Pesquisa e Desenvolvimento

Países ricos cortam gasto em inovação

Empresas de países desenvolvidos cortaram bilhões de dólares de investimentos no setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), numa das consequências mais nocivas da pior crise econômica dos últimos tempos, conforme a Organização para Coopera&cc

Valor Econômico
02/10/2012 11:23
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Empresas de países desenvolvidos cortaram bilhões de dólares de investimentos no setor de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), numa das consequências mais nocivas da pior crise econômica dos últimos tempos, conforme a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Isso terá impacto sobre a inovação, competitividade internacional e crescimento desses países no longo prazo, alertam analistas.

A tendência é percebida na Europa como inquietante, diante da forte expansão de investimentos em P&D por emergentes asiáticos como China, Coreia do Sul e Índia.

"Assistimos ao fenômeno de corrida dos emergentes para superar o atraso tecnológico", diz Jean Hervé Lorenzi, membro do Comitê de Análise Econômica (CAE), orgão auxiliar do primeiro-ministro francês, e presidente do Cercle des Economistes, que reúne economistas importantes de diversas tendências políticas na França.

"Se essa corrida dos emergentes vai durar, é outra questão, mas no momento é o que acontece", acrescentou o economista.

Segundo a OCDE, que reúne os principais países ricos, o total de investimento feitos por empresas nos seus países-membros caiu 4,5% em média em 2009, no primeiro ano após a crise, com exceção da França e da Coreia do Sul.

Na União Europeia (UE), os investimentos em P&D caíram de US$ 165 bilhões em 2008, no começo da crise, para US$ 162 bilhões em 2010. No Japão, o investimento recuou 10% entre 2008 e 2010 e ficou em US$ 98 bilhões.

A maior retração das empresas em gastos com inovação ocorre, sem surpresa, no sul e no leste europeus, mas o cenário também é pouco animador na Alemanha, EUA e Reino Unido. O menor avanço da inovação nos desenvolvidos é ilustrado no número de patentes internacionais, que só passou de 151 mil registros em 2008, no começo da crise, para 160 mil no ano passado. Na União Europeia, o resultado é ainda mais tímido, com os registros de patentes subindo de 49 mil para 50 mil no período.

Enquanto a crise faz estragos na Europa, emergentes asiáticos continuaram a investir em P&D. Esses gastos cresceram 29,5% na China e 20,5% na Coreia do Sul e Índia entre 2008 e 2010. Na China, a participação das empresas em P&D foi de 70% do total em 2010, ante 67% na Alemanha, 50% na França e 45% no Reino Unido.

Analistas observam que o impacto da crise econômica sobre P&D foi menor em setores de alta tecnologia, como indústria aeronáutica, de tecnologia da informação e saúde, do que em setores de tecnologia dita média, como a indústria automotiva.

Até agora, governos têm procurado aumentar os gastos em P&D para compensar pelo menos em parte a retração das empresas. Os subsídios do setor público ocorrem com instrumentos como crédito fiscal para pesquisa.

A França, por exemplo, dá isenção fiscal de 50% à instalação de empresa no país e de 40% no primeiro ano do investimentos, até € 100 milhões. Segundo analistas, o custo para os cofres franceses é de US$ 6 bilhões por ano.

Após anos de recuo, os gastos em P&D feitos tanto por empresas privadas como públicas na França voltaram em 2010 ao nível de 2001, de 1,4% do PIB, com US$ 30,5 bilhões - um terço do Japão.

No relatório sobre perspectivas da ciência, tecnologia e indústria, a OCDE sugere a seus membros que adotem estímulos mais efetivos para a inovação, a começar pelas pequenas e médias empresas.

A OCDE sugere às empresas que tentem preservar o capital humano acumulado. Desemprego duradouro pode causar enorme desatualização de profissionais em relação a inovação tecnológica, principalmente nas áreas aeronáutica, biotecnológica e de informática.

A intervenção do Estado na economia vem crescendo na Europa, no rastro da crise. Reino Unido e França preparam a criação de bancos estatais de fomento, espécie de mini-BNDES, que estarão no centro de novas políticas industriais, inclusive para não perderem espaço para os asiáticos.
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