Negócios

Multinacional holandesa SHV avalia fazer aquisições no Brasil

Valor Econômico
03/09/2009 03:39
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Presente no Brasil há 40 anos, o centenário grupo holandês SHV já passou por momentos difíceis no país. Um deles foi em 2002, quando a receita da multinacional encolheu em quase € 1 bilhão, totalizando € 9,4 bilhões, por conta de sua elevada exposição à flutuação das moedas na América do Sul. Mas os tempos são outros. Hoje, os bons resultados nas subsidiárias sul-americanas permitiram à SHV atravessar mais tranquilamente as turbulências na Europa.

 

"Estamos interessados em fazer aquisições no Brasil se elas forem adequadas aos nossos negócios . Estamos muitos satisfeitos com o desempenho de nossas operações no país", afirma o presidente do conselho executivo da SHV, o irlandês Patrick Kennedy, que fez parte da comitiva que encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita do presidente à Holanda, em 2008.

 

Os dois grandes negócios da SHV no Brasil são o Makro, a maior rede de lojas de atacado do país, e a SHV Gas Brasil, controladora das distribuidoras Minasgás e Supergasbras. Com essas duas marcas, a SHV detém 22% do mercado brasileiro de GLP (gás de cozinha) e divide a liderança do setor com a Ultragaz e Liquigás (da Petrobras).

 

Segundo Kennedy, a SHV está aberta a fazer aquisições nos dois setores em que atua no Brasil.

 

Embora costume figurar no ranking da revista "Fortune" entre as 15 maiores empresas da Holanda, a SHV não é tão conhecida no Brasil quanto as outras companhias holandesas que aparecem na mesma lista, entre elas Heineken, Philips e Shell.

 

Ainda controlada por uma das oito famílias de comerciantes de carvão que fundaram a SHV, em 1896, a empresa não possui ações em bolsa, algo incomum para grupos do mesmo porte. Em 2008, as vendas líquidas da SHV totalizaram € 11,3 bilhões, o que representou uma queda de 25% sobre 2007.

 

A retração deve-se, em grande parte, à venda de negócios do grupo ao redor do mundo, que juntos totalizavam um receita de 4,6 bilhões. A empresa se desfez das operações do Makro na Indonésia, Paquistão, Filipinas e China entre 2007 e 2008.

 

Em 1997, a SHV já havia vendido as operações do Makro na Europa para a Metro, da Alemanha, o que alimentou especulações de que o grupo também poderia sair da América do Sul. "Nunca pensamos em vender o Makro na região", rebate Kennedy.

 

No Brasil, a SHV está expandindo a rede de lojas de atacado. "Nosso horizonte é de longo prazo no país", diz Kennedy, que tem planos de explorar novos formatos e serviços, como entrega de mercadorias.

 

Em 2008, foram abertas oito lojas do Makro no Brasil, que fechou o ano com 65 filiais. Neste ano a rede planeja inaugurar cerca de 10 unidades e, segundo Kennedy, a intenção é manter esse ritmo de expansão em 2010.

 

No passado, as vendas líquidas do Makro no Brasil cresceram 9,8% em relação a 2007, totalizando R$ 4,35 bilhões. O lucro líquido da rede foi 8% maior, alcançando R$ 99,6 milhões.

 

Diferentemente do Makro, há pouco espaço para uma expansão sem aquisições no setor de distribuição de gás GLP . Esse já um mercado maduro e com um elevado nível de concentração no Brasil: cerca de 80% das vendas estão nas mãos de cinco distribuidores, entre eles a SHV Gas Brasil.

 

O grupo holandês também enfrenta nesse setor um cenário mais difícil. As vendas da SHV Gas Brasil cresceram apenas marginalmente e, segundo informações contidas no relatório anual do grupo, "a forte competição de preços corroeu as margens" .

 

Alguns distribuidoras de GLP, incluindo a SHV, foram multadas por autoridades antitruste brasileiras em determinadas regiões do país em 2008. "A companhia está apelando contra essas penalidades", informa o relatório do grupo.

 

A SHV também atua no Brasil em um terceiro segmento, menos conhecido. A Mammoet é a empresa que possui os maiores guindastes do mundo e, segundo Kennedy, o desenvolvimento dos setores de petróleo, energia e construção abrem boas perspectivas para esse negócio no Brasil.

 

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