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Valor Econômico/ag.
Os preços do petróleo atingiram novos recordes durante o pregão de ontem, reforçando a proposta defendida por alguns membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de analisar um segundo aumento na produção. Na quarta-feira, o cartel elevou a produção diária em 500 mil barris.
O petróleo tipo Brent, comercializado em Londres, fechou ontem em novo recorde, cotado a US$ 55,06, alta de 18 centavos de dólar. Durante o pregão, o barril chegou a ser negociado por US$ 56,05. Em Nova York o barril do tipo WTI fechou em baixa de 16 centavos de dólar, cotado a US$ 56,30, após atingir o recorde de US$ 57,60
A iniciativa da Opep se seguiu a uma revisão para cima nas suas próprias projeções de demanda e a pressão dos EUA, seu maior cliente. Representantes do governo americano pediram a vários ministros da Opep para instarem o cartel a ajudar a estancar os preços.
Na quarta-feira, o presidente americano, George Bush também manifestou preocupação, declarando que os preços do petróleo terão grande destaque na sua agenda no encontro do G7.
Os EUA, maiores importadores de petróleo do mundo, gastaram US$ 94 bilhões em importações da Opep no ano passado, numa alta de mais de um terço sobre o ano anterior, valor que representa mais da metade das suas importações de petróleo.
O xeque Ahmad Fahad Al-Sabah, ministro da Energia do Kuait e presidente da Opep, disse que a decisão foi uma iniciativa preventiva, tomada para atender a um forte aumento na demanda, esperado para o segundo semestre do ano. "Claramente, os mais recentes acontecimentos com os preços indicaram a necessidade de uma reavaliação cuidadosa do estado atual do mercado, que aparenta ter atravessado algumas mudanças estruturais recentemente", declarou.
O xeque acrescentou que o mercado mudou no curso dos dois anos passados, com a demanda crescendo a taxas superiores às da década passada, quando o consumo anual aumentou em uma média de 800 mil barris/dia a 1 milhão barris/dia.
Os delegados da Opep temiam que, se o cartel mantivesse a produção inalterada, os preços do petróleo poderiam superar os US$ 60 o barril mais tarde neste ano. O aumento imediato, porém, é considerado cosmético, pois a Opep já está produzindo em torno de 27,7 milhões de barris diários
O xeque Sabah disse que um segundo aumento nas cotas poderá resultar em um aumento real na produção diária de 300 mil a 400 mil. Os delegados da Opep declararam, porém, que toda a produção nova seria embarcada para a Ásia, não deixando nada para os EUA.
Os membros da Opep também estão examinando a possibilidade de estabelecer os preços das exportações de petróleo em euros, no lugar do dólar.
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