Máquinas e Equipamentos

Obras em rodovias amenizam queda do setor

Valor Econômico
06/08/2009 03:43
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O otimismo entre os fabricantes de equipamentos utilizados em obras de infraestrutura ainda é discreto. Mas quando ele existe, diz respeito principalmente às vendas no mercado interno, que estão crescendo mês a mês e já indicam um ano mais forte do que o de 2007 em número de unidades, até então o segundo melhor ano da história do setor. Dois dos grandes fabricantes mundiais instalados no Brasil, Volvo e Caterpillar, creditam o bom momento do mercado nacional às obras nas rodovias, o que tem amortizado a queda de mais de 70% dos volumes exportados.

 


No primeiro semestre, conforme os dados da Abimaq (entidade que reúne o setor), as vendas de equipamentos rodoviários totalizaram 5.116 unidades, 23,8% menos que no mesmo período do ano passado, mas 16% maior que o registrado em igual intervalo de 2007. Nas exportações, o volume foi de 1.498 unidades. A categoria reúne máquinas como tratores de esteira, retroescavadeiras, pás carregadeiras e rolos compactadores, entre outros.

 

Yoshio Kawakami, presidente da Volvo Construction Equipment na América Latina, está confiante que durante o segundo semestre as vendas no mercado interno vão ser ainda melhores. O executivo explica que as novas condições de financiamento do BNDES, lançadas em conjunto com a prorrogação do IPI reduzido no começo de julho, aliadas aos investimentos das concessionárias de rodovias e à proximidade das eleições criam um cenário favorável às vendas dos equipamentos rodoviários.

 

“O segundo semestre pode ser muito próximo ao que foi o de 2008″, afirmou o presidente da Volvo. O resultado, no entanto, não significa que o faturamento acompanha o volume de unidades comercializadas. Isso porque, segundo Kawakami, o mercado tem absorvido equipamentos menores. “Vendemos um número um pouco superior de máquinas no primeiro semestre, mas o perfil mudou muito, pois os grandes equipamentos são destinados mais à indústria pesada, como a mineração”, disse.

 

Sempre em relação ao primeiro semestre, o faturamento da Volvo no Brasil este ano chegou a R$ 91,4 milhões, baixa de 35% na comparação com o ano passado e alta de 7,9% sobre 2007.

 

Na Caterpillar, a maior fabricante de equipamentos em nível mundial, a percepção sobre o mercado interno é semelhante. Na opinião de Luiz Calil, presidente da subsidiária brasileira, a demanda por equipamentos menores acontece pela aplicação em obras de infraestrutura. “Estamos falando principalmente de pavimentação”, disse Calil.

 

Prova disso é que, nos números da Abimaq referentes ao primeiro semestre, o único equipamento que registrou vendas maiores na comparação com o ano passado foi o rolo compactador, muito utilizado em pavimentação. Sobre a primeira metade do ano passado, as vendas cresceram 26%, totalizando 548 equipamentos.

 

Apenas no Estado de São Paulo, os investimentos das concessionárias nas rodovias de janeiro a junho cresceram 32% sobre o mesmo intervalo de 2008, de R$ 447,7 milhões para R$ 591,1 milhões. Os dados sobre os investimentos realizados neste ano nas rodovias federais não estão disponíveis. Mas, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), nas sete rodovias federais concedidas em 2008 o investimento foi de R$ 747,8 milhões.

 

Para Calil, a melhora na oferta de crédito no país deverá alavancar grandes projetos de infraestrutura, em especial os do PAC. “Tenho notado nos últimos dias um movimento maior do número de pedidos do mercado local”, declarou o executivo.

 

A preocupação do setor segue sendo as vendas para o exterior, onde as perspectivas favoráveis ainda não aparecem no radar dos fabricantes. Nas fábricas brasileiras, quase 60% da produção é destinada ao mercado externo. Isso ocorre porque, para determinados equipamentos, o país é base de fabricação mundial.

 

“Temos alguns modelos nos quais somos fortes na exportação que tiveram uma queda acentuada de demanda, para países da América do Norte, Leste Europeu e Oriente Médio”, disse.

 

Segundo o presidente da Caterpillar, por mais que o mercado interno vá bem, não é possível compensar por completo a queda das exportações.

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