Petróleo

Não produtores pressionam para derrubar o veto à divisão dos royalties

Mobilização começa essa semana.

Valor Econômico
03/12/2012 10:24
Visualizações: 671

 

Não produtores pressionam para derrubar o veto à divisão dos royalties
Governadores e prefeitos de Estados e municípios não produtores de petróleo darão início nesta semana a uma mobilização com o objetivo de derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff ao trecho do projeto de lei que alterava a distribuição dos royalties provenientes da exploração da commodity de contratos já assinados. A mobilização deve dar início a uma nova etapa da batalha política entre os Estados produtores de petróleo - sobretudo Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo - e as demais unidades da federação. No meio, o governo federal tenta assegurar o respeito aos contratos em vigor e evitar que uma disputa judicial atrapalhe a exploração da camada pré-sal.
Apesar de o governo ter anunciado o veto e a edição de uma medida provisória sobre o tema na sexta-feira, parlamentares que representam Estados e municípios produtores ou não de petróleo ainda aguardam os detalhes dos textos para definir suas estratégias. Todos estão de olho na distribuição dos royalties dos campos já concedidos, que incluem um terço do pré-sal e já são rentáveis. O regime de partilha, que será adotado para explorar o petróleo localizado no pré-sal e em outras áreas consideradas "estratégicas" pelo governo, aumenta as verbas dos Estados e municípios não produtores. Mas deve ainda demorar alguns anos para começar a render.
O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse ter a expectativa de que um novo projeto de lei recupere os pontos vetados pela presidente Dilma Rousseff. "A expectativa é que na sequência venha uma medida provisória ou um projeto de lei que recupere aquelas votações que foram realizadas pela Câmara dos Deputados", disse Maia na sexta-feira, em cerimônia em comemoração aos 80 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. "Há uma pressão dos Estados não confrontantes, que vão querer derrubar o veto na sessão do Congresso. Vamos ter que dialogar muito com o governo e principalmente com governadores e prefeitos."
A maior pressão deve recair sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a quem cabe convocar sessão do Congresso Nacional para a eventual apreciação dos vetos presidenciais. Em entrevista ao Valor, Sarney afirmou que consultará o presidente da Câmara e lideranças partidárias antes de definir o que fará. "Essa decisão de marcar ou não sessão para votar o veto num assunto dessa magnitude jamais será solitária", disse.
Sarney negou-se a avaliar se há no Congresso clima político para reunir os votos necessários - maioria absoluta das duas Casas - a uma eventual rejeição do veto. Admitiu, no entanto, que havia expectativa de que a presidente sancionasse a lei para tornar mais equilibrada a distribuição da receita do petróleo entre Estados e municípios de todo o país. "O assunto desperta uma paixão muito grande, e essa paixão estava refreada por causa da expectativa de aprovação de um projeto no Congresso", ponderou o pemedebista.
Sarney lembrou que em 2011 chegou a marcar uma sessão para votar o veto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chamada "Emenda Ibsen", que fixava uma regra mais prejudicial aos Estados produtores. No entanto, acrescentou, foi convencido a cancelar a votação para dar chance a um entendimento, que resultou num projeto de lei do senador Wellington Dias (PT-PI). Aprovada na forma de um substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a proposta foi confirmada pela Câmara.
"Os Estados que se sentirem prejudicados vão se mobilizar junto ao Congresso para que Sarney marque sessão ainda neste ano para votar o veto. A presidente Dilma tem direito constitucional de tomar a posição que lhe couber. Mas, tomando posição que vai de encontro ao que Câmara e Senado decidiram majoritariamente, o Congresso tem o direito de se posicionar sobre o veto", disse Vital.
Do outro lado do front, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que "defender a derrubada do veto não é uma posição razoável, porque a presidente preservou os contratos firmados mas admitiu mudança nas regras da divisão dos recursos que resultarão da exploração do petróleo em contratos ainda não licitados pelo modelo de concessão". Além disso, ele argumentou que a adoção do regime de partilha já vai aumentar muito os recursos dos não produtores e reduzir os dos produtores.
Na Câmara, os dois grupos também já começaram a se movimentar. "Na terça-feira, 24 governadores vão ao Sarney pedir para por o veto em votação. Se conheço o Sarney, ele vai por o veto em votação. Vamos derrubar o veto da Dilma e vamos emendar a MP e votar do jeito que a nação brasileira quer", disse o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), um dos principais representantes dos Estados não produtores nas negociações.
A Confederação Nacional dos Municípios defendeu o início de uma "cruzada" pela derrubada do veto. "A justificativa do veto fundamentada no argumento de quebra de contratos é um verdadeiro absurdo, uma vez que os instrumentos celebrados entre as empresas e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) não sofreriam qualquer tipo de alteração. As alterações propostas pelo projeto vetado mudavam a forma de distribuição das receitas de royalties entre a União, Estados e municípios. Por sinal, alterações como estas já aconteceram quatro vezes desde o início da exploração", destacou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, em nota.
Por sua vez, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) demonstrou por qual motivo o governo teme a falta de um acordo. "Qualquer reação vai atrasar ainda mais o recebimento de quaisquer recursos novos. Se tentar derrubar [o veto], isso vai levar a judicialização, que vai atrasar ainda mais o processo", destacou. "Qualquer reação desse tipo será pior para todos."

