Biocombustíveis

Novozymes corre para baratear etanol de celulose

DCI
27/07/2010 10:05
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A Novozymes, especializada em enzimas industriais, que recentemente acertou um projeto em conjunto com a brasileira Dedini, informou que em um ano e meio, aproximadamente, poderá reduzir os custos de produção do etanol celulósico no Brasil. A empresa desenvolveu, em fevereiro de 2010, uma família de enzimas intitulada Cellic, considerada a mais competitiva entre as enzimas e com custo de produção próximo ao do álcool de primeira geração dos Estados Unidos.
 

Segundo William Yassume Yassumoto, gerente de Novos Negócios da Novozymes no Brasil, com o acordo com a Dedini - líder no mercado sucroalcooleiro -, o próximo passo será habilitar uma nova tecnologia capaz de traçar a rota enzimática e lançar famílias de enzimas.
 
 
"A família Cellic é a mais competitiva. Foi lançada nos Estados Unidos e por lá está em operação", afirmou. O executivo comentou que a recente aliança é um "ganha-ganha". "Eles desenvolvem indústrias de base. Vamos habilitar a tecnologia e torná-la eficiente. Não adianta ter tecnologia cara sem rentabilidade no mercado". E completou: "Fala-se de etanol de celulose há cerca de 10 anos. A meta é tentar mudar o paradigma do alto custo da produção". Em termos globais, a Novozymes é líder no campo de enzimas industriais e microrganismos, com participação de 47% do mercado mundial.
 

De acordo com Miguel Biegai, especialista da Safras & Mercado, deve-se levar em consideração o quanto do custo será reduzido, já que as pesquisas envolvem conhecimento sobre genética. "Tem de esperar para ver o quanto eles [Novozymes] pretendem diminuir. Isso depende da capacidade de manipular os microrganismos", disse. Neste mês, representantes da empresa dinamarquesa visitaram o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), localizado em Campinas, e, segundo Yassumoto, a relação foi "de amizade".
 
 
"Houve uma amostra de enzimas para eles. O CTBE é a referência nacional e, se surgir a oportunidade no futuro, a Novozymes pode participar. Isso depende da necessidade do laboratório", disse. A Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP) do CTBE será um espaço destinado ao desenvolvimento de tecnologias e para resolver gargalos da produção do etanol celulósico. O projeto custou cerca de R$ 24 milhões, conforme divulgou anteriormente o DCI e recebeu verba do governo federal.
 

Yassumoto disse que a empresa apresenta interesse em entrar nos demais setores agrícolas brasileiros.
 

A atual sede da Divisão Agrícola da Novozymes está localizada no Canadá. "Por enquanto, dentro da América do Sul, atuamos somente na Argentina, com vendas de inoculantes, biofertilizantes, entre outros, para as culturas de soja, milho e feijão".
 

Com fábricas na Dinamarca, Estados Unidos, China e Brasil, em 2009, a Novozymes obteve um volume de vendas de US$ 1,5 bilhão. A sede da empresa no Brasil, assim como os laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e as instalações industriais, estão no Distrito Industrial de Araucária, no Paraná. A empresa fornece enzimas para indústrias do setor têxtil, alimentício, cervejeiro e para o mercado de combustível.
 
 
De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o reaproveitamento de resíduos da cana-de-açúcar e parte das palhas e das pontas da cana, a produção de etanol pode aumentar entre 30% e 40% em cima da atual. José Manuel Cabral, chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, afirmou que, recentemente, um grupo de pesquisadores da Embrapa estiveram no Canadá para visitar uma usina. "Eles estão operando com resíduos agrícolas, embora a produção ainda seja baixa", falou.
 

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado de São Paulo apresenta a maior área plantada de cana-de-açúcar, com 4,4 milhões de hectares; enquanto Minas Gerais tem 648 mil hectares; Paraná, 608 mil hectares; Goiás, 601 mil hectares e Alagoas, 464 mil hectares. Ainda de acordo com a Conab, a produção de cana estimada para a safra 2010/2011 é de 664 milhões de toneladas, em 8,1 milhões de hectares.
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