Petroquímica

Mudança na propriedade da Unipar reflete aprovação de estratégia

A adquisição, na semana passada de uma participação de 25% com direito a voto na holding petroquímica brasileira Unipar por parte de fundos de investimento e acionistas individuais reflete a aprovação da estratégia operacional a longo prazo da empresa, disse um executivo da Unipar.

BN Americas
15/04/2004 00:00
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A adquisição, na semana passada de uma participação de 25% com direito a voto na holding petroquímica brasileira Unipar por parte de fundos de investimento e acionistas individuais reflete a aprovação da estratégia operacional a longo prazo da empresa, disse um executivo da Unipar.
"As ações foram compradas por fundos administrados pela corretora brasileira Hedging Grifo  e pequenos acionistas individuais que já possuíam algumas ações", disse o diretor de relações com investidores, Victor Mallman. "O interesse na Unipar é um resultado da nossa estratégia operacional. Ainda não se trata de investidores estratégicos, se não de investidores financeiros, que tendem a manter o investimento no prazo médio".
Dos fundos administrados pelo banco brasileiro Banif Primus, foram vendidos os 38 milhões de ações com direito a voto não incluídas na participação controladora de 57%, propriedade de Vila Velha Administração.
"As modificações na propriedade das ações dará por resultado uma mudança no diretório de administradores, o que se decidirá numa próxima junta de acionistas", pontuou Mallman.
A Unipar controla seis empresas petroquímicas no Brasil que produzen resinas termoplásticas. Conta além do mais com uma participação de 33% no projeto de US$1 bilhão da Rio Polimeros, que deve iniciar as operações comerciais durante o primeiro semestre de 2005. A ampliação da capacidade de produção inclui também investimentos na Polietilenos União, a unidade de produção de polietileno do grupo em São Paulo.
A ampliação aponta para tirar proveito de um projetado crescimento do mercado para os próximos anos.
Para 2004, no entanto, a empresa estima um crescimento de 5% nas vendas de resinas termoplásticas, recuperando-se assim de uma baixa no consumo nacional e elevando os preços das matérias primas em 2003, informou Mallman.
"Esperamos que as coisas sejam mais simples este ano, ainda que os preços internacionais sejam maiores", destacou.
A Unipar planeja além do mais começar as operações de uma ampliação de US$ 300 milhões e 200 toneladas por ano de suas unidades PQU e Politenos União no estado de São Paulo este ano. A Unipar ainda se encontra em conversações com a Petrobras sobre o custo do gás da refinaria que poderia subministrar. "Estaremos em negociações até que alcancemos um preço viável", destacou Mallman. "Temos um cronograma para resolver este tema no final do primeiro semestre deste ano, e poder começar a subministrar os produtos no momento de auge [projetado] do mercado, em 2007".
Logo que finalizem as conversações, a Unipar planeja solicitar financiamento para o projeto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e reunir dinheiro nos mercados financeiros, informou.
"Unipar é uma boa empresa sólida e sua estratégia para reduzir a volatilidade das matérias primas utilizando gás [em lugar de nafta] tem sentido", afirmou Marcos Paulo Pereira, analista da corretora Socopa de São Paulo. Pereira indicou que a Unipar deveria buscar uma estabilidade de preços a longo prazo em lugar de baixos preços do gás para fazer mais rentável o projeto de ampliação de São Paulo.
"A Unipar é conservadora, conta com boas normas de governabilidade corporativa (corporate governance), busca a eficiência da produção e conta com boas políticas de distribução de dividendos. Os investidores que adquiriram estas ações esperaram os dividendos", afirmou.
Pereira restaltou que espera que as ações sem direito a voto da Unipar, as com maior liquidez, finalizem o ano a R$ 3,30 por 1.000 ações, em comparação com o preço atual de R$ 2,87. No entanto, Pereira disse também que a projeção de crescimento do mercado de resina plástica da Unipar é conservadora já que otras empresas estão projetando um crescimento de até 12%.

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