Governadores e prefeitos de Estados e municípios não produtores de petróleo darão início nesta semana a uma mobilização com o objetivo de derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff ao trecho do projeto de lei que alterava a distribuição dos royalties provenientes da exploração da commodity de contratos já assinados. A mobilização deve dar início a uma nova etapa da batalha política entre os Estados produtores de petróleo - sobretudo Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo - e as demais unidades da federação. No meio, o governo federal tenta assegurar o respeito aos contratos em vigor e evitar que uma disputa judicial atrapalhe a exploração da camada pré-sal.


Apesar de o governo ter anunciado o veto e a edição de uma medida provisória sobre o tema na sexta-feira, parlamentares que representam Estados e municípios produtores ou não de petróleo ainda aguardam os detalhes dos textos para definir suas estratégias. Todos estão de olho na distribuição dos royalties dos campos já concedidos, que incluem um terço do pré-sal e já são rentáveis. O regime de partilha, que será adotado para explorar o petróleo localizado no pré-sal e em outras áreas consideradas "estratégicas" pelo governo, aumenta as verbas dos Estados e municípios não produtores. Mas deve ainda demorar alguns anos para começar a render.


O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), disse ter a expectativa de que um novo projeto de lei recupere os pontos vetados pela presidente Dilma Rousseff. "A expectativa é que na sequência venha uma medida provisória ou um projeto de lei que recupere aquelas votações que foram realizadas pela Câmara dos Deputados", disse Maia na sexta-feira, em cerimônia em comemoração aos 80 anos do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes. "Há uma pressão dos Estados não confrontantes, que vão querer derrubar o veto na sessão do Congresso. Vamos ter que dialogar muito com o governo e principalmente com governadores e prefeitos."


A maior pressão deve recair sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a quem cabe convocar sessão do Congresso Nacional para a eventual apreciação dos vetos presidenciais. Em entrevista ao Valor, Sarney afirmou que consultará o presidente da Câmara e lideranças partidárias antes de definir o que fará. "Essa decisão de marcar ou não sessão para votar o veto num assunto dessa magnitude jamais será solitária", disse.


Sarney negou-se a avaliar se há no Congresso clima político para reunir os votos necessários - maioria absoluta das duas Casas - a uma eventual rejeição do veto. Admitiu, no entanto, que havia expectativa de que a presidente sancionasse a lei para tornar mais equilibrada a distribuição da receita do petróleo entre Estados e municípios de todo o país. "O assunto desperta uma paixão muito grande, e essa paixão estava refreada por causa da expectativa de aprovação de um projeto no Congresso", ponderou o pemedebista.


