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O futuro da produção no Espírito Santo, por João Montenegro

Redação TN Petróleo/Assessoria
09/08/2021 10:07
O futuro da produção no Espírito Santo, por João Montenegro Imagem: Artigo Exclusivo Visualizações: 2965

A Petrobras reportou à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no fim de julho, a identificação de indícios de gás natural no poço 1-BRSA-1379D-ESS, situado em lâmina d’água de 2,366 mil m do bloco ES-M-669, no pré-sal da bacia do Espírito Santo.

InstitucionalEsses foram os primeiros indícios no litoral do estado a serem informados à agência em quase quatro anos – os últimos haviam sido notificados em setembro de 2017, no campo de Golfinho, também pela estatal brasileira.

Se reconhecida a economicidade do chamado prospecto de Monai, a Petrobras daria um importante passo para confirmar o potencial do pré-sal brasileiro para além das bacias de Campos e Santos e, de quebra, reavivar as atividades de exploração e produção no offshore capixaba.

Nos últimos dez anos, a produção marítima de óleo e gás na bacia do Espírito Santo caiu 80%: de cerca de 90 mil boe/d para 18 mil boe/d, de acordo com dados da ANP. Considerando-se a produção na porção capixaba de Campos, os volumes extraídos apresentaram queda de aproximadamente 50%, de 387 mil boe/d para 203 mil boe/d.

Hoje, somente três campos produzem na bacia do Espírito Santo: Peroá (4,476 mil boe/d em junho), Cangoá (686,81 boe/d) e Golfinho (13,021 mil boe/d), todos operados pela Petrobras.

Os dois primeiros, porém, foram recentemente comprados pela 3R Offshore (3R Petroleum + DBO), enquanto o terceiro está à venda junto aos campos de Canapu, que não chegou a entrar em operação, e Camarupim e Camarupim Norte, parados desde um grave incidente ocorrido em 2015 no FPSO Cidade de São Mateus.

Na porção capixaba da bacia de Campos estão em atividade os ativos dos complexos Parque das Conchas (BC-10), operado pela Shell, e Parque das Baleias, no qual a Petrobras planeja instalar um novo FPSO com capacidade para produzir 100 mil b/d de óleo a partir de 2024.

Divulgação

Nessa mesma região está a descoberta de Wahoo, cujo primeiro óleo está previsto para 2024. Segundo a operadora PetroRio, o prospecto no pré-sal tem potencial de mais de 140 milhões de barris recuperáveis, com uma produção que poderá superar os 40,000 b/d.

No que se refere à exploração, o Espírito Santo tem 15 blocos marítimos contratados, sendo:

– Dez na bacia do Espírito Santo (ES-M-414, ES-M-743, ES-M-671, ES-M-596, ES-M-525, ES-M-673, ES-M-669 e ES-M-598, operados pela Petrobras; ES-M-592, da CNOOC Petroleum; e o ES-M-667, da Repsol Exploração); e

– Cinco na bacia de Campos (C-M-37 e C-M-67, da ExxonMobil, C-M-210, da Petrobras, que está parcialmente no ES, e C-M-101 e C-M-61, da PetroRio).

Revista TN Petróleo

Programada para setembro, a 17ª rodada de concessões da ANP prevê a oferta de cinco blocos offshore na bacia de Campos que estão total ou parcialmente localizados no Espírito Santo: C-M-107, C-M-109, C-M-13, C-M-157 e C-M-69.

O leilão seguinte (18ª), cuja data de realização ainda não foi confirmada, ofertará áreas marítimas na bacia do Espírito Santo, mas elas ainda não foram definidas.

Portanto, no médio prazo, a expectativa de recuperação da produção offshore no Espírito Santo reside, sobretudo, em projetos da Petrobras (Integrado Parque das Baleias) e PetroRio (Wahoo) na porção capixaba da bacia de Campos.

No longo prazo, o foco recairá sobre os resultados dos desinvestimentos da estatal e dos projetos exploratórios contratados no pós e pré-sal do litoral do estado.

Sobre o autor: João Montenegro é mestre em Economia Política Internacional pela UFRJ, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) e repórter especializado em petróleo e energia

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