Estaleiro

Onip aponta vantagens de Santos

A Tribuna de Santos
14/12/2005 00:00
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O superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), Franco Papini, destacou a importância estratégica de haver um estaleiro no Porto de Santos, argumentando que a região tem vantagens em relação a outros portos do País. ‘‘É claro que estando no Porto de Santos, o maior complexo do Brasil, haveria, na minha opinião, algumas vantagens. Por exemplo, a construção de firmas de reparos navais’’, destacou Papini, referindo-se a atividades que uma empresa como essa poderia explorar.

Atualmente, a Prefeitura de Cubatão defende a exploração da atividade naval, com a implantação de um projeto na área do Município, especificamente na Ilha Piaçaguera, às margens do Canal de Piaçaguera, a via de acesso entre os terminais portuários da cidade e o cais santista. Denominado Porto Industrial Naval de Cubatão (Pinc), o empreendimento deve ocupar 600 mil metros quadrados e exigir um investimento de US$ 350 milhões, segundo dados da DTA Engenharia, escritório que desenvolveu a proposta.

Papini afirmou não conhecer os planos do prefeito Clermont Castor, mas reconhece que a proximidade de um estaleiro com a Cosipa ‘‘facilitaria muito a logística’’. Por ficar no Canal de Piaçaguera, ele terá uma localização estratégica, pois estará nas imediações da siderúrgica onde é produzido o aço necessário para a construção de navios.

Para autoridades municipais e estaduais, a possibilidade de ter essa unidade em áreas vizinhas (a menos de cinco quilômetros) à Cosipa não é a única vantagem. A futura firma estará a menos de 100 quilômetros da Região Metropolitana de São Paulo, onde é fabricada a maioria dos equipamentos necessários a uma embarcação. O Estado também conta com centros de formação profissional para a atividade, de funções de nível superior a técnico.

Outro fator favorável à iniciativa é o próprio Porto de Santos. Complexo marítimo mais movimentado do País, ele recebe 4 mil cargueiros por ano, muitos dos quais necessitam de reparos e reformas. Nesses casos, acabam indo até o Rio de Janeiro (algumas vezes são rebocados).



Demanda

Para o superintendente da Onip, é ‘‘salutar’’ debater a implantação desses empreendimentos no País. Conforme números apresentados por ele próprio no mês passado, o Brasil vive um momento de intensa demanda para a construção naval.

Começando pela licitação da Transpetro para construir 42 petroleiros, passando pelo interesse da Petróleo de Venezuela S.A. (PDVSA, a Petrobras desse país) em encomendar navios fabricados aqui. E, finalmente, destaca Papini, há a intenção de armadores privados encomendarem, a médio prazo, cerca de 60 navios para carga geral e contêineres. Essas embarcações seriam feitas aqui.

Segundo o superintendente, a própria Onip debate a necessidade de construção de novos empreendimentos navais, mas, antes, atenta, é preciso garantias de que as demandas existirão de fato.

Um empreendimento ideal, pontuou Papini, consideraria também a construção de plataformas de petróleo e não unicamente um estaleiro — exatamente como prevê o Pinc. No total, um complexo desse tem um orçamento de US$ 150 milhões (R$ 360 milhões), levando de dois a três anos para ficar pronto. A unidade cubatense está orçada em US$ 300 milhões (R$ 720 milhões). Além da área de fabricação naval, o projeto prevê a implantação de um dique seco, uma carreira, um berço de atracação e 13 lotes industriais (para atividades de apoio).

Papini destacou, entretanto, a necessidade de se fazer um Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica e, ainda, a possibilidade de estudar incentivos por parte do Estado para tocar uma possível obra.

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