Sarney lembrou que em 2011 chegou a marcar uma sessão para votar o veto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chamada "Emenda Ibsen", que fixava uma regra mais prejudicial aos Estados produtores. No entanto, acrescentou, foi convencido a cancelar a votação para dar chance a um entendimento, que resultou num projeto de lei do senador Wellington Dias (PT-PI). Aprovada na forma de um substitutivo do senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a proposta foi confirmada pela Câmara.


"Os Estados que se sentirem prejudicados vão se mobilizar junto ao Congresso para que Sarney marque sessão ainda neste ano para votar o veto. A presidente Dilma tem direito constitucional de tomar a posição que lhe couber. Mas, tomando posição que vai de encontro ao que Câmara e Senado decidiram majoritariamente, o Congresso tem o direito de se posicionar sobre o veto", disse Vital.


Do outro lado do front, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que "defender a derrubada do veto não é uma posição razoável, porque a presidente preservou os contratos firmados mas admitiu mudança nas regras da divisão dos recursos que resultarão da exploração do petróleo em contratos ainda não licitados pelo modelo de concessão". Além disso, ele argumentou que a adoção do regime de partilha já vai aumentar muito os recursos dos não produtores e reduzir os dos produtores.


Na Câmara, os dois grupos também já começaram a se movimentar. "Na terça-feira, 24 governadores vão ao Sarney pedir para por o veto em votação. Se conheço o Sarney, ele vai por o veto em votação. Vamos derrubar o veto da Dilma e vamos emendar a MP e votar do jeito que a nação brasileira quer", disse o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), um dos principais representantes dos Estados não produtores nas negociações.


A Confederação Nacional dos Municípios defendeu o início de uma "cruzada" pela derrubada do veto. "A justificativa do veto fundamentada no argumento de quebra de contratos é um verdadeiro absurdo, uma vez que os instrumentos celebrados entre as empresas e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) não sofreriam qualquer tipo de alteração. As alterações propostas pelo projeto vetado mudavam a forma de distribuição das receitas de royalties entre a União, Estados e municípios. Por sinal, alterações como estas já aconteceram quatro vezes desde o início da exploração", destacou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, em nota.


Por sua vez, o deputado Alessandro Molon (PT-RJ) demonstrou por qual motivo o governo teme a falta de um acordo. "Qualquer reação vai atrasar ainda mais o recebimento de quaisquer recursos novos. Se tentar derrubar [o veto], isso vai levar a judicialização, que vai atrasar ainda mais o processo", destacou. "Qualquer reação desse tipo será pior para todos."


 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Bahiagás destaca protagonismo da Bahia na Transição Ener...
29/05/26
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
PPSA
PPSA publica Relato Integrado e Carta Anual
29/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
29/05/26
BOGE 2026
PetroReconcavo discute futuro de Óleo e Gás na Bahia Oil...
29/05/26
BOGE 2026
Lumina Group marca presença na Bahia Oil & Gas Energy 20...
29/05/26
Gás Natural
Naturgy destaca importância do gás natural na matriz ene...
29/05/26
IBP
Manifesto em defesa da regulação adequada na valoração d...
29/05/26
BOGE 2026
Bahia reúne indústria, inovação e negócios na abertura d...
28/05/26
Biometano
Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para a...
28/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
28/05/26
BOGE 2026
Expansão do óleo e gás amplia demanda por hubs de transf...
28/05/26
Combustíveis
ANP participa da "Operação Fluxo Oculto" para combater d...
28/05/26
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
BOGE 2026
BRAVA Energia marca presença no Bahia Oil & Gas Energy 2...
27/05/26
IBP
Brasil pode ampliar protagonismo como fornecedor global ...
27/05/26
Etanol de milho
Etanol de milho avança no país e muda a dinâmica de merc...
27/05/26
Parceria
Grupo Bravante anuncia associação à Abeemar e reforça co...
27/05/26
Firjan
No Dia da Indústria 2026, Firjan anuncia medidas para im...
27/05/26
Negócio
Vallourec conquista importantes contratos de line pipe c...
25/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25