímulo dos governos começam a surtir efeito.”

 


O presidente do conselho de administração da maior companhia siderúrgica do mundo fez as declarações ao anunciar que a ArcelorMittal teve um prejuízo de US$ 792 milhões no segundo trimestre deste ano.

 

Lakshmi Mittal alertou que a recuperação do setor siderúrgico será “lenta e progressiva”, mas disse que a esperada retomada na demanda no ano que vem estará longe de ser desprezível.

 

Mudanças nas cláusulas de dívidas da companhia, para dar a ela mais liberdade para contabilizar lucros relativamente baixos – e ainda assim ser capaz de pagar empréstimos contraídos junto aos bancos – foram mais um dispositivo de “proteção”, do que um sinal de que a companhia esperava uma recessão prolongada, disse Mittal.

 

Ele acrescentou que no ano que vem a demanda mundial por aço fora da China poderá aumentar 10% em relação a 2009, enquanto dentro da China – que produz e compra quase a metade da produção mundial de aço – a mudança no consumo provavelmente será maior que 10%.

 

“No todo, estou projetando uma boa melhoria na posição da indústria do aço no ano que vem, comparado a 2009″, disse ele.

 

O magnata indiano do aço disse que é possível que as projeções de observadores do setor, de uma queda de 15% a 20% na produção mundial de aço este ano, comparado a 2008, tenham sido desnecessariamente pessimistas demais. “Acho que o número será menor que esse”, disse ele, indicando que sua melhor estimativa é de uma queda de 15%.

 

As vendas de aço são um indicador usado como referência, uma vez que o material é usado em muitos setores importantes, como os da construção, o automobilístico, o de eletrodomésticos da chamada linha branca e o de engenharia em geral.

 

Mittal acredita ser improvável que a demanda mundial por aço alcance os níveis do fim de 2007 e começo de 2008, antes do término de 2011. No entanto, isso é algo consideravelmente mais otimista que as estimativas de alguns observadores do setor, que vêm projetando um ritmo de recuperação muito mais lento.

 

Mittal disse que as tendências de consumo na Índia, Brasil e China são particularmente encorajadoras. “Na Índia, os produtores de aço estão operando com 100% da capacidade”, disse ele.

 

A companhia, baseada em Luxemburgo, disse que seus embarques de aço no primeiro semestre, de 32,9 milhões de toneladas, foram 45% menores que os do mesmo período do ano passado, enfatizando a escala dos efeitos da recessão sobre a produção mundial do produto.

 

A companhia animou os banqueiros ao afirmar que seu endividamento líquido – US$ 26,7 bilhões no fim de março – caiu para US$ 22,9 bilhões no fim de junho, como resultado de uma série de medidas de aumento de capital e esforços para reduzir despesas.

 

A ArcelorMittal não mudou sua meta de ter o endividamento um pouco acima dos US$ 26 bilhões no fim do ano. Mittal disse que isso daria à companhia mais liberdade para tomar empréstimos para aumentar o capital de giro.

 

Os principais bancos credores da ArcelorMittal vinham insistindo, até poucas semanas atrás, que a relação de endividamento da companhia sobre os lucros antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações (lajida) deveria ficar abaixo de 3,5 para o ano como um todo. O não cumprimento dessa meta significaria uma penalidade financeira pesada.

 

No entanto, após negociações com os banqueiros, a meta para essa relação em 2009 passou para 4,5. Ela deverá chegar a 4 em junho do ano que vem, revertendo-se para 3,5 apenas em dezembro de 2010. Depois disso Mittal espera que os lucros estejam dando sinais significativos de recuperação.
O prejuízo que a companhia teve no segundo trimestre ocorreu depois de um lucro após os impostos de US$ 5,8 bilhões no mesmo período do ano passado. As vendas no segundo trimestre foram de US$ 15,1 bilhões, 60% menores que os US$ 37,8 bilhões apurados no mesmo período de 2008.

 

O lajida no segundo trimestre foi de US$ 1,2 bilhão, com isso o lajida do primeiro semestre foi de US$ 2,1 bilhões. A ArcelorMittal estimou que o lucro no terceiro trimestre ficará entre US$ 1,4 bilhão e US$ 1,8 bilhão.